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25/06/2020 16:19 -03 | Atualizado 26/06/2020 09:25 -03

Quem é Carlos Alberto Decotelli, novo ministro da Educação

Nomeação do sucessor de Weintraub é considerada vitória da ala militar e representa virada no rumo da pasta, que até então estava sob tutela do núcleo ideológico.

Reprodução/Facebook

Exatamente uma semana após anunciar a demissão de Abraham Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro anunciou o sucessor: Carlos Alberto Decotelli. O novo ministro da Educação já fez parte da equipe do Executivo de Bolsonaro, no comando do FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento Educacional), órgão responsável pelos principais investimentos no setor, e também participou da equipe de transição do governo, em 2018.

Decotelli deixou a presidência do fundo em agosto do ano passado, após pressão de parlamentares por mudanças no comando do órgão. Sua indicação é considerada por aliados do governo como uma vitória da ala militar e representa uma virada no comando do ministério, que até então estava sob tutela do núcleo ideológico.

O novo ministro é oficial da reserva da Marinha, com formação em Economia pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), mestre pela FGV (Fundação Getulio Vargas), doutor pela Universidade de Rosário, na Argentina, e pós-doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

Ele é professor e tem experiência em finanças, em bancos e corretoras de valores. De acordo com a revista especializada em educação Nova Escola, Decotelli, em parceria com a FGV, criou o Curso Gestão Financeira Corporativa no New York Institute of Finance.

Em entrevista à CNN, o ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez, que trabalhou com Decotelli, afirmou que o novo ministro, diferentemente do antecessor, não tem perfil de estimular conflitos e radicalismo. Segundo Veléz, Decotelli é uma pessoa “bem aquinhoada para desenvolver trabalho técnico com penetração social muito boa”.

“[Ele] Está longe da radicalização ideológica. Gostei dele, justamente por isso. É uma pessoa que pode somar muito no governo”, disse. O ex-ministro acrescentou que o ex-colega tem boa capacidade de diálogo e é um “grande humanista”.

Sucessões no MEC

O professor é o terceiro ministro da Educação em um ano e meio de governo. Ele sucede Weintraub, que saiu às pressas do País, após ser catalisador da crise política a qual o governo Bolsonaro enfrenta. Sua gestão à frente do ministério foi marcada por conflitos e pela falha no Enem do ano passado.

Depois de Weintraub dizer que o exame tinha o melhor de todos os tempos, o ministro teve que lidar com falhas na correção da prova. O erro afetou cerca de 6 mil candidatos.

Antes dele, Veléz chefiou a pasta por apenas quatro meses. Foi o segundo ministro a deixar o governo após protagonizar dias de caos no ministério. Em poucos dias, foram feitas mais de 20 trocas em cargos na pasta, como reflexo da desordem que imperava no MEC. 

Entre outros, o ministro chegou a declarar ao jornal Valor Econômico que pretendia alterar livros didáticos para ensinar aos estudantes que não houve um golpe militar em 1964, o que à época irritou a cúpula militar do governo.