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12/10/2019 16:46 -03 | Atualizado 12/10/2019 20:00 -03

Com PSL em crise, Onyx diz que direita precisa superar divergências

Essa semana, o presidente Jair Bolsonaro e o comandante do PSL, Luciano Bivar, protagonizaram desentendimentos que podem rachar de vez o partido.

Foto: Comunicação CPAC
Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e deputado Eduardo Bolsonaro no CPAC Brasil

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, apareceu de surpresa na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) Brasil, que acontece entre esta sexta-feira (11) e sábado (12), em São Paulo, para dar um recado: a direita precisa superar as divergências para não perder a oportunidade de mudar o País.  

“Temos que tentar nos unir superando divergências. Pelo amor de Deus, temos a chance de nossas vidas. Para nunca mais permitir que essa gente [a esquerda] volte e faça o que eles fizeram”, afirmou em um discurso emocionado, ao longo do qual chorou por duas vezes. 

A fala ocorre no momento que o PSL enfrenta mais uma crise interna, mas essa, a maior de todas, protagonizada pelo presidente Jair Bolsonaro e o comandante da legenda, Luciano Bivar. Nessa disputa, há possibilidade de um racha entre os núcleos

“Eles [a esquerda] dominaram esse país durante anos a fio. Pela primeira vez a direita brasileira tem a chance de escrever a história do Brasil. O Chile teve quatro ou cinco governos de esquerda e não mudaram os fundamentos do que fizeram lá atrás”, declarou e a plateia gritou: “Viva Pinochet!”. 

Meio ambiente

Onyx evitou comentar dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que apontaram aumento do desmatamento. “Precisamos ter prudência com esses números, porque senão a imprensa brasileira ajuda ONGs com viés esquerdista lá na Europa a dizer: não coma carne brasileira, não compre o produto brasileiro. O Brasil é o País que mais preservou suas florestas nativas. Quem está mais perto de cumprir o Acordo de Paris? A França ou o Brasil? Qual país europeu pode nos mostrar florestas nativas preservadas? Nenhum”, destacou. 

Também presente de surpresa, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não respondeu ao HuffPost quando questionado sobre os dados. 

Em sua explanação no palco do CPAC essa manhã, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, defendeu uma nova discussão do ritmo do aquecimento global que, segundo ele, está equivocada.

“Pouca gente sabe, por exemplo, que o ritmo natural do aquecimento, desde o final dos anos 70 é de 0,13ºC por década e que somado ao aquecimento que existe hoje, do começo da idade industrial projetada até o final do século, daria um aquecimento de aproximadamente de 1,9ºC até o final do século XX”, afirmou ao participar.

Foto: Débora Álvares
Ministro do Itamaraty, Ernesto Araújo, é tietado no CPAC Brasil

Segundo o chanceler, assim como “a globalização é um fenômeno econômico que foi capturado por uma ideologia”, a mudança climática também. Ele fez a comparação ao destacar que o climatismo se tornou um pretexto para debater intervenção na economia. 

Ressaltou ainda que o Brasil é responsável pela emissão de apenas 2% a 3% das emissões de gás carbônico do mundo, enquanto à China cabem cerca de 25% do total. 

No mês passado, cientistas climáticos da ONU (Organização das Nações Unidas) alertaram que, se as emissões de gases do efeito estufa não forem cortadas, o mundo terá que enfrentar uma realidade de cidades sendo engolidas pela elevação dos mares, de rios secando e da falência da vida marítima.

″Falando nessa menina Greta, recebi uma foto de uma menina venezuelana que tem 14 anos e pesa 14 quilos. Já a Greta é bem alimentada, bem nutrida e bem recebida pela ONU, a mesma ONU que não faz nada por essa menina. Eu é que pergunto: how dare you”, referindo-se a frase dita pela jovem na Cúpula do Clima na ONU, quando criticava a falta de ação dos países no combate ao aquecimento global.

Economia

O ministro Onyx Lorenzoni também comentou a resposta dos EUA à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em que não houve menção ao Brasil para inclusão no bloco e apoio à Argentina e Romênia. 

“Os EUA continuam apoiando a entrada do Brasil, só que tem uma questão temporal. A Argentina pediu acessão em 2016, e o Brasil, só em 2017. O governo americano está apenas respeitando essa ordem. Dos 254 itens o Brasil já tem o reconhecimento de 82. Nós vamos cumprindo todas as etapas. Vai chegar um momento em que, pelo tamanho da economia brasileira, a própria OCDE vai se preocupar em nos ter.”