LGBT
01/10/2020 17:54 -03

Time de futebol dos EUA abandona jogo em protesto por ofensa homofóbica

Jogadores do San Diego voltaram para o segundo tempo mas, em um ato de protesto, se ajoelharam e deixaram o campo.

O San Diego Loyal, time de futebol norte-americano, abandonou a partida contra o Phoenix Rising, pelo campeonato da USL (Liga Unida de Futebol, em tradução livre), após ofensa homofóbica ser direcionada ao jogador Collin Martin que, em 2018, assumiu sua homossexualidade publicamente.

De acordo com jornais norte-americanos, o jogador Junior Flemmings, do time adversário, foi o responsável pelo insulto. A ofensa ocorreu no fim do primeiro tempo - quando o Loyal liderava a partida por 3 x 1 -  e gerou confusão entre as equipes.

O técnico do Loyal, Landon Donavan chegou a invadir o campo para tirar satisfações com a arbitragem. A reação acalorada de Collin no momento fez com que ele fosse expulso de campo. Porém, a pressão dos colegas de time fez o árbitro retirar o cartão vermelho.

Jogadores do San Diego voltaram para o segundo tempo mas, em um ato de protesto, se ajoelharam e deixaram o campo.

O meio-campista do Rising Junior Flemmings disse, em seu perfil no Twitter, que as acusações eram falsas. “Em nenhum momento eu disse uma ofensa homofóbica contra Collin Martin. Eu não conheço Collin pessoalmente, mas eu respeito todos os meus oponentes igualmente, Collin incluído”, declarou Flemmings. “Sou solidário com o movimento LGBTQ+.”

Em vídeo divulgado pelo Loyal, Donavan conta que Collin denunciou o insulto ao quarto árbitro. Ao ouvir a reclamação de seu atleta, o treinador se revoltou e partiu para a discussão. Além disso, o comandante relata que a atitude de seu time deve-se também a uma ofensa racista ao defensor Elijah Martin.

“Passamos por um incidente muito difícil na semana passada e prometemos a nós mesmos, à nossa comunidade, aos nossos jogadores, ao clube, à USL que não toleraríamos preconceito, ofensas homofóbicas, coisas que não pertencem ao nosso esporte”, afirmou o treinador Landon Donovan.

USA TODAY USPW / Reuters
O meio-campista do Minnesota United, Ethan Finlay (13), comemora com o meio-campista Collin Martin (17).

Na semana passada, o Loyal reclamou em uma partida contra o LA Galaxy II de uma injúria racial contra o meio-campista Elijah Martin por Omar Ontiveros, que desde então foi suspenso pela liga. O Galaxy anunciou depois a saída do jogador em um acordo mútuo.

“Na semana passada, nosso único arrependimento foi que deveríamos ter feito algo no momento em que Elijah foi ofendido racialmente. Lamentamos isso. Eu gostaria de ter feito algo.”

A USL, que é a competição de segundo nível no país abaixo da Major League Soccer, disse que estava ciente do incidente e investigaria o assunto.

Reações que se traduzem em protestos contra a homofobia, racismo e contra autoridades têm sido comuns no ambiente esportivo ao redor do mundo.

Contaminados pela onda de manifestações que explodiram após o assassinato de George Floyd, jogadores da NBA (National Basketball Association), liga de basquete norte-americana, realizaram minutos de silêncio pelas mortes, ergueram seus punhos antes de entrar em quadra, e usaram elementos que diziam “black lives matter” em seus uniformes. Eles foram apoiados pela organização, que potencializou as manifestações dos atletas.

No futebol, há três semanas, em uma partida entre o Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain, na França, o brasileiro Neymar acertou um tapa em Álvaro González e foi expulso de campo. O atacante, que atua pela equipe parisiense, alegou ter sido chamado de “macaco filho da p…” pelo defensor espanhol. 

Nesta quarta-feira (30), a LFP (Liga de Futebol Profissional), que organiza o Campeonato Francês, optou por não punir nenhum dos jogadores “por falta de provas”. 

Já no Brasil, a jogadora de vôlei de praia Carol Solberg, 33 anos, ganhou holofotes inesperados após protestar contra o presidente Jair Bolsonaro. 

Em uma entrevista no fim de jogo, ela gritou “só para não esquecer: fora, Bolsonaro!”. O ato, que viralizou nas redes sociais e gerou não só uma nota de repúdio da CBV (Confederação Brasileira de Voleibol), mas também forte reação dos apoiadores do presidente. 

Nesta semana, a procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) denunciou Carol ao tribunal com base em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

A denúncia pede que ela seja condenada pela penalidade máxima em cada um dos dois artigos nos quais ela foi denunciada. Assim, a atleta pode levar uma multa de R$ 100 mil e seis torneios de suspensão.

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