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19/10/2019 17:27 -03

Twitter vira campo de batalha entre Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann

Hashtag #DeixeDeSeguirAPepa foi encampada pelos bolsonaristas para enfraquecer a ex-líder do governo, que respondeu aos ataques e até chamou o filho do presidente de "moleque inconsequente".

Reprodução/Facebook/@joicehasselmann
Deputados federais Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann em dezembro de 2018, antes de Jair Bolsonaro tomar posse.

As redes sociais que ajudaram a eleger Jair Bolsonaro e boa parte de seu núcleo político agora servem de ringue para a guerra que se instaurou no PSL. Antes aliados, o filho 03 do presidente, Eduardo, e a ex-líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, trocam ironias e agressões e ampliam ainda mais o clima de tensão. 

A hashtag #DeixeDeSeguirAPepa ocupou por todo o sábado (19) os primeiros lugares na lista de trending topics no Twitter em referência à deputada que se tornou adversária dos bolsonaristas. Uma tentativa de desgastar a antiga aliada.

Chamada de “traidora”, “falsa”, entre outras coisas, Joice Hasselmann respondeu alguns comentários, especialmente aqueles que vinham de Eduardo, mas também do grupo que agora é ligado ao presidente Jair Bolsonaro. Em um post no Facebook, elevou o tom ao máximo e chegou a chamou o 03 de “moleque inconsequente”. 

Até quinta (17) líder do governo no Congresso, a parlamentar soube de sua destituição do cargo pelo noticiário. Mas caiu atirando. Chamou o presidente de “ingrato” e o filho 03 de “menino” que só consegue as coisas ”às sombras do pai”. 

Em entrevistas entre quinta e sexta, afirmou que a maturidade emocional de Jair Bolsonaro é “menos 20”. Criticou o mandatário também por ter se envolvido pessoalmente numa disputa partidária, afirmando que isso o minimiza. 

A resposta não tardou. Do lado pesselista que defende Bolsonaro, logo se tratou de fazer uma nota de R$ 3, uma ironia ao caráter de Joice Hasselmann. A imagem foi usada por Eduardo Bolsonaro. 

Campo de batalha 

A disputa interna no PSL tem ocupado o noticiário e aberto vários capítulos em uma novela que promete ainda, pelo menos, algumas semanas de acontecimentos. 

Desde que teve início público, semana passada, com o vídeo em que Jair Bolsonaro diz que o presidente do partido, Luciano Bivar, “está queimado pra caramba”, o racha na legenda tem dado sinais de que não tem espaço para reconciliação. 

Há retaliações por todos os lados, e a retirada de Joice da liderança do governo, foi apenas uma delas. 

Do lado do grupo que apoia Bivar, até o momento com o comando do PSL, tem-se retirado parlamentares de comissões e cargos. Na sexta (18), cinco deputados bolsonaristas foram suspensos de suas atividades parlamentares: Carla Zambelli (SP), Alê Silva (MG), Filipe Barros (PR), Carlos Jordy (RJ) e Bibo Nunes (RJ). 

Para a semana, a Executiva Nacional espera conseguir retirar das mãos de dois filhos de Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo, os diretórios estaduais, respectivamente, do Rio de Janeiro e de São Paulo. 

Em contrapartida, na última semana, viu-se uma corrida para tentar colocar Eduardo Bolsonaro no lugar do Delegado Waldir (GO) na liderança do PSL na Câmara. O grupo não desistiu. Voltará a apresentar a mesma lista, agora com as assinaturas corretas - ao conferir as rubricas dos deputados, a Secretaria Geral da Mesa da Casa notou que pelo menos uma, da deputada Bia Kicis, fiel escudeira do presidente, não batia com o que está registrado nos documentos oficiais. 

Além disso, há ameaça de ações judiciais que podem expor feridas na legenda. Controlado por Bivar desde 1994, o PSL era um partido nanico até o boom trazido com a onda bolsonarista, quando viu os cofres da legenda multiplicarem de tamanho - em quatro anos, saltaram de R$ 39 milhões (recebidos entre 2015 e 2018), para R$ 737 milhões (previsão de 2019 a 2022). 

Nos bastidores, diz-se que por trás de toda a briga está uma luta pelo comando do partido. Bivar não quer abrir mão da legenda que criou e dirige há 25 anos. Bolsonaro, por sua vez, que mandar no dinheiro que sua popularidade ajudou a levar aos cofres. Quer ter o poder de ele próprio indicar os nomes que acha melhor para as prefeituras das capitais no ano que vem. Uma briga de poder. Mais uma.