MULHERES
04/04/2019 18:12 -03

'Purl', o curta da Pixar que explica os efeitos da masculinidade tóxica no trabalho

Curta traz a história de um novelo de lã que abre mão de sua personalidade pra se encaixar nos padrões.

Reprodução/Pixar/Montagem/HuffPost Brasil

O nome dela é Purl. Ela é um novelo de lã cor-de-rosa. Com simpatia, animação e muito interesse, ela dá início ao seu primeiro dia de trabalho em uma nova empresa. Como funcionária da startup fictícia B.R.O, ela cria estratégias para ser vista, aceita e respeitada em um ambiente majoritariamente masculino. 

Esta é a história de Purl, a nova animação da Pixar que, em apenas 9 minutos,  retrata de forma lúdica e educativa quais são os efeitos da masculinidade tóxica e da falta de diversidade no ambiente corporativo e no mercado de trabalho.

Dirigido por Kristen Lester e a produzido por Gillian Libbert-Duncan, o curta foi lançado no YouTube e é o primeiro do estúdio que foi distribuído inicialmente na internet, como resultado do projeto SparkShorts, que prioriza novos talentos.

Durante o expediente, a pequena Purl ― único novelo de lã entre os homens brancos e de terno ― se depara com a exclusão, portas (literalmente) fechadas, interrupções constantes e, então, é forçada a se adaptar para ser vista, ouvida e reconhecida. Ela se “auto-tricota” como um terno e conquista respeito.

Assista abaixo:

Em entrevista ao canal Meet the Filmmakers — que também pertence à Pixar ― Lester contou que o curta é baseado em sua primeira experiência como animadora profissional.

“Eu era a única mulher na sala, e assim, para fazer o que eu mais amava, eu meio que me tornei ‘um dos caras’. E então eu comecei a trabalhar na Pixar com equipes femininas pela primeira vez, e isso realmente me fez perceber quanto do meu aspecto próprio eu tinha deixado para trás”.

A realidade

Em detrimento do movimento #MeToo e outros casos de assédio que vieram a público, no ano passado, o estado de Nova York e a prefeitura da Cidade de Nova York aprovaram, conjuntamente, leis que endurecem o combate ao assédio no ambiente de trabalho. Uma das especificidades é um treinamento sobre o tema, que pode ser feito presencialmente ou virtualmente.

Dentro da realidade brasileira, quatro em cada dez mulheres (42%) já sofreram assédio sexual. Entre adolescentes e jovens, o número é ainda mais: 56% já foram assediadas nas ruas, transporte público, no trabalho, na escola ou faculdade e até em casa, aponta levantamento recente do Datafolha.

O curta foi produzido após a saída do produtor, John Lasseter, de 61 anos, que foi acusado de assédio e conduta imprópria no ambiente de trabalho no ano passado. Ele é um dos fundadores da Pixar.

À época, funcionários relataram que se sentiam constantemente “desrespeitados e desconfortáveis” com a postura dele, que era considerado o homem mais poderoso e influente da animação nos Estados Unidos.

A Disney/Pixar informou que mais projetos como este, feitos pela iniciativa SparkShorts serão lançados ao longo de 2019. No Oscar deste ano, o curta Bao venceu na categoria de Melhor Curta-Metragem.