OPINIÃO
09/08/2019 04:00 -03 | Atualizado 09/08/2019 04:00 -03

Nada salva 'Rainhas do Crime' do marasmo

Novo filme estrelado por Melissa McCarthy e Elisabeth Moss tinha tudo para ser incrível, mas é apenas chato.

Divulgação
Tiffany Haddish, Melissa McCarthy e Elisabeth Moss em cena de Rainhas do Crime.

Baseado em uma história em quadrinhos da Vertigo, selo da DC Comics voltado a um público mais adulto, Rainhas do Crime tinha tudo para ser um grande filme. Tem uma trama legal, um ótimo trio de protagonistas, coadjuvantes de luxo e roteiro da mesma autora do bacana Straight Outta Compton - A História do N.W.A. (2015). Além do fato de que a história se passa na sempre empolgante Nova York da década de 1970.

Mas nada disso. Absolutamente nada salvou o filme da roteirista Andrea Berloff, que estreia na direção com o pé esquerdo. Rainhas do Crime, que estreou nos cinemas nesta quinta (8), sofre de uma falta de ritmo crônica. Toda vez que parece que vai engrenar, pisa no freio. 

Mas seu grande problema mesmo é que lhe falta alma. 

Há coisa mais cool que o cinema policial dos anos 1970? Aquele groove que exala o perigo do período de ressaca da grande festa que foi a década de 1960... Policiais corruptos patrulhando ruas infestadas de cafetões e traficantes ao som de um funk nervoso, perseguições de carro alucinantes sem um pingo de CGI.

Espírito que o novo filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez em Hollywood - que estreia no dia 15 de agosto - transpira por todos os poros, mas que em Rainhas do Crime parece uma mera peça de figurino. 

A trama se passa na Nova York de 1978, mais precisamente na região de Hell’s Kitchen, área controlada pela decadente máfia irlandesa. Casadas com um trio de mafiosos pé rapados, Kathy (Melissa McCarthy), Ruby (Tiffany Haddish) e Claire (Elisabeth Moss) acabam ficando desamparadas quando eles são presos.

Para sobreviver, elas dependem apenas de uma esquálida pensão dada pelo chefe local, Little Jackie (Myk Watford). Mas o dinheiro não é suficiente e as três decidem passar por cima da autoridade de Little Jackie. Com inteligência, elas fazem a máfia irlandesa prosperar e recuperam o respeito da comunidade. Porém, o crime nem sempre compensa, e elas terão de lidar com a poderosa máfia italiana e, pior, com seus maridos, que estão prestes a deixar a cadeia.  

Não é por falta de esforço de Melissa McCarthy, Tiffany Haddish, Elisabeth Moss e bons coadjuvantes como Margo Martindale e Domhnall Gleeson, mas Rainhas do Crime não se deixa abraçar pelo vibe dos anos 1970 e falha até em seu vazio discurso de empoderamento feminino, deixando de se aprofundar nas contradições de suas protagonistas ao apostar em um inócuo plot twist.

Uma pena que a volta de Annabella Sciorra - uma das vítimas de assédio e da campanha suja de Harvey Weinstein - às telas tenha acontecido em um filme tão decepcionante.