OPINIÃO
15/07/2019 02:00 -03 | Atualizado 15/07/2019 02:00 -03

Reforma da Previdência: Fim do primeiro ato

Os efeitos do rebaixamento das aposentadorias, que vão aprofundar a desigualdade social, passam despercebidos pela população devido ao mote de "combate aos privilégios".

EVARISTO SA via Getty Images
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) celebra aprovação da reforma da Previdência em 1º turno.

O famoso lema “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, de Joseph Goebbels, acrescido de “soluções simples para problemas complexos” (parafraseando Henry Louis Mencken) e uma pitada de encenação. Essa foi a fórmula que garantiu, sob aplausos, a aprovação da reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados.

A chancela, em primeiro turno, à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, que impactará gerações de brasileiros, foi dada após duas sessões de plenário, em cerca de 20 horas de debate. Corria nos corredores da Casa, no primeiro dia de discussões, a confissão por parte de muitos parlamentares de que quase ninguém entendia, por exemplo, as cinco regras de transição previstas no texto-base.

Para o gran finale, choro do emocionado presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ). Entretanto não podemos esquecer que todo o processo de tramitação até aqui foi marcado por grandes cenas que, em alguns casos, remeteram a novelas mexicanas e, em outros, a séries americanas, com uma pontinha de brasilidade, é claro.

A pergunta que ecoa nos bastidores, e para a qual não caberá encenação como resposta, é: quais os impactos das mudanças aprovadas?

Antes, é preciso admitir que o texto aprovado em plenário trouxe avanços em relação à matéria original, como: a manutenção das atuais idades mínimas para aposentadoria dos trabalhadores rurais, a supressão das mudanças ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), a retirada do