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20/05/2020 07:51 -03 | Atualizado 20/05/2020 09:18 -03

Em novo depoimento, delegado diz ter sido consultado por Ramagem para deixar PF do Rio

Revelações de Carlos Henrique Oliveira desmentem versão de Bolsonaro de que decisão por sua remoção do Rio foi do novo diretor-geral, que era braço-direito de Ramagem na Abin.

O delegado da Polícia Federal Carlos Henrique Oliveira afirmou, nesta quarta-feira (19), que o atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o também delegado Alexandre Ramagem, o convidou para ser diretor-executivo da PF após ser indicado para diretor-geral da PF, em novo depoimento obtido pela Reuters.

Oliveira era superintendente da PF no Rio de Janeiro e acabou sendo efetivado como diretor-executivo da corporação, espécie de número 2, já no início da gestão de Rolando Souza, que assumiu o cargo de chefe da PF após a posse de Ramagem ter sido barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por indício de desvio de finalidade.

O delegado mudou sua versão do depoimento que havia dado na semana passada. Na ocasião, ele havia dito que nenhuma pessoa cogitada pela imprensa para ser o novo diretor-geral da PF tinha o procurado para deixar a superintendência do Rio para assumir a direção-executiva em Brasília.

No novo depoimento, Oliveira pediu para “esclarecer” que foi procurado por Ramagem para ser diretor-executivo da PF em 27 de abril – um dia antes de Bolsonaro nomear Ramagem para a diretoria-geral da PF, posteriormente barrada –, e afirmou que aceitaria. O delegado também afirmou que Ramagem já discutia a troca do superintendente da PF no Rio de Janeiro mesmo antes da sua escolha para ser diretor-geral da corporação.

As revelações contrariam as versões dadas pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo próprio Ramagem. No dia 5 de maio, Bolsonaro, bastante exaltado, mandou por várias vezes os jornalistas calarem a boca e disse que a mudança, na véspera, de Oliveira do Rio para Brasília tinha sido “a convite do atual diretor-geral”, Rolando Souza. Ele voltou a negar qualquer interferência na decisão.

Já Ramagem, ao depor na última semana, disse não ter tido “qualquer influência” na mudança de Oliveira do Rio para a diretoria-executiva. 

Souza era o braço-direito de Ramagem na Abin e foi a opção de Bolsonaro, empossada às pressas, depois que a indicação de Ramagem para a diretoria-geral da PF foi barrada pelo STF.

O comando da PF no Rio está no centro da acusação feita pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que Bolsonaro tentou interferir na PF, que é alvo de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

No novo relato, o delegado também disse ter se reunido, no Palácio do Planalto, com Bolsonaro e Ramagem no segundo semestre de 2019, época em que era superintendente da PF em Pernambuco e cotado para assumir a chefia do Rio.

Esse encontro não contou com a presença do então ministro da Justiça, Sergio Moro, nem do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. Questionado sobre a razão do encontro, Oliveira disse não saber informar “objetivo específico para sua audiência” com o presidente.

Procurada, a Secretaria de Imprensa da Presidência disse que o Palácio do Planalto não vai comentar o depoimento.

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