NOTÍCIAS
18/06/2020 07:40 -03 | Atualizado 18/06/2020 18:19 -03

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, é preso em São Paulo

Queiroz foi preso em Atibaia, no interior do estado, num imóvel de Fred Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro e de Flávio.

Reprodução/Instagram
Fabrício Queiroz trabalhou na Assembleia do Rio de Janeiro no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual. 

O policial militar aposentado e ex-assessor de Flávio BolsonaroFabrício Queiroz foi preso na manhã desta quinta-feira (18) em uma ação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. Queiroz é peça-chave da investigação sobre um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

O ex-assessor foi preso em Atibaia, no interior do estado, num imóvel de Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro e de Flávio. Wassef defende Flávio neste caso e Jair no caso da ataque a faca que sofreu em 2018. A ação também envolveu busca e apreensão na casa em que ele estava.

Ainda pela manhã, Queiroz foi transferido para o Rio de Janeiro. A esposa dele, Márcia de Oliveira Aguiar, também teve prisão decretada e já é considerada foragida. Agentes do MP fizeram buscas em diversos endereços e não a encontraram. De acordo com a Folha de S.Paulo, ao ser preso, o ex-assessor de Flávio disse que não podiam prender nem a mulher nem a filha dele. 

Márcia e duas filhas de Queiroz chegaram a trabalhar para a família Bolsonaro, nos gabinetes de Flávio e Jair. 

Advogado de Queiroz, Paulo Emílio Catta Preta — o mesmo que defendeu o miliciano Adriano Nóbrega — rechaçou possibilidade de crime que sustente a prisão de seu cliente nesse momento. Ele afirma que Queiroz colaborava com a polícia e que não havia indícios de que ele poderia desaparecer com provas de crime. Catta Preta afirmou que, de imediato, vai tentar tirar o cliente da prisão. 

Em setembro, em entrevista à repórter Andréia Sadi, na GloboNews, o advogado dos Bolsonaro disse que não sabia onde estava Queiroz porque “não era advogado dele”.

Vínculo com Wassef

O delegado da Polícia Civil de São Paulo Osvaldo Nico Gonçalves, no entanto, afirmou à GloboNews na manhã desta quinta que o ex-assessor de Flávio estava na casa do advogado havia cerca de um ano – a informação teria sido passada pelo caseiro de Wassef no momento da prisão.

O advogado esteve no Palácio do Planalto na quarta-feira, onde acompanhou a posse de Fábio Faria no Ministério das Comunicações. Wassef, que tem uma base em Brasília, tem se reunido com alguma freqüência com Bolsonaro, em encontros dentro e fora da agenda oficial.

Queiroz é amigo antigo dos Bolsonaro e frequenta o círculo íntimo de Jair desde a década de 1980.

Horas depois da prisão, o senador Flávio Bolsonaro disse, em sua conta no Twitter, que a ação foi “mais uma peça movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro”.

“Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá!”, escreveu. “Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!”, completou.

“Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça do Rio, a pedido do Grupo de Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público daquele Estado, que investiga a participação de Queiroz em um esquema de desvio de vencimentos de servidores do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. A transferência para o Rio ocorrerá ainda hoje”, disse o Ministério Público de São Paulo em nota.

Queiroz está na mira do Ministério Público do Rio de Janeiro desde que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou uma movimentação milionária nas suas contas no período de um ano — incompatível com sua renda.

O ex-assessor fazia saques em dinheiro vivo sempre em dias próximos ao pagamento dos servidores da Assembleia Legislativa do Rio. Ele justificou que recebia parte de salário dos colegas de gabinete para remunerar assessores informais de Flávio Bolsonaro. A suspeita é de apropriação e desvio de parte dos salários dos servidores do gabinete do parlamentar.

Um relatório do Coaf revelado pelo Jornal Nacional em 2019 identificou também depósitos na conta de Flávio Bolsonaro. Foram 48 depósitos no valor de R$ 2 mil entre junho e julho de 2017 na conta do parlamentar, no total de R$ 96 mil. O fato de terem sido feitos de forma fracionada desperta a suspeita de ocultação da origem do dinheiro, segundo o Coaf. O Conselho não identificou quem fez os depósitos.

De acordo com o MP do Rio, a operação desta quinta foi batizada de Anjo e também teve como alvo de medidas cautelares servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Estado.

“Contra outros suspeitos de participação no esquema, o MPRJ obteve na Justiça a decretação de medidas cautelares que incluem busca e apreensão, afastamento da função pública, o comparecimento mensal em Juízo e a proibição de contato com testemunhas”, afirmou o MP fluminense.

Houve ainda uma busca e apreensão em uma casa em Bento Ribeiro, na Zona Norte do Rio. Chegou a ser noticiado que essa casa havia sido listada nos bens do presidente Jair Bolsonaro, em 2018. No entanto, a informação é incorreta. A casa, alvo do mandado, é a da frente, onde morava Alessandra Marins, ex-funcionária da Alerj e atual funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro.

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost