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18/10/2019 15:53 -03

PSL suspende 5 deputados ligados a Bolsonaro e aumenta poder do presidente do partido

Estão com as funções partidárias suspensas as deputadas Carla Zambelli (SP) e Alê Silva (MG), e os deputados Filipe Barros (PR), Carlos Jordy (RJ) e Bibo Nunes (RJ).

Adriano Machado / Reuters

Em um novo episódio na guerra interna do PSL, a ala favorável ao presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PSL-PE), aumentou nesta sexta-feira seu poder partidário ao ampliar o número de delegados com direito a voto e suspender cinco deputados ligados ao presidente Jair Bolsonaro, impedindo que possam assinar listas para alterar a liderança da legenda.

Segundo participantes de reunião na sede do partido em Brasília nesta sexta-feira, foram eleitos novos delegados com direito a voto na convenção da legenda a ser realizada em novembro, elevando o número de 101 convencionais para 153, o que amplia a força política de Bivar na sigla.

“Alcançamos quórum para a votação com a maioria absoluta”, afirmou o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP). “Houve apresentação de uma chapa única para completar quadros na Convenção Nacional”.

“Não temos pressa com nada e nem para praticar injustiça”, disse Olimpio. “Temos cinco parlamentares que tiveram suspensão decretada pela Executiva.”

Os efeitos da suspensão, segundo o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), são imediatos, mas será garantido o devido processo aos deputados, com direito de defesa e possibilidade de recursos.

Ainda assim, ficam já com as funções partidárias suspensas as deputadas Carla Zambelli (SP) e Alê Silva (MG), e os deputados Filipe Barros (PR), Carlos Jordy (RJ) e Bibo Nunes (RJ). Com a decisão, os cinco parlamentares não poderão, por exemplo, participarem de comissões, o que os atrapalha a exercer seus mandatos.

Também ficarão impedidos de assinar listas partidárias, como as utilizadas no decorrer desta semana para tentar destituir Waldir da liderança e colocar o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente da República, no cargo.

“Existe vasto material probatório, não está sendo uma punição”, argumentou Waldir sobre as suspensões, acrescentando que as provas apontam ataques desses parlamentares ao partido e ao presidente da sigla.

A suspensão ocorre em meio à disputa aberta na legenda entre Bivar e Bolsonaro, que extravasou para a bancada parlamentar da sigla e culminou com a guerra de listas entre bolsonaristas, que buscavam colocar Eduardo na liderança, e bivaristas, que conseguiram manter o atual líder no posto.

Waldir disse a jornalistas, após anunciar as suspensões dos deputados, que a disputa interna na legenda deve-se a uma tentativa de Bolsonaro de controlar as finanças do partido de olho nas eleições municipais do ano que vem.

“A conduta do presidente da República pela busca da chave do cofre do partido, e ele fez isso atacando inicialmente o nosso presidente, tentando enfraquecer o presidente Luciano Bivar, para dessa forma tomar o controle ―no próximo ano tem eleições― e ele queria o controle total de todos os diretórios do país”, afirmou.

A temperatura no PSL começou a subir a partir de denúncias de irregularidades em campanhas do partido, mas escalou na semana passada a um outro patamar quando Bolsonaro sugeriu a um simpatizante que esquecesse a sigla. Também afirmou que o presidente da legenda estava “queimado”.

Nesta semana, em meio a questionamentos sobre transparência dos gastos de campanhas, Bivar foi alvo de operação da Polícia Federal, e o racha no partido ficou mais evidente.

Questionado se considerava que Bolsonaro deveria deixar o partido, Waldir afirmou que isso “é decisão dele”, e que não poderia responder por Bolsonaro.

No Planalto, evita-se comentar eventual saída do presidente, mas o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, chegou a afirmar que a situação era avaliada dia a dia. O próprio Bolsonaro já declarou que todo casamento está sujeito a divórcio.

Olimpio, por sua vez, disse que um gesto de reaproximação

com o PSL precisa partir de Bolsonaro e que Bivar não irá procurar o presidente da República para abrir um diálogo sobre a guerra dentro da legenda.

“O gesto de reaproximação tem que vir do presidente Bolsonaro com o partido, o partido que é dele”, disse Olimpio a jornalistas após a reunião, acrescentando que Bolsonaro teria sido “insuflado” a agir da maneira que agiu.

“O partido está dizendo ‘não fizemos nada de errado’. O presidente é muito bem-vindo, mas nós precisamos ter o gesto.”

Bolsonaro teria se envolvido diretamente na disputa pela liderança do PSL para tentar emplacar o filho, de acordo com falas atribuídas ao presidente com parlamentares, mas não alcançou número mínimo exigido de assinaturas válidas.

Para Olimpio, o “caça-caça” de assinaturas para as listas “só serve para aumentar a temperatura, que não está baixa”.

O senador disse ainda que a Executiva do partido se reunirá com Bivar na segunda-feira, e deve anunciar no dia seguinte mudanças em Executivas estaduais e na Executiva Nacional. As discussões, que devem tomar o fim de semana, incluem as direções partidárias no Rio de Janeiro e em São Paulo, comandadas pelos filhos de Bolsonaro Flávio e Eduardo, respectivamente.