COMPORTAMENTO
21/08/2019 01:00 -03 | Atualizado 21/08/2019 08:09 -03

Educação com afeto: A estudante de pedagogia que transformou a rotina da sala de aula

Vídeo de Tia Cacau, de 19 anos, cumprimentando alunos chegando à classe viralizou.

Reprodução/Facebook
Vídeo de Tia Cacau, como é conhecida a universitária Camila Magalhães, viralizou.

Todos os dias, os alunos do primeiro ano da Escola Centro Educacional Sesi 410, em São José do Rio Preto (SP), precisam de uma senha para entrar na sala de aula. Juntinhos, os pequenos de 5 a 7 anos formam uma fila e esperam o comando.

É nesse momento que a mágica acontece. Recortado em papel colorido, os símbolos de coração, mãos e música ficam ao lado da porta esperando por cada um dos estudantes.

Cabe a eles escolher a recepção: um abraço caloroso, uma dancinha animada ou um “toca aqui” de incentivo para começar mais um dia de rotina nos estudos.

A ideia de transformar a hora da chegada em algo especial partiu da estudante de pedagogia Camila Magalhães. Aos 19 anos, a futura pedagoga auxilia a professora titular Luciana Maria Saura na responsabilidade com a turma.

O vídeo de Tia Cacau, como é conhecida entre os alunos, viralizou.

E, para ela, foi uma grande surpresa a repercussão da cena.

“Eu não postei no intuito de viralizar. Eu sempre faço isso na sala de aula e uma amiga minha me gravou. Não sei muito bem como reagir, só tenho a agradecer as tantas mensagens boas que estou recebendo. As crianças também estão muito apaixonadas”, conta em entrevista ao HuffPost.

A ideia de criar a “senha de acesso” surgiu depois que Camila viu um vídeo de uma professora americana nas redes sociais.

“Eu vi quando ainda estava no ensino médio. Achei legal e guardei aquilo comigo. Pensei: no dia que tiver uma turma, também vou fazer”, conta.

Segundo ela, ser professor é um privilégio porque é “o parâmetro mais lindo de se seguir”. 

“O ato de ensinar, passar o seu conhecimento; isso é ser professor, ser educador. E isso deixa uma marca muito profunda na gente. Ser professora é ter a responsabilidade de mudar a vida de uma criança. Quando eles me abraçam, eles sentem que são meus amigos, sentem o meu amor e que podem contar comigo”, compartilha.

Para Camila, a atitude demonstra o quanto a educação com afeto é revolucionária.

“Qualquer pessoa em contato com o afeto consegue melhora. Para os alunos,  o aprendizado se torna muito melhor. É mais prazeroso fazer parte daquele ambiente”, diz. 

Além da recepção na porta da sala de aula, outra atitude de Camila que faz a diferença no dia a dia é demonstrar para as crianças a importância que elas têm.

“Elas precisam participar. Elas sabem que cada um tem sua voz e que os professores se importam com o que eles pensam. Não é só a gente que pode falar. Isso dá a eles o sentido de que cada um tem um espaço no mundo”, compartilha.

De acordo com Dora Carolina da Silva, diretora da escola, a repercussão do vídeo tem sido uma ótima surpresa. 

“Compartilhamos algumas coisas em nossa página no Facebook, mas nada tinha tido esse alcance”, comenta.

A diretora afirma que a educação com afeto não é algo que se restringe à turma da Tia Cacau.

“Isso é algo que faz parte da rede SESI. Nós acreditamos na pedagogia positiva, aquela que estabelece vínculo afetivo para que a aprendizagem aconteça”, explica.  

Agora, Camila, que foi estudante da escola SESI e retorna à instituição como estagiária, quer se formar em pedagogia para continuar trabalhando com as crianças, sua grande paixão. 

Na visão da diretora, ela já está no caminho porque valoriza sobretudo o ensino das competências socioemocionais com seus alunos.

“Essa é a maior preocupação que nós temos. Não podemos nos restringir àquela educação formal em que apenas o conteúdo didático importa e os alunos estão distantes aos professores”, explica Dora Carolina da Silva.

“O aluno é o protagonista e o professor é o mediador. O mundo precisa de pessoas que tenham empatia, tenham protagonismo, tenham decisão sobre suas vidas e sejam pessoas solidárias. E isso vem desde a educação infantil.”