MULHERES
17/02/2020 13:16 -03 | Atualizado 17/02/2020 13:20 -03

O grito das mexicanas pelo fim dos feminicídios no país em 21 imagens

Segundo dados oficiais, uma média de 10 mulheres são assassinadas diariamente no México. Em 2019, houve o maior número de crimes contra mulheres em três décadas.

ASSOCIATED PRESS
Mulheres se reuniram pelas ruas de Ciudad Juarez, no México, no último sábado (15), para protestar contra a violência contra a mulher no país.

Para protestar contra os altos índices de feminicídio e, em especial, pelo crime brutal contra Ingrid Escamilla - que, mutilada pelo companheiro, teve imagens de seu corpo divulgadas por tabloides no país -, centenas de mulheres vestidas de preto tomaram as ruas do México neste fim de semana. 

Frases como “México feminicida”, “estado assassino” e “estão nos matando” estavam escritas em cartazes durante a manifestação. Algumas delas foram pixadas tanto no chão do icônico Zócalo, a praça principal da Cidade do México, e também nos portões e paredes da sede do governo onde o atual presidente do país, Andrés Manuel López Obrador e sua família, vivem.

Durante um dos protestos realizado no dia 14, López Obrador recebeu algumas manifestantes. Segundo a AFP, o presidente afirmou que “não está se esquivando da responsabilidade” de combater estes crimes. O chefe de Estado garantiu à elas que, em seu governo, haverá sereva “punição para os responsáveis” por perpetuar a violência contra as mulheres.

De acordo com a agência de notícias Reuters, as manifestantes estavam acompanhadas por parentes de vítimas da crescente onda de feminicídios no país, e expressaram indignação durante caminhada. Além disso, fizeram rituais coletivos, acenderam velas, fogueiras e entoaram palavras de ordem. 

Isso nos enche de indignação e raiva.Lilia Florencio, manifestante mexicana
ASSOCIATED PRESS
Mulheres seguram cartazes com imagens de vítimas de feminicídio no México, incluindo Ingrid Escamilla (faixa presa na parede), na frente do em que ela foi assassinada e mutilada, na Cidade do México.

“Isso nos enche de indignação e raiva”, disse Lilia Florencio, uma manifestante, à Reuters. “Não é apenas Ingrid, existem milhares de feminicídios”, disse a mulher, que contou à agência que sua filha foi encontrada morta em 2017. 

Desde o final de 2019 o México foi tomado por protestos que pediam “nenhuma morte a mais”, em alusão ao movimento argentino Ni Una Menos.

Os assassinatos de mulheres cresceram 137% nos últimos cinco anos. Segundo dados oficiais, uma média de 10 mulheres são assassinadas diariamente no país latino-americano.

Em 2018, México registrou 898 casos de feminicídio para cada 100 mil mulheres. Índice é um dos maiores entre vizinhos da América Latina e Caribe, atrás apenas do Brasil. Já em 2019, houve o maior número de crimes contra mulheres em três décadas; o país registrou 1.006 vítimas de feminicídio ― números que, devido à subnotificação, podem ser maiores.

O crime mais recente que chocou o país foi o assassinato de Ingrid Escamilla. Em 9 de fevereiro, a jovem de 25 anos foi esfaqueada e teve seu corpo mutilado. Erick Francisco, parceiro de Escamilla, confessou o crime e foi preso. Em seguida, tabloides divulgaram imagens do corpo da vítima - o que causou indignação e inflamou o movimento de mulheres no país.

Segundo o jornal mexicano Excelsior, Jesús Peña Palacios, vice-representante do Alto Comissariado das ONU, condenou o assassinato da jovem e lamentou o tratamento dado por alguns meios de comunicação ao assassinato.

Abaixo, veja imagens dos protestos que tomaram o México nos últimos dias:

  • 21
    Pacific Press via Getty Images
    Mulheres durante aglomeração na Cidade do México. 
  • 20
    Cristopher Rogel Blanquet via Getty Images
    Um contingente de mulheres caminha pela Avenida dos Mistérios durante o protesto contra o terrível assassinato de Ingrid Escamilla, de 25 anos, e contra a publicação de fotos de seu cadáver.
  • 19
    ASSOCIATED PRESS
    Uma mensagem escrita à mão em espanhol, "O amor não precisa doer", é colocada entre velas em um altar improvisado no prédio onde Ingrid Escamilla foi morta.
  • 18
    Pacific Press via Getty Images
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
  • 17
    NurPhoto via Getty Images
    "Calam uma, gritamos todas", diz cartaz de manifestante.
  • 16
    NurPhoto via Getty Images
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
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    NurPhoto via Getty Images
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
  • 14
    Pacific Press via Getty Images
    "Sua misoginia seca a minha vagina", diz cartaz de manifestante durante protesto contra feminicídios no México.
  • 13
    Pacific Press via Getty Images
    Manifestantes seguram cartazes com imagens das vítimas mais recentes de feminicídio no México. Segundo dados oficiais, uma média de 10 mulheres são assassinadas diariamente no país latino-americano.
  • 12
    Cristopher Rogel Blanquet via Getty Images
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
  • 11
    Cristopher Rogel Blanquet via Getty Images
    "Justiça para Ingrid", pede manifestante. 
  • 10
    ASSOCIATED PRESS
    Uma vizinha enxuga as lágrimas enquanto observa um grupo de mulheres com flores marchando até o prédio em que Ingrid Escamilla foi morta e mutilada, na Cidade do México.
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    ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
  • 8
    ASSOCIATED PRESS
    "Estado feminicida", diz pixação no portão do Palácio Nacional do México.
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    ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
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    ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
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    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
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    ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
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    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
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    ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.
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    ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes feministas participam de um protesto contra a violência de gênero contra as mulheres após o assassinato de Ingrid Escamilla.