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04/03/2020 11:25 -03

Regina Duarte demite maestro que relacionou rock ao aborto e ao satanismo

Atriz, que toma posse como secretária da Cultura nesta quarta, manteve Sérgio Camargo como presidente da Fundação Palmares.

SERGIO LIMA via Getty Images
Nova secretária da Cultura manteve presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. O jornalista nega a existência do racismo no Brasil e considera cotas raciais “um absurdo”.   

A nova secretária da cultura do governo de Jair Bolsonaro, a atriz Regina Duarte, que toma posse nesta quarta-feira (4) começa os trabalhos sem Dante Mantovani, presidente da Funarte ( Fundação Nacional de Artes) na equipe. O maestro ficou conhecido por relacionar o rock ao aborto e ao satanismo.

O Diário Oficial desta quarta traz a demissão de Mantovani e mais quatro secretários da pasta, além do presidente do Instituto Brasileiro de Museus, Paulo Cesar Brasil.

Em um vídeo em seu canal no YouTube, Mantovani, ao falar sobre o festival de Woodstock, disse que “o rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto”. “A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que ele fez um pacto com o diabo, com o satanás para ter fama, sucesso”, continua.

Os secretários demitidos são Reynaldo Pereira (Economia Criativa), Rodrigo Junqueira (Difusão e Infraestrutura Cultural), Camilo Calandrelli (Fomento e Incentivo à Cultura) e Marcos Azevedo (Direitos Autorais e Propriedade Intelectual).

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, contudo, foi mantido. No Twitter, ele disse que tem o apoio do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio. A Justiça Federal chegou a afastá-lo do cargo em novembro de 2019, mas em 12 de fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça (STFJ) derrubou a suspensão.

O jornalista se define como um “negro de direita contrário ao vitimismo e ao politicamente correto”, nega a existência do racismo no Brasil e considera cotas raciais “um absurdo”. 

Criada em 1988, a Fundação Cultural Palmares é resultado da luta do Movimento Negro brasileiro por políticas de promoção da igualdade racial e tem como um dos objetivos valorizar as manifestações de matriz africana.

Olavo de Carvalho x Regina Duarte

Nesta segunda-feira (2), o filósofo e guru do bolsonarismo Olavo de Carvalho criticou a atriz Regina Duarte. O incômodo do escritor teria sido despertado pela equipe escolhida pela nova integrante da Esplanada dos Ministérios.

Em uma publicação no Facebook nesta segunda-feira (2), Olavo sugere que ela não assuma o cargo, se não quiser estar vinculada a seu nome. “Ao cogitar o seu nome para o posto, a primeira opinião que o sr. presidente da República quis ouvir a respeito foi a minha. Ela decerto não me deve gratidão nenhuma por isso, mas me deve ― e estou cobrando em público ― uma confirmação ou desmentido desse zunzum”, escreveu.

De acordo com nota publicada pela coluna Radar, do site da Veja, nesta segunda, a atriz adotou critérios técnicos para escolher secretários, assessores e diretores de órgãos ligados à pasta e deixou de fora pupilos do escritor.

A secretaria está sem chefe há mais de um mês. Regina Duarte foi convidada para o cargo após a demissão de Roberto Alvim, que deixou o posto após divulgar um vídeo com trechos inspirados em um discurso nazista.

Na semana passada, a reverenda Jane, cotada anteriormente para ser secretária-adjunta de Regina, insinuou, nas redes sociais, que a atriz estaria levando “a esquerda” para o órgão. Janicia Silva é pastora evangélica e atou no governo como secretária da Diversidade Cultural. Nas redes sociais, ficou conhecida pelo apoio ao presidente Jair Bolsonaro e ao ex-secretário Roberto Alvim.

Nos últimos dias, Regina Duarte tem endossado a manifestação marcada para o dia 15 de março, que tem como uma das pautas a crítica ao Congresso. O presidente Jair Bolsonaro também compartilhou conteúdo nesse sentido, mas depois voltou atrás. Nas imagens, não há críticas diretas ao Congresso, ou menção a fechá-lo. Mas um dos vídeos fala em “rejeitar os inimigos do Brasil”. 

A atriz é conhecida por seu posicionamento político contra a esquerda desde as eleições de 2002, quando disse em um vídeo de campanha ter “medo” de uma eventual vitória de Lula (PT).

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