LGBT
23/09/2020 13:05 -03 | Atualizado 24/09/2020 16:30 -03

Antoni Porowski, de 'Queer Eye', diz que repressão anti-LGBT na Polônia é 'absurda'

Porowski, que tem raízes polonesas, faz uma apelo ao país europeu para que cidadãos gays e trans sejam sejam respeitados.

Ataques aos direitos LGBT na Polônia, onde as cidades estão se declarando como “zonas livres de LGBT”, são “absurdos”, disse o astro de Queer Eye Antoni Porowski, ator com raízes polonesas. Ele faz uma apelo ao país europeu para que cidadãos gays e trans sejam sejam respeitados.

O ator e astro do reality show da Netflix em promovido uma petição do grupo de ativistas internacional All Out que pede à União Europeia que condene a repressão.

“Se a Polônia quer fazer parte da UE, então eles têm que se comportar de acordo”, disse Porowski, que nasceu no Canadá, mas tem pais poloneses. A Polônia é membro da UE desde 2004.

“Ter seu próprio povo excluindo sua própria população parece muito absurdo e contraintuitivo para a história polonesa”, afirmou Porowski em entrevista à Thomson Reuters Foundation.

Bravo via Getty Images
Antoni Porowski, um dos homens que pertence ao elenco de Queer Eye.

A petição, com mais de 300 mil assinaturas, foi entregue na noite desta última terça-feira (22) à comissária europeia para a Igualdade, Helena Dalli, no mesmo dia em que a pequena cidade polonesa de Krasnik se declarou “livre da ideologia LGBT”.

Esta cidade é uma das dezenas que têm feito declarações semelhantes na Polônia, onde o presidente Andrzej Duda é o principal incentivador desta ideia. Ele é um crítico dos direitos LGBT e fez campanha contra a adoção por casais do mesmo sexo e a educação sobre gênero nas escolas.

Duda foi eleito no final julho para um segundo mandato de cinco anos. Durante corrida eleitoral, ele tentou se mostrar como um “guardião” dos valores, mobilizando sua base conservadora com críticas ao movimento LGBT. 

Nas últimas semanas de campanha, ele afirmou que a “ideologia LGBT” era mais perigosa do que a “doutrina comunista” e prometeu garantir que as escolas públicas sejam proibidas de discutir os direitos destas pessoas.

All Out / Bea Uhart
Representantes da "All Out" na frente do prédio da Comissão Europeia.

Em seu discurso de juramento, Duda reiterou sua promessa de manter “a família como a pedra fundamental da sociedade, como nosso bem mais precioso”.

Postura do atual governo agravou as tensões já profundas com a Comissão Europeia sobre as políticas governamentais que, segundo o executivo da UE, subvertem a democracia, incluindo tentativas de restringir os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais.

Na semana passada, o Parlamento Europeu condenou a Polônia por violações dos direitos LGBT e exigiu que a União Europeia tome medidas contra o governo nacionalista do país, incluindo a possibilidade de negar-lhe financiamento do bloco.

Na decisão, o Parlamento também votou por ampla maioria para aprovar uma resolução sobre os direitos humanos no país, onde os municípios criaram as chamadas “zonas livres de LGBT”.

All Out / Bea Uhart
"All Out" realizou projeção na faxada da sede da Comissão Europeia. "Não somos uma ideologia, somos cidadãos poloneses", diz.

O órgão é um dos três ramos legislativos da União Europeia e uma das suas sete instituições. Juntamente com o Conselho da União Europeia, ele adota legislação europeia, geralmente sob proposta da Comissão Europeia. Atualmente, o Parlamento é composto por 705 membros.

A Polônia e a UE têm entrado em conflito cada vez mais sobre os direitos LGBT, denunciados de forma equivocada por políticos do partido Lei e Justiça (PiS) e bispos católicos que entendem que essa parcela da população carrega uma “ideologia” estrangeira que ameaça os valores tradicionais.

Na noite desta terça, a organização internacional pelos direitos LGBT projetaram mensagem de apoio à comunidade na faxada da sede da Comissão Europeia em Bruxelas (imagem a cima). “Não somos uma ideologia, somos cidadãos poloneses”, diz a imagem de protesto.

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