MULHERES
05/08/2020 19:30 -03 | Atualizado 05/08/2020 19:57 -03

Polícia conclui inquérito e delegada decide não indiciar ex-BBB Felipe Prior por estupro

Caso agora segue para o Ministério Público, que pode decidir pelo arquivamento ou não da investigação.

A 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo concluiu nesta quarta-feira (5) o inquérito policial que apurou as denúncias de três mulheres contra o arquiteto Felipe Prior, ex-participante da edição de 2020 do Big Brother Brasil. Em abril, o arquiteto foi acusado de estupro e de duas tentativas de estupro.

Responsável pelo inquérito, a delegada Maria Valéria Pereira Novaes, titular da 1ª DDM, decidiu não indiciar Prior. O caso tramitou em sigilo e, com a conclusão do inquérito, ele é encaminhado para o Ministério Público, que pode decidir pelo arquivamento ou não da investigação.

Em entrevista ao jornal Extra, a delegada disse estar satisfeita com a apuração. Segundo ela, a decisão “foi por questão de convicção jurídica”, mas ressalta que o processo não acabou e que não indiciá-lo não é sinônimo de inocência. 

“Estou muito satisfeita com a apuração que fizemos e eu decidi por não indiciar o Felipe Prior. E todos estão me perguntando: “Mas porque, doutora?”. E eu respondo: por uma questão de convicção jurídica. A lei me respalda para isso e eu não consegui formar convicção de que ele cometeu os crimes de que foi acusado. Isso não quer dizer que o processo acabou ou que ele é inocente. Nosso relatório ficou em 12 páginas. Agora, é com o Ministério Público.”

Carolina Pugliese, advogada responsável pela defesa de Prior, afirma em nota que “a defesa sempre acreditou que a inocência de Felipe Prior iria se sobrepor a qualquer outra circunstância no curso das investigações”. 

A equipe também afirma que “o trabalho criterioso e responsável da delegada, Maria Valéria Pereira Novaes, e sua equipe, permitiu que o acusado apresentasse as provas necessárias e imprescindíveis durante o inquérito policial. O que nós esperamos agora é que o caso seja encerrado.”

Ao G1, Edmir Prior, pai de Prior, disse que “a verdade sempre vai prevalecer.”

Em 10 de julho, o inquérito, que já estava sua fase final, voltou para a DDM a pedido do MP. A justificativa foram novas diligências e o aparecimento de uma nova testemunha, que foi ouvida. Com a decisão desta quarta, o inquérito segue novamente para o MP, que tem a decisão sobre o caso em suas mãos.

Em nota, as advogadas Maira Machado Frota Pinheiro e Juliana de Almeida Valente, que representam as vítimas, repudiam as conclusões do inquérito por não refletirem “o conjunto de provas que confirma os relatos das mulheres”.

“Nenhuma das testemunhas de defesa foi capaz de refutar diretamente esses relatos. Somente uma crença infundada em teorias da conspiração explica o relato de quatro mulheres, confirmado por testemunhas, documentos e laudo pericial, ser desconsiderado apenas porque o agressor negou a prática dos crimes. Nenhuma mulher se beneficia de denunciar um estupro”, diz a nota.

Advogadas da acusação ainda afirma que, como cabe ao MP decidir sobre a continuidade das investigações, “a opinião da delegacia não é determinante para a continuidade do processo” que é entendida como injusta por elas.

“Esperamos ainda que essa posição lamentável da polícia não leve as milhares de mulheres que sofrem violência todos os dias a ter medo de denunciar o que sofreram”, finaliza a nota.

Relembre o caso

Em abril, o arquiteto Felipe Prior foi acusado de estupro por duas mulheres e de tentativa de estupro por uma terceira. Segundo as vítimas, os crimes teriam acontecido em 2014, 2016 e 2018, durante jogos universitários da InterFAU, das faculdades de arquitetura e urbanismo de São Paulo. O caso foi revelado com exclusividade pela revista Marie Claire.

A reportagem teve acesso a um documento que foi protocolado como notícia crime no Departamento de Inquéritos do Fórum Central Criminal de São Paulo em 17 de março de 2020 pelas advogadas Maira Pinheiro e Juliana de Almeida Valente. O documento, com depoimento de três vítimas e de 11 testemunhas, pede a proteção das vítimas e que uma investigação criminal seja aberta.

Segundo a reportagem da Marie Claire, os casos começaram a aparecer ainda em janeiro, quando o Big Brother Brasil teve início. Denúncias surgiram nas redes sociais indicando que ele havia sido proibido de participar dos jogos universitários por ter protagonizado casos de abuso sexual. A partir disso, as jovens que vieram a público e em condição de anonimato, entraram em contato umas com as outras e reconheceram comportamento recorrente de Prior.

Na época, em suas redes sociais, o ex-BBB publicou um vídeo em que afirmava ser inocente e que “nunca cometeu violência sexual contra ninguém.”

A postagem acompanhava a nota de seus advogados. Nela, eles afirmaram que as informações eram levianas e que os casos só vieram a público após ele ter ganhado visibilidade. “Felipe Prior estará à disposição das autoridades para qualquer tipo de questionamento, e adotará todas as medidas necessárias contra os que investem contra a sua civilidade”, diz a nota. 

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