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18/10/2019 12:48 -03 | Atualizado 18/10/2019 18:40 -03

Crise no PSL esfria indicação de Eduardo para embaixada nos EUA

"Se com a ajuda do presidente, do palácio, ele não conseguiu virar líder de um partido, qual a força que terá para ser embaixador?", questiona a deputada Joice Hasselmann.

Adriano Machado / Reuters

Há uma semana, depois que a crise no PSL já estava instalada, o presidente Jair Bolsonaro comentou com pessoas próximas que não iria “submeter o menino a esse constrangimento”. O menino e o constrangimento, no caso, se referem ao processo de indicação do filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), à embaixada nos Estados Unidos, que inclui sabatina e votação no Senado. 

A fala, segundo interlocutores do presidente ouvidos pelo HuffPost, significa recuo. “Mas ele não vai dar o braço a torcer publicamente”, disse uma fonte.

Enquanto isso, o trabalho na embaixada em Washington, cargo mais desejado pela diplomacia brasileira, continua sendo exercido por Nestor Forster. Atualmente, ele ocupa o posto de encarregado de negócios, mas já foi cotado como favorito para ser o embaixador. Forster era, inclusive, a escolha do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Em “banho-maria” há pelo menos três meses, a indicação de Eduardo sofreu revés definitivo com a crise debelada pelo próprio pai no PSL desde a última semana. Senadores passaram a avaliar a sua aprovação, que mesmo entre aliados já era vista como “incógnita”, como difícil.

Já no fim de semana, quando Eduardo Bolsonaro brilhou na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), seus assessores afirmaram ao HuffPost que seus processo para chegar a Washington estava travado.

O balde de água fria veio na quarta (16), quando Jair Bolsonaro liderou uma operação para derrubar o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), e substituí-lo pelo filho 03. Porém, nem com a intervenção do presidente, houve maioria.

No Congresso, a análise é de que a ingerência mal-sucedida não só expôs Bolsonaro, fragilizando-o politicamente mais ainda, como derrubou de vez as chances do filho de se alçar ao tão desejado cargo em Washington.

Ex-líder de governo do PSL, a deputada Joice Hasselmann (SP) corrobora a análise que circula nos corredores do Congresso. “Eduardo não conseguiu mostrar força sequer para se tornar líder de um partido, ainda que a estrutura do palácio tenha sido usada chamando alguns deputado. Se com a ajuda do presidente, do palácio, ele não conseguiu virar líder de um partido, qual a força que terá para ser embaixador? Claro que política muda todo dia. Pode ser que amanhã as coisas mudem. Pode ser que amanhã, mas ele saiu bastante enfraquecido dessa disputa”, afirmou a deputada.