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08/04/2019 18:58 -03 | Atualizado 08/04/2019 19:26 -03

9 pontos para entender o que pensa o novo ministro da Educação

“A esquerda entra e, logo depois, você começa a ter a droga penetrando a fundo na sociedade", disse Abraham Weintraub.

Rafael Carvalho / Casa Civil
Abraham Weintraub deixa a Secretaria Executiva da Casa Civil para assumir o comando do Ministério da Educação. 

Professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o economista Abraham Weintraub assumirá o comando do Ministério da Educação com a missão de recolocar a pasta nos trilhos. Ele deixa a Secretaria Executiva da Casa Civil, substituto oficial do ministro Onyx Lorenzoni, para suceder Ricardo Vélez.

Embora, diferentemente de Vélez, ele não conte com a indicação oficial do guru ideológico dos Bolsonaro, Olavo de Carvalho, as premissas ideológicas seguem semelhantes. Weintraub tem, em seu histórico, críticas à esquerda e defesa da liberação da posse de armas e ao encarceramento.

Em entrevista ao príncipe, e hoje deputado federal, Luiz Philippe Bragança em 2018, com a proposta de apresentar o plano de governo de Bolsonaro, ele falou do “aparelhamento” da esquerda no governo e da resistência que Bolsonaro, caso eleito, enfrentaria. 

Segundo ele, o desafio do marxismo cultural e a vulnerabilidade do País “são maiores do que podemos imaginar”. “Não me engano. Aquilo da Venezuela week, que teve aqui quando os caminhoneiros pararam, é muito mais grave do que vocês podem imaginar. Se a gente cavar a superfície, o negócio está muito profundo - pelo que eu vejo, pelo que eu descobri nessas entradas aí, tanto nas universidades quanto no meio público.”

Ao justificar suas teses, o economista destaca que é preciso comparar estados e países com culturas semelhantes e destaca semelhanças entre Brasil e Chile. 

 

Conheça algumas das opiniões do novo ministro

 

Defesa de flexibilização de armas

“A quantidade de armas tem uma correlação negativa com a criminalidade. Se você tem liberdade para ter arma em casa, cai a quantidade de crime. Não aumenta. Isso que os números mostram.”

Mais adiante, o economista fala sobre a necessidade de usar a munição e acrescenta: “Não adianta você ter armas em casa e não saber nem puxar o gatilho”. 

 

Encarceramento

 “A arma é uma emergência. Deu tudo errado, o Estado falhou… Para você baixar a criminalidade, é [preciso] o encarceramento. (…) Prender e deixar na cadeia é o que mais dá resultado. É prender e deixar na cadeia mesmo, acabar com o saidão e reduzir o custo do encarcerado.”

 

Esquerda e drogas

Ao falar sobre estados brasileiros com maiores índices de homicídio, ele afirma que há uma relação com a vitória da esquerda nessas localidades. “A esquerda entra e, logo depois que ela entra, você começa a ter a droga penetrando a fundo na sociedade. É importante ver a correlação. Onde a esquerda vai, a droga vai atrás.”

 

Mortes por policiais no Brasil

″É mentira que 30 mil são mortos pela polícia no Brasil. São 1,3 mil, [é o] número oficial do IBGE. Ele [o jornalista Fábio Pannunzio ao entrevistar o Bolsonaro] não se corrigiu. Essas 1.374 mortes não são fruto de armas disparadas pela polícia. São na troca de tiros.”

 

Estupro

“As maiores vítimas de estupro no Brasil são as crianças. Quem comete a maior quantidade? Dizem que o pai e o padrasto. Não, não é. É o amigo. Garotão de 16 anos no bairro que estupra o menino de 9.”

 

Marx: “Esse cara é louco”

Ao falar sobre a defesa da liberdade, escolhas materiais e escolhas afetivas, como querer ficar sozinho ou ter família, Weintraub afirma: “São coisas sagradas. (…) Desde o primeiro momento naquela porcaria de Karl Marx, que eu tive que ler inteiro, volume 1 e 2, na USP, está escrito ‘n’ vezes que, enquanto houver família, a gente não vai conseguir mudar a sociedade, que a gente tem que acabar a família. E eu falava para o Arthur (seu irmão): ‘Esse cara é louco? É, eu estou lendo para você’.”

Na Cúpula Conservadora das Américas, evento organizado por Eduardo Bolsonaro em dezembro, Weintraub disse que é preciso vencer o “marxismo cultural”nas universidades. “Dá para ganhar deles. É Olavo de Carvalho adaptado. E como ganhamos deles? Não sendo chatos. Temos que ganhar com humor e inteligência”.

 

Resistência a Bolsonaro

“Tem um trabalho muito forte da mídia de desconstruir. Quando comecei a me aproximar do JB [Jair Bolsonaro], via Onyx, eu falei: Mas ele não é muito radical? Onyx falou: ‘Abraham, olha na internet, olha no YouTube, vê se ele é’. E isso foi a chave para eu entrar. O JB tem essa preocupação muito clara: Democracia, mercado livre, eficiência. O que gera bem-estar para as pessoas que vivem no País.”

 

Lógica greco-romana e PT

“Quando a gente fala na lógica greco-romana, parece uma coisa meio óbvia: ‘Ué, todo mundo aceita a lógica greco-romana’. Não! Não o PT, o pessoal lá, os bolivarianos, o pessoal na universidade.”

 

Socialismo e aids

“Quando um comunista ou um socialista… O socialista, ele é a aids, uma doença oportunista… Quando ele chegar para você com um papo froinhonhoin, faça o que o professor Olavo fala: xinga ele.” 

 

Missão no MEC

A indicação de Weintraub coloca um fim em mais de 3 meses de polêmicas no Ministério da Educação. O novo ministro é formado em Economia pela USP, com MBA em Finanças Internacionais e mestrado em Finanças, ambos pela Fundação Getúlio Vargas. Ele iniciou a carreira como office-boy no Banco Votorantim e chegou a economista-chefe. Ficou lá 18 anos. Depois ficou mais 8 anos como corretor do mesmo banco. Foi sócio da Quest Investimentos e deixou a iniciativa privada para se dedicar à Unifesp e ao CES (Centro de Estudos em Seguridade).

O CES é uma empresa de consultoria fundada pelo economista e seu irmão, o advogado Arthur Weintraub, também professor da Unifesp. Arthur é professor de Ciências Autuariais e Abraham, de Ciências Contábeis. Os dois se aproximaram de Bolsonaro em 2017 por indicação do ministro Onyx Lorezoni. Ele se aproximou dos professores após uma palestra deles sobre Previdência na Câmara dos Deputados. 

Em agosto de 2018, os dois irmãos concederam uma entrevista ao Estadão. Avessos à imprensa, pediram para que as perguntas e respostas fossem registradas por e-mail. Eles se disseram perseguidos e alvos de ameaças desde que a aproximação com Bolsonaro se tornou pública.