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13/11/2019 15:35 -03 | Atualizado 13/11/2019 15:59 -03

Diferença de salários entre negros e brancos do Brasil é de 73,9%, aponta IBGE

Melhoria de acesso dos negros ao ensino superior ainda não reflete em melhores salários, empregos ou representação política.

ASSOCIATED PRESS
Estudo Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil permitiu um mergulho nas taxas que reforçam as desigualdades entre brancos e pretos ou pardos no Brasil.

Pela primeira vez na história, os negros do Brasil são maioria (50,3%) nos espaços de ensino superior público. O maior acesso à educação, no entanto, ainda não é capaz de garantir melhores empregos, melhores salários e nem ao menos mais representação política para essa população.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicados nesta quarta-feira (13) expõem o cenário de desigualdades estruturais que o País enfrenta em relação às populações branca e pretos e pardos.

De acordo com o estudo, o processo de desenvolvimento econômico brasileiro não foi capaz de incluir essas populações e traduziu-se em maiores níveis de vulnerabilidade econômica e social para os negros e pardos.

Por meio de análise de indicadores da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), o estudo Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil permitiu um mergulho nas taxas que reforçam as desigualdades entre brancos e pretos ou pardos (99% da população brasileira em 2018) ligadas ao trabalho, à distribuição de renda, à moradia, à educação, à violência e à representação política.

Veja alguns dos principais índices expostos pelo relatório.

Educação

Pela primeira vez, em 2018, a população que se declara preta ou parda representou mais da metade (50,3%) dos estudantes de ensino superior da rede pública. No entanto, essa população ainda continua sub-representada nesses espaços, já que compõem a maioria da população brasileira (55,8%).

Salários 

A desigualdade de acesso à educação superior reflete também nos índices de salários nacionais. Enquanto o rendimento mensal das pessoas brancas ocupadas era de R$ 2.796, o da população preta ou parda era de R$ 1.608, reforçando uma diferença de 73,9% entre os salários. 

Em relação às mulheres pretas ou pardas, quando comparadas com homens brancos, elas receberam menos da metade do salário deles (44%), o que faz com que elas continuem na base da desigualdade de renda no Brasil.

Outro dado que reforça o gap estrutural no País é o fato de que os brancos com nível superior completo também ganham cerca de 45% a mais por hora comparado aos pretos ou pardos com o mesmo nível de instrução.

Mercado de trabalho

Os dados do IBGE demonstram ainda que os pretos ou pardos representavam 64,2% da população desocupada e 66,1% da população subutilizada em 2018. E, enquanto 34,6% dos trabalhadores brancos estavam em ocupações informais, entre os pretos ou pardos esse percentual era de 47,3%.

Do ponto de vista de carreira, a desigualdade também é enorme. Somente 29,9% dos cargos gerenciais do Brasil são exercidos por pessoas pretas ou pardas. Já os cargos de chefia, que consequentemente têm a maior renda, são amplamente ocupados por pessoas brancas (85,9%).

Distribuição de renda

Em relação à distribuição de renda, os pretos ou pardos representavam 75,2% do grupo formado pelos 10% da população com os menores rendimentos do País. Entre os 10% mais ricos, apenas 27,7% não são brancos.

Violência

Em relação às taxas de violência no Brasil, a de homicídios dos pretos ou pardos segue superior a dos brancos.

Enquanto o indicador de homicídios manteve-se estável na população branca entre 2012 e 2017, o assassinato de pretos ou pardos subiu mais de 6 pontos: passou de 37,2 para 43,4 homicídios por 100 mil habitantes.

O índice é maior entre os jovens homens negros. A taxa de homicídios entre a população de pretos ou pardos de 15 a 29 anos do sexo masculino foi de 185,0 por 100 mil habitantes. 

Representação política

A tendência de desigualdade é refletida nos níveis de representação da política. 

Apenas 24,4% dos deputados federais e 28,9% dos deputados estaduais são pretos ou pardos. Para mulheres negras, o cenário é ainda pior. Elas compõem  apenas 2,5% dos deputados federais e 4,8% dos deputados estaduais eleitos.