NOTÍCIAS
03/07/2020 15:53 -03

Quem é Renato Feder, 4º ministro da Educação do governo Bolsonaro

Herdeiro do Grupo Elgin, atual secretário de Educação do Paraná teve ascensão meteórica na área.

Reprodução/Twitter

Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para suceder Carlos Decotelli no comando do Ministério da Educação, Renato Feder teve uma ascensão meteórica no universo da educação. Formado em Economia pela USP (Universidade de São Paulo), Feder, 42 anos, assumiu aos 23 a direção da Mutilaser, empresada de tecnologia que um amigo de infância havia herdado. Deixou a empresa em 2017 e logo se tornou assessor da Secretaria de Educação de São Paulo.

Feder, que é herdeiro do Grupo Elgin, do ramo de maquinário, no entanto, ficou pouco tempo no governo paulista. Em 2019, foi indicado por empresários ao recém-eleito governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), para chefiar a Secretaria Estadual de Educação.

No órgão, se destacou por ter sido rápido na entrega de um programa de educação à distância, necessário por causa da pandemia do novo coronavírus. Essa agilidade foi seu principal ativo apresentado ao presidente Jair Bolsonaro como endosso da indicação do secretário para o cargo.

O nome dele entrou na bolsa de apostas para o MEC assim que Abraham Weintraub foi demitido. Feder chegou a se reunir com Bolsonaro, que pediu a ele como tarefa de casa uma proposta para retomada das aulas no pós-pandemia. “Ele está preocupado com os alunos que estão sem aula e que tipo de retorno o MEC pode ajudar quando as redes tomarem a decisão de voltar”, disse Feder à imprensa após reunião com o presidente.

Diferentemente de Weintraub, que foi o ministro mais longevo no MEC, Feder se diz uma pessoa de diálogo. Afirma que o papel da pasta é conversar com os estados, dar apoio e estar preparado para atender o que cada rede, seja municipal ou estadual, precisa. O novo ministro também se mostra distante de embates ideológicos, o que aponta para uma mudança nos rumos da pasta já iniciada com a nomeação de Decotelli. Até então, o MEC sob o governo Bolsonaro estava alinhado à ala ideológica, tutelada por Olavo de Carvalho.

“Para mim ou qualquer ministro que venha assumir o MEC, a pauta principal tem que ser o trabalho por aulas de maior qualidade. Esse é o foco. Os alunos estão aprendendo matemática, estão aprendendo português, a qualidade está boa, que tipo de apoio cada município precisa. O ministro tem que focar nessa pauta, que tipo de tecnologia é utilizada para ajudar, que tipo de informação, o que os melhores países fazem e que podem trazer para nossos Estados e municípios. Essa é a pauta que o MEC deveria focar”, afirmou em 23 de junho após a reunião com Bolsonaro.

À época, pesava contra ele um livro, publicado em 2007, no qual defendia a extinção do ministério. “Carregando o Elefante - Como transformar o Brasil no país mais rico do mundo” indicava como solução para o setor a adoção de vouchers, custeados pelo governo, para que pais matriculassem os filhos em escolas particulares.

Feder, porém, diz que mudou de opinião. “É um livro muito antigo, escrito há quase 15 anos, não é o que penso hoje. As pessoas mudam de opinião, melhoram. Eu era um jovem de 20 e poucos ano quando escrevi aquele livro. Muito do que penso hoje não tem a ver com o livro”, pontuou. Afirmou ainda que a política de voucher não deu certo em nenhum lugar do mundo e que ele não concorda.

Ligação política

O que o fez ser preterido, no entanto, foi a ligação política com o PSDB, segundo o Blog do Canarotti, no G1. Além de ter procurado o secretário de Educação do governo do tucano Geraldo Alckmin para se disponibilizar a trabalhar na secretaria, ele fez doação para a campanha de João Doria à Prefeitura de São Paulo, em 2016. 

Feder doou R$ 120 mil para a campanha de Doria, se tornando o sétimo maior doador em quantia para a campanha do tucano, que recebeu R$ 12 milhões. Na época, ele ainda era diretor da Multilaser.

O novo ministro ainda não foi oficializado no cargo. Enquanto o nome não sai no Diário Oficial da União e ele não toma posse, bolsonaristas ainda tentam fazer com que o presidente mude de ideia. Entre os argumentos estão inconsistências em seu currículo — motivo que custou o cargo a Decotelli. O site da Secretaria de Educação do Paraná informa que ele é mestre em Economia, já o currículo lattes diz que o mestrado está em andamento.