Quarentena social: O que é e para que servem as medidas de isolamento

É seguro continuar frequentando a academia? Festas de aniversário? Eu posso dar um mergulho no mar? E se eu me sentir sozinho?

Casos de infecção por coronavírus continuam a se espalhar no Brasil e no mundo. Em resposta, os governos de diversos países e organizações de saúde compartilham diariamente as recomendações para mitigar a transmissão do covid-19. Algumas dessas práticas sugerem suspender os eventos público e evitar aglomerações de pessoas. Não à toa, nas redes sociais, uma campanha intensa do distanciamento e isolamento social tem sido discutida.

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas planeja decretar “estado de emergência” na cidade, o que limitaria a circulação de pessoas nas ruas. No Estado, escolas, museus e eventos públicos estão suspensos. No Rio de Janeiro, os bombeiros pediram que a população evite as aglomerações das praias. E estamos só no início da crise.

Mas o que de fato significa uma “aglomeração de pessoas”? E quando se fala em isolamento social, isso significa dizer que eu não posso ter contato com mais ninguém? E o que fazer se eu me sentir sozinho?

Os números sobre a quantidade de pessoas que você deveria evitar não são exatos, na verdade, são estimativas para colocar em evidência os principais eventos que poderiam se tornar epicentros de disseminação do novo vírus. Não é porque uma reunião de 100 pessoas é desaconselhada pelo governo que alguém não possa ser infectado em um jantar íntimo com outras 4 pessoas, por exemplo.

“Não há um número específico de pessoas para a gente cravar e dizer: ’Tudo bem, sim, você pode ir a uma reunião de apenas cinco pessoas, por exemplo”, disse Muhiuddin Haider, professor clínico de saúde global da Universidade de Maryland. “O principal argumento para se ter em mente é que estamos todos tentando reduzir a transmissão.”

Portanto, se você quiser fazer sua parte para retardar a disseminação do coronavírus, talvez esteja se perguntando o que é e o que não é seguro adotar como prática de sua nova rotina.

Entenda o que significa ser cuidadoso em momentos de pandemia.

O que é o distanciamento social e como ele impede a propagação do coronavírus?

O objetivo do distanciamento social é afastar as pessoas para que a cadeia de infecção seja controlada. Atividades de entretenimento e não essenciais devem ser completamente evitadas.
O objetivo do distanciamento social é afastar as pessoas para que a cadeia de infecção seja controlada. Atividades de entretenimento e não essenciais devem ser completamente evitadas.

No momento, não temos nenhuma vacina ou medicamento antiviral para tratar os pacientes com covid-19. “Então, o que tentamos fazer é tentar manter as pessoas afastadas umas das outras e impedir que esse vírus se espalhe de várias maneiras”, disse Georges Benjamin, diretor executivo da Associação Americana de Saúde Pública.

Essas medidas, conhecidas como intervenções não farmacológicas, incluem lavagem das mãos, uso de álcool, desinfetantes nas superfícies e o distanciamento social.

“Sabemos que, pelo menos para esta doença como está acontecendo até agora, todo paciente que está doente pode infectar de 2 a 4 pessoas, em média”, disse Benjamin. O objetivo, então, é tentar quebrar esse ciclo. “Isso inclui um conceito mais agressivo de distanciamento social”.

Para pessoas que já foram expostas ao vírus e estão com sintomas da doença, no entanto, a situação é mais restrita: é necessária uma quarentena. Ou seja, ter o mínimo de contato possível com outras pessoas.

Para o resto de nós, que não estão doentes, devemos nos afastar o máximo possível de outras pessoas. Como a maioria das pessoas não foi testada para o vírus, não há como saber quem está potencialmente infectado. “Em alguns casos, existem pessoas por aí que parecem perfeitamente bem, mas podem ser infecciosas”, disse Benjamin.

A ideia do distanciamento social é afastar todas as pessoas para que a cadeia de infecção seja quebrada.

“Muitas de nossos eventos são importantes, mas não essenciais”, disse Benjamin. Portanto, tenha bom senso em relação a que tipo de evento ou compromisso você deve continuar frequentando.

E se você está se perguntando o que é considerado essencial ou importante, aqui estão as respostas para algumas dessas perguntas

1. É permitido fazer voos domésticos?

As viagens internacionais estão praticamente suspensas, já que boa parte dos destinos tradicionais de turismo estão sofrendo os impactos da epidemia. Mas e se você precisar voar internamente por motivos profissionais ou pessoais?

Para decidir se deve ou não ir, é melhor se fazer algumas perguntas.

Primeiro, considere o quão essencial é a sua viagem. É importante pesquisar o número de casos de infecção nas cidades que você pretende visitar.

Depois, veja se você faz parte de um grupo de risco - ou seja, se você é idoso ou possui o sistema imunológico comprometido por outra doença.

Caso não, faça uma lista mental das pessoas que voê encontraria, e se você cruzaria com alguém de alto risco.

E se você decidir viajar, leve um álcool em gel e tome as devidas precauções de higiene.

2. Devo parar de usar o transporte público?

Se o seu empregador não instituiu uma política de trabalho remoto ou se você realmente precisa se deslocar pela cidade para realizar tarefas, o transporte coletivo pode ser outra situação complicada. Mas para muitas pessoas, não há outra opção.

Por isso, tente manter o máximo de distância possível das outras pessoas. Um metro é a distância ideal. Também ajuda se você puder se deslocar fora do horário de pico. Ainda, minimize o seu contato com as superfícies no transporte público, como bancos e corrimões. Leve lenços e álcool em gel para as mãos.

E embora possa ser difícil de se lembrar, não cumprimente as outras pessoas com apertos de mão.

3. É seguro ir ao supermercado ou farmácia?

Estar em auto-isolamento, caso você esteja saudável, não quer dizer que você vai parar a sua vida por completo. É óbvio que você precisa de comida e de remédios, não há como evitar.

No entanto, se você tem mais de 60 anos ou apresenta os sintomas do covid-19, considere pedir que alguém faça esses tipos de tarefas para você. Outros tipos de atividade, como ir ao posto de gasolina, também podem ser essenciais. Mas a sua manicure pode realmente esperar.

4. Eu posso continuar frequentando restaurantes, ir ao cinema e etc.?

Considerando que o objetivo agora é limitar nossa exposição a grandes multidões e lugares onde muitas pessoas se reúnem, atividades de entretenimento e não essenciais devem ser suspensas.

Cinemas, museus, bibliotecas e jogos de futebol - todos têm um grande número de pessoas e já se tornaram alvo de decreto do governo.

Mas se você quer fomentar o comércio local do seu bairro, por exemplo, pense em algumas alternativas para que o seu restaurante preferido não sofra tanto com a crise. Apesar de ser passageira, a queda no consumo por conta do coronavírus pode colocar muitos empresários em situações de risco.

5. Ainda posso frequentar a academia?

Se você tem uma rotina de exercícios físicos que gostaria de seguir, pode se perguntar se a sua academia é um espaço realmente seguro. Afinal, é fácil pensar que quem pratica atividade física e está naquele ambiente deve estar saudável.

A atividade física é, sim, um fator super importante para a nossa saúde. No entanto, no momento em que nos encontramos, um local em que há muitas pessoas expelindo secreções em um ambiente fechado não é o mais convidativo.

Novamente, se faça algumas perguntas: O quão essencial é frequentar a academia? Você consegue manter uma rotina de exercícios em outros ambientes? O que a sua academia está fazendo como medida de prevenção ao contágio? Você apresenta sintomas da doença?

6. Como eu devo lidar com as atividades dos meus filhos? As festas de aniversário são seguras?

Novamente, as pessoas precisam tomar uma decisão com base no risco de contaminação no que diz respeito às atividades das crianças.

Talvez, uma reunião com os amigos na praça perto de casa pode ser uma boa ideia. Mas será que uma festa infantil para mais de 100 convidado seria uma negligência à saúde dos presentes?

Até o momento, são poucos os casos de crianças que adoeceram por conta do coronavírus. Mas, como todos os pais e mães já conhecem das temporadas de gripe, os pequenos tendem a espalhar vírus facilmente para os pais, avós e outras pessoas na casa.

Peça ajuda dos vizinhos e da sua comunidade caso tenha dificuldades de ocupar as crianças. Uma dica, que pode ajudar, é manter o hábito de ter uma rotina, mesmo com toda a família em casa.

Pegue um papel e peça para as crianças ajudarem. Estabeleça horários de estudos, de brincadeiras, de tarefas domésticas, de leitura e de televisão. Explique a situação do vírus e peça ajuda dos pequenos. Tentar incluí-los nas decisões é sempre uma boa estratégia.

9. O quão à sério eu devo levar todo esse discurso sobre o isolamento social?

As medidas de restrição à exposição do vírus são urgentes. E é a ciência que explica isso.

Não temos os medicamentos e nem as vacinas para o combate do novo coronavírus, então, o único jeito é realmente tentar achatar a curva para que nem todas as pessoas infectadas adoeçam ao mesmo tempo. Se a maioria da população conseguir se manter saudável, vai ajudar ao nosso sistema de saúde a não entrar em colapso.

Por mais frustrante que seja ter que interromper alguns planos e mudar o nosso estilo de vida, a verdade é que todos nós precisamos abdicar de alguma coisa se quisermos nos proteger dessa epidemia. Não é um momento fácil, e está longe de acabar.

De acordo com os especialistas, o pico de contaminação deve acontecer nas próximas 2 a 3 semanas. E as consequências econômicas dessa crise ainda estão nebulosas.

Com tanta incerteza em relação a uma doença que se espalha rapidamente e tem o potencial de matar pacientes de risco, você pode se sentir sobrecarregado e exausto.

Tente conversar com os seus familiares e amigos, mesmo em isolamento social. Faça uso das redes sociais e tecnologias para se manter próximo, mesmo que distante, das pessoas que te fazem bem.

Se necessário, se desligue do noticiário um pouco. É óbvio que todos nós temos responsabilidade sobre o coronavírus. Mas nenhum de nós é responsável sozinho. A verdade é que vamos precisar de um pouco mais de tempo, e não de pânico, para construirmos respostas coletivas à essa crise, sempre levando em conta as informações de qualidade e os dados científicos sobre a doença.

(Com informações do HuffPost US.)