Por que eu solto tanto pum?

Problema está muito longe de ser “engraçado” ou “falta de educação” de algumas pessoas.
<i>Meteorismo &eacute; o&nbsp;nome cient&iacute;fico do ac&uacute;mulo de gases no intestino ou abdome.</i>
Meteorismo é o nome científico do acúmulo de gases no intestino ou abdome.

Soltar pum em excesso não é sinônimo de falta de educação ou algo que as pessoas fazem para chamar a atenção e serem “engraçadinhas”. Pode ser doença e, como tal, merece ser diagnosticada e tratada com seriedade.

O alerta é feito por Carlos de Barros Mott, professor de gastroenterologia da USP (Universidade de São Paulo).

Em entrevista ao HuffPost Brasil, o médico afirmou que são diversas as causas que levam um indivíduo a soltar muito pum, incluindo ansiedade.

“A pessoa engole mais ar quando está mais angustiada, mais ansiosa. A pessoa ansiosa, além de comer rápido, engole mais vezes a saliva do que o normal. Cada engolida de saliva leva junto bastante ar. A pessoa quando está ansiosa tem mais probabilidade de ter excesso de gases do que uma pessoa em seu estado normal”, exemplificou.

Segundo Mott, o meteorismo, nome científico do acúmulo de gases no intestino ou abdome, é causado por duas fontes principais: ar deglutido ou decomposição dos alimentos.

“O ar entra pela boca, passa pelo esôfago e vai até o estômago. Lá, tem duas possibilidades: ou segue para o intestino e é eliminado por baixo, que é o pum, ou volta na contramão, aí sai o arroto. Já o gás que resulta da decomposição do alimento, a pessoa só expele como pum”, explicou.

Em relação aos alimentos, o gastroenterologista informou que há dois grupos principais que podem ser apontados como maiores causadores do excesso de gases e, consequentemente, formação de puns no organismo de algumas pessoas.

“O primeiro grupo é das leguminosas, formado por feijão, grão de bico, lentilha, ervilha, milho e soja. O segundo é formado por couve, couve-flor, brócolis e repolho. Além disso, bebidas gaseificadas, leite em excesso e doces concentrados, principalmente em calda, também liberam mais gases do que os alimentos normais”, diz.

Ansiedade e tabagismo

Não são apenas determinados alimentos que recebem o rótulo de “vilões” quando o assunto é o excesso de gases no organismo. O especialista ressalta que há outros fatores que podem contribuir para uma pessoa soltar mais ou menos puns do que as demais.

“A pessoa que respira pela boca, principalmente durante o sono, que tem obstrução das vias aéreas superiores, rinite (fechamento da narina por manifestação alérgica) ou desvio de septo muito grande tem maior propensão a ter excesso de gases, pois tem que respirar pela boca”, diz.

Segundo ele, quem é fumante também tem maior propensão a esse problema, pois cada tragada faz o indivíduo engolir muito ar. “Comum quem fuma um maço ou mais chegar ao fim do dia com excesso de gases, mais estufado. Cada tragada coloca mais ar para dentro.”

Dicas para diminuir o desconforto

Segundo o especialista, há algumas atitudes que podem ser tomadas, com ou sem o auxílio de medicações, que tendem a reduzir bastante o incômodo causado pelo excesso de gases no organismo.

Vamos a elas:

  • Comer devagar, “com paz de espírito e tranquilidade”;
  • Diminuir o grau de ansiedade, às vezes com o uso de um ansiolítico (sempre com receita médica);
  • Uso de antifiséticos, como Luftal (também com orientação médica);
  • Não exagerar na ingestão de alimentos que sabidamente liberam mais gases.

A última dica do doutor Carlos Mott foi direcionada especificamente a quem sofre com prisão de ventre, o popular intestino preso.

“Quando o gás vai para o intestino, tem que ultrapassar as fezes, mas não consegue, pois é um corpo sólido. Isso dá um desconforto ainda maior, que é chamado de estufamento abdominal. Se o indivíduo tiver intestino preso, primeiro precisa tratar isso”, finalizou.