NOTÍCIAS
21/02/2019 10:01 -03 | Atualizado 21/02/2019 10:13 -03

Caso Marielle: PF apura tentativas de prejudicar as investigações

'Quem mandou matar Marielle?'

ASSOCIATED PRESS
Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em março do ano passado. 

Policiais federais cumprem nesta quinta-feira  (21), no Rio de Janeiro, 8 mandados de busca e apreensão para apurar supostas tentativas visando prejudicar as investigações dos homicídios da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018. Segundo a Polícia Federal (PF), a apuração é sigilosa e os mandados foram autorizados pela Justiça.

“Ressalte-se que as investigações a cargo da Polícia Federal se restringem à identificação de entraves e obstáculos dirigidos à investigação dos crimes, estando a cargo dos órgãos de segurança do Estado do Rio de Janeiro a apuração da autoria, motivação e materialidade de tais eventos criminosos”, diz nota da PF.

A Polícia Federal começou sua apuração em novembro do ano passado, depois de receber denúncias de que agentes do estado estariam agindo para prejudicar as investigações do caso, a cargo da Delegacia de Homicídios da capital, da Polícia Civil. 

De acordo com a PF, os agentes federais não estão apurando a autoria ou motivação dos assassinatos, já que isso é responsabilidade da Polícia Civil. A PF informou que não vai se manifestar sobre sua investigação até que seja concluída.

Em dezembro do ano passado, o secretário de Segurança Pública do Rio, Richard Nunes, afirmou que Marielle e Andersoin foram mortos por milicianos envolvidos com grilagem de terras na Zona Oeste do Rio.

“O que leva ao assassinato da vereadora e do motorista é essa percepção de que ela colocaria em risco naquelas áreas os interesses desses grupos criminosos”, disse ao Estado de S.Paulo na época. 

Crime

Marielle e Anderson foram atingidos por um total de 13 tiros em Estácio, na região central do Rio, em 14 de março do ano passado. Negra, da periferia e lésbica, a vereadora, que era uma das vozes de denúncia sobre violência policial, se tornou um símbolo de luta pelos direitos humanos.

Quase 1 ano após o assassinato ainda não se sabe quem matou Marielle. Logo após o crime, um artigo da Human Rights Watch alertou que a ousadia para assassinar uma pessoa com tanta visibilidade pressupunha que não haveria consequências na Justiça.

“A impunidade no caso das execuções extrajudiciais é particularmente devastadora, não apenas pelo sofrimento das famílias das vítimas”, ressaltava a HRW.

(com Agência Brasil)