ENTRETENIMENTO
22/07/2020 02:00 -03 | Atualizado 22/07/2020 11:34 -03

Ranking Christopher Nolan: Os 10 filmes do diretor, do pior para o melhor

Celebrando 10 anos de "A Origem" e de luto por mais um adiamento de "Tenet", revisitamos a carreira do cineasta britânico.

No famoso monólogo em O Grande Truque (2006), o veterano Cutter, personagem vivido por Michael Caine, nos apresenta os três passos de um truque de mágica.

“Todo truque de mágica consiste em três partes ou atos. A primeira parte chama-se A Promessa. O mágico mostra algo comum. Um maço de cartas, um pássaro ou um homem. Ele mostra um objeto. Talvez peça para que alguém o inspecione e veja que ele é de verdade. Um objeto Inalterado, normal. Mas é claro que, provavelmente, não é. O segundo ato chama-se A Virada. O mágico pega o objeto comum e o transforma em algo extraordinário. Você está procurando o segredo, mas não vai encontrar, porque não está realmente olhando. Você não quer realmente saber. Você quer ser enganado. Mas ainda não há aplausos, porque fazer algo desaparecer não é o suficiente. É preciso trazê-lo de volta. Por isso, todo truque tem um terceiro ato. A parte mais difícil. A parte que chamamos de O Grande Truque.”

Não há melhor descrição para termos uma base do que é o cinema de Christopher Nolan do que essa pequena introdução de seu 5° (e talvez mais subestimado) longa-metragem.

Um dos cineastas mais celebrados por público e crítica nas últimas duas décadas, o britânico já seguia esses três passos mesmo quando não era conhecido no mundo todo, quando dirigiu The Following (1998) e logo depois estourou com o surpreendente Amnésia (2000).

Sempre grandiloquente em absolutamente tudo o que faz, Nolan prepara a “armadilha” para capturar a atenção do espectador transformando algo corriqueiro em mágico.

Ele nos apresenta personagens que, à primeira vista, podem parecer comuns, triviais, mas que, na verdade, não são. São protagonistas mergulhados em conflitos internos que constantemente questionam sua própria existência.

Seguindo para o segundo ato, ele desafia os limites do tempo e espaço com um domínio técnico de um verdadeiro artesão da imagem e do som. Aí, você, certamente, procura pelo segredo, mas, na verdade, você não quer realmente saber como ele faz aquilo. Você quer ser “enganado”.

No terceiro - e mais difícil passo - rumo ao grande truque, Nolan apresenta suas tramas complexas com pitadas de filosofia, discussões científicas e metafísicas embrulhadas em sequências de ação tensas e milimetricamente coreografadas, em perfeita sincronia com a trilha sonora pomposa de seu colaborador de longa data, o premiado compositor Hans Zimmer.

Pronto, você está fisgado. Aplaudindo o filme com os olhos grudados na tela. De preferência uma IMAX.

E logo quando estávamos prontos para ser fisgados mais uma vez, o novo “truque” de Christopher Nolan, Tenet, teve seu lançamento em 2020 adiado mais uma vez. Uma pena...


Mas ainda há o que se comemorar mesmo com o adiamento de Tenet. Na última semana, um de seus maiores sucessos, o amado A Origem (2010), completou 10 anos. Motivo suficiente para rever toda a incrível filmografia de Nolan e refletir sobre a carreira do diretor inglês antes que ele nos “engane” mais uma vez.

Por isso, resolvemos fazer nosso Ranking Nolan, classificando os 10 filmes dele, do pior para o melhor. Ah, e que fique avisado, “pior” aqui é apenas o contrário de “melhor”, ou seja, não é porque um filme está nas últimas colocações que consideremos ele ruim. Ok? Bom, então vamos ao nosso ranking.

10 - Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

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Tudo que havia funcionado muito bem em O Cavaleiro das Trevas desandou no último capítulo da trilogia do Batman. O Cavaleiro das Trevas Ressurge quer ser maior em tudo em relação a seu antecessor, e isso é seu grande erro. A trama se perde com muitos arcos de novos personagens como o “Robin” de Joseph Gordon-Levitt e a Mulher-Gato de Anne Hathaway entrando em conflito com um embate já confuso com o incompreensível Bane (Tom Hardy) e o já cansado Batman de Christian Bale. Até o sempre preciso controle do espaço/tempo de Nolan está descalibrado. Mas, vamos combinar que a tarefa de ser a sequência de O Cavaleiro das Trevas era das mais inglórias.

9 - Insônia (2002)

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Insônia é uma exceção na carreira de Nolan, que sempre trabalhou com material original. Junto com seu irmão Jonathan, ele sempre cuidou dos roteiros de seus filmes. Menos aqui. Mas isso é compreensível, pois em 2002, Nolan era apenas um cineasta promissor. Mesmo vindo do grande sucesso de Amnésia (2000), ele ainda tinha muito a provar e topou dirigir essa refilmagem de um thriller norueguês de 1997. Que, aliás, é melhor que a versão estrelada por um Robin Williams bem desenvolto no papel de serial killer, mas um Al Pacino que passou do ponto nas caras e bocas. O resultado está longe de ser ruim, tanto que Nolan conseguiu consolidar sua posição de cineasta respeitado, mas ele, acertadamente, nunca mais topou um projeto como esse. 

8 - Following (1998)

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Mesmo ainda dando seus primeiros passos como diretor, Christopher Nolan já mostra muito do que veríamos a seguir, em Amnésia, em seu primeiro e pouco conhecido longa: Following. Aqui ele mostra que um filme não precisa de um orçamento extraordinário para ser criativo e ter estilo. Se bem que assim que conseguiu ter moral suficiente para grandes produções, Nolan deixou essa de bom e barato no passado.

7 - Batman Begins (2005)

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Nenhum personagem se encaixou tanto no arquétipo dos protagonistas das tramas de Christopher Nolan quanto o Batman. O próprio cineasta admite que é obcecado pelo super-herói da DC e que ele teve grande influência em sua formação como contador de histórias. Aproveitando que o Homem-Morcego estava em baixa depois da fase Joel Schumacher, Nolan agarrou a chance de fazer um reboot do herói com unhas e dentes e entregou um bom filme do gênero super-herói. Mas ele estava apenas aquecendo as turbinas. 

6 - Interstelar (2014)

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Interstelar é um daqueles filmes que têm tudo, absolutamente tudo o que caracteriza em filme de Christopher Nolan. O problema é que ele passa um pouco do ponto nos aspectos filosóficos e científicos, fazendo os personagens ter de explicar tudo o que estão fazendo. Isso cansa e só serve de distração para os aspectos imagéticos do filme, que deveria ser sua prioridade. Além disso, Nolan vai um pouco mais fundo no sentimentalismo, algo que não é a sua praia. Tanto que ele é muito comparado a outro grande cineasta famoso por sua técnica refinada, mas falta de emoção: Stanley Kubrick.

5 - O Grande Truque (2006)

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Depois de entrar de vez no universo dos super-heróis, Nolan voltou a um projeto que há anos tentava concretizar. Porém, talvez não fosse o melhor momento para um filme “menor”, mesmo que, como já até mostramos no início do texto, O Grande Truque contenha a essência do cinema do diretor. A trama que traz um embate entre de dois mágicos no final do século 19 não foi recebida com o entusiasmo que merecia, mas com o tempo vem ganhando cada vez mais admiradores.    

4 - A Origem (2010)

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A Origem é o Interstelar que deu certo. Aqui, Nolan consegue fazer deixar todas as camadas de sua narrativa uniformes, transformando o que parece um típico filme de assalto em algo bem mais ambicioso. Tem um protagonista atormentado, uma trama complexa que questiona os limites da realidade, sequências de ação mirabolantes e criativas... É um Nolan no total controle de suas ações, se divertindo em seu parque de diversões particular. 

3 - Amnésia (2000)

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Aqui passamos a conhecer pra valer quem era Christopher Nolan, que já começava a nos deliciar com seus “truques”. A forma com que conta a história do homem desmemoriado que procura pelo assassino de sua esposa, do fim para o começo, foi tão impactante que cópias logo apareceram. Mas ninguém consegue brincar tão bem com a narrativa como ele, que poucos anos depois já alcançaria o status de grife.  

2 - Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008)

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Considerado por muitos como o melhor filme de super-herói da história, O Cavaleiro das Trevas praticamente reinventou o gênero. Nolan consegue dosar com precisão a fantasia e o hiper-realismo em um thriller envolvente e de tirar o fôlego. Como já foi dito, nenhum personagem poderia ser mais Nolan do que Batman, mas quem roubou a cena foi o caótico e ameaçador Coringa de Heath Ledger. Mesmo com a consagração de Joaquin Phoenix no papel do vilão com um Oscar em 2020, ainda há muita gente que considera a interpretação de Ledger - que também ganhou o Oscar pelo papel, em 2009 - melhor.

1 - Dunkirk (2017)

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Você pode estranhar o fato do drama de guerra Dunkirk estar na frente de O Cavaleiro das Trevas nesta lista. Mas o fato é que é neste filme que Christopher Nolan consegue imprimir tudo o que constitui o seu cinema, elevando esses aspectos há décima potência e sem se perder no caminho. Ele consegue fazer um épico superlativo em tudo, com sequências de ação absurdamente grandiosas com um elenco imenso em uma narrativa dividida em três linhas de tempo. Tudo aos mesmo tempo agora. É o Nolan cineasta alcançando o pico de sua técnica.