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18/01/2019 02:00 -02

5 fatos que reforçam misteriosa relação entre Queiroz e os Bolsonaro

STF freou investigação sobre movimentações financeiras atípicas do ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Reprodução/Facebook
Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro têm muito a explicar para opinião pública.

O mistério envolvendo movimentação milionária de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), ganhou um novo capítulo nesta semana. O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu nesta quinta-feira (17) a investigação sobre as transações atípicas do ex-motorista do filho mais velho de Jair Bolsonaro.

De plantão no recesso do Judiciário, Fux atendeu ao pedido dos advogados de Flávio. O objetivo dele, que foi eleito senador e toma posse em 1º de fevereiro, é ter reconhecido o foro especial perante o Supremo.

O caso está suspenso provisoriamente até que o ministro Marco Aurélio Mello - relator do caso conforme definido em sorteio - se pronuncie.

A suspensão da investigação é mais uma peça de um quebra-cabeça que requer esclarecimentos de todos os envolvidos. A seguir, 5 questões não esclarecidas sobre a relação entre Queiroz e os Bolsonaro:

 

1. Flávio nega envolvimento, mas “passa recibo”

O senador eleito, até então, afirmou não ter envolvimento algum com o caso. Segundo ele, as movimentações atípicas diziam respeito a Queiroz, exclusivamente. Ao procurar o Supremo, a mensagem que fica é que Flávio Bolsonaro está “passando recibo”, trazendo o problema para si.

A defesa pede que a investigação seja suspensa até que seja decidido em que instância do Judiciário o processo deve tramitar. O pedido foi feito 2 dias após o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, dizer que poderia oferecer denúncia contra os envolvidos mesmo sem a realização de oitivas. Tanto Queiroz quanto Flávio Bolsonaro e outros envolvidos faltaram aos depoimentos.

  

2. Flávio falta a depoimento no MP, mas dá entrevista

Convocado a prestar depoimento no Ministério Público do Rio no último dia 10, Flávio Bolsonaro faltou ao compromisso.

Nas redes sociais, o senador eleito disse que havia pedido uma cópia do processo e que agendaria nova data para prestar esclarecimentos. ″Reafirmo que não posso ser responsabilizado por atos de terceiros, como parte da grande mídia tenta, a todo custo, induzir a opinião pública”, escreveu.

Em entrevista exibida naquele mesmo dia pelo SBT, ele disse não saber o que seu ex-assessor fazia fora do gabinete.

 

3. Queiroz falta a depoimento, mas dança

O amigo da família Bolsonaro faltou a dois depoimentos marcados para os dias 19 e 21 de dezembro. Em ambas as ocasiões, Queiroz alegou motivos de saúde (tratamento de um câncer) para não ser interrogado.

No dia 26 de dezembro, porém, ele deu uma entrevista de 22 minutos ao SBT. Ao explicar por que movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta no intervalo de um ano, como apontou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Queiroz disse ser “um cara de negócios”. “Eu faço dinheiro; compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro. Sempre fui assim, gosto muito de comprar carro de seguradora”, disse, na TV.

Um dos depósitos de Queiroz foi um cheque no valor de R$ 24 mil para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente afirma que o repasse se deve ao pagamento de uma dívida que Queiroz tinha com ele.

No último dia 12, um vídeo que mostra o ex-assessor dançando no hospital enquanto toma soro na veia viralizou.  

De acordo com o advogado de Queiroz, a gravação foi feita na noite do dia 31 de dezembro, no hospital Albert Einstein, horas antes da realização de uma cirurgia “inclusive com risco de morte”. A defesa ainda informa que o ex-assessor ficou internado de 30 de dezembro a 8 de janeiro.

 

4. Mulher e filhas de Queiroz também faltam a depoimento

Com depoimentos marcados para o último dia 8, a mulher de Queiroz, Márcia Aguiar, e as filhas Nathália Melo de Queiroz e Evelyn Melo de Queiroz faltaram às oitivas.

Em documento enviado ao MP, a defesa da família disse que as 3 tinham se mudado temporariamente para São Paulo para acompanhar o tratamento de Queiroz.

O Coaf apontou movimentações entre a conta bancária de Queiroz e contas de funcionários lotados no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), incluindo a mulher e as filhas. A suspeita é que Queiroz concentrava em sua conta os salários desviados dos assessores. A Operação Furna da Onça, aberta para apurar corrupção na Alerj, também investiga outros deputados e seus assessores.

 

5. Filha atuava como personal trainer 

Nathália Queiroz foi lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj de agosto de 2011 a dezembro de 2016, quando passou para o gabinete do então deputado Jair Bolsonaro na Câmara, em Brasília, onde ficou lotada até outubro de 2018.

A imprensa revelou, contudo, que a filha de Queiroz atuava como personal trainer no Rio no período em que esteve lotada nos 2 gabinetes.

Nesta semana, foi revelado que o gabinete de Jair Bolsonaro atestou frequência total de Nathália durante todo o período. Registros da Câmara dos Deputados obtidos pela rádio CBN via Lei de Acesso à Informação mostraram que a filha de Queiroz não teve nenhuma falta sem justificativa, nem tirou licença, nos quase 2 anos em que trabalhou para Jair Bolsonaro em Brasília.

Sem condução coercitiva 

Até junho de 2018, investigados podiam ser conduzidos coercitivamente para interrogatório, e o instrumento foi amplamente utilizado em ações da operação Lava Jato, inclusive com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Naquele mês, porém, o STF decidiu que a condução coercitiva é inconstitucional e não pode ser usada para forçar um depoimento.

Por isso, nem Queiroz e familiares nem Flávio Bolsonaro foram alvo do expediente para esclarecer a relação entre eles.