MULHERES
01/10/2020 17:33 -03 | Atualizado 01/10/2020 17:43 -03

Ex-BBB Felipe Prior vira réu em caso de estupro e julgamento é marcado para 2021

Em abril, logo após o fim do reality da TV Globo, vieram à tona relatos de mulheres que foram estupradas pelo ex-BBB.

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) aceitou uma acusação de estupro contra o arquiteto e ex-BBB Felipe Prior nesta quinta-feira (1) e determinou que a audiência de instrução e o julgamento do caso ocorra em maio de 2021.

Em abril, logo após o fim do reality da TV Globo, o arquiteto foi acusado de estupro e de duas tentativas de estupro. Os relatos vieram à tona em reportagem da revista Marie Claire.

Segundo o TJ, o juiz Luiz Guilherme Angeli Feichtenberger acolheu a denúncia e ainda determinou que Prior apresente resposta às acusações por escrito, no prazo de dez dias. O processo tramita em segredo de justiça.

Os promotores Danilo Romão, da 7ª Promotoria Criminal, e Fernanda Moreti, da Promotoria da Violência Doméstica, denunciaram o ex-BBB em agosto por um dos crimes de estupro, que aconteceu em São Paulo, em 2014.

Os outros três casos, que ocorreram em outros municípios e nos anos de2016 e 2018, serão enviados para os promotores locais, que vão analisar caso a caso. Todos os crimes aconteceram no contexto das festas universitárias.

Em agosto, a 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo havia concluído o inquérito policial que apurou as denúncias de três mulheres contra o ex-BBB e decidiu não indiciá-lo. Em seguida, o MP apresentou denúncia contra Prior para a 7ª Vara Criminal da Barra Funda, que foi acatada hoje.

O crime de estupro, pelo qual Prior foi denunciado, está tipificado no artigo 213 do Código Penal como crime hediondo e consiste em “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”.

A pena é de 6 a 10 anos de reclusão, com a possibilidade de ser agravada se o crime for cometido contra menores ou levar à morte da vítima. Neste último caso, o agressor pode chegar a cumprir até 30 anos de prisão se condenado.

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O arquiteto Felipe Prior integrou o elenco do reality show Big Brother Brasil em 2020.

Em nota divulgada ainda em agosto, quando o MP apresentou a acusação, as advogadas Juliana de Almeida Valente e Maira Machado Frota Pinheiro, que representam as vítimas, disseram que o oferecimento da denúncia “demonstra a consistência das provas do caso, apesar das tentativas de desacreditar as acusações e as vítimas” e “reforça a confiança de que o caso chegará a um desfecho com o mínimo de Justiça, apesar das marcas que estarão para sempre com toda as mulheres que sofreram abuso.”

“Lutamos neste momento, não só para que um abusador seja responsabilizado, mas para que no futuro mulheres possam denunciar agressões sem serem atacadas, revitimizadas e desacreditadas pela sociedade e até por estruturas de Estado criadas para acolhê-las”, diz o comunicado.

Prior nega todas as acusações. Ainda em abril, quando os relatos vieram à tona o ex-BBB publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando ser inocente mais de uma vez e que “nunca cometeu violência sexual contra ninguém”.

Também à época, Carolina Pugliese, advogada responsável pela defesa de Prior, afirmou em nota que “a defesa sempre acreditou que a inocência de Felipe Prior iria se sobrepor a qualquer outra circunstância no curso das investigações”. 

A equipe também afirmou que “o trabalho criterioso e responsável da delegada, Maria Valéria Pereira Novaes, e sua equipe, permitiu que o acusado apresentasse as provas necessárias e imprescindíveis durante o inquérito policial. O que nós esperamos agora é que o caso seja encerrado.” 

Relembre as denúncias contra Prior

Reprodução/Instagram
Segundo a reportagem da Marie Claire, os relatos contra Prior começaram a aparecer ainda em janeiro, quando o Big Brother Brasil teve início.

Em abril, o arquiteto Felipe Prior foi acusado de estupro por duas mulheres e de tentativa de estupro por uma terceira. Segundo as vítimas, os crimes teriam acontecido em 2014, 2016 e 2018, durante jogos universitários da InterFAU, das faculdades de arquitetura e urbanismo de São Paulo. O caso foi revelado com exclusividade pela revista Marie Claire.

A reportagem teve acesso a um documento que foi protocolado como notícia crime no Departamento de Inquéritos do Fórum Central Criminal de São Paulo em 17 de março de 2020 pelas advogadas Maira Pinheiro e Juliana de Almeida Valente. O documento, com depoimento de três vítimas e de 11 testemunhas, pede a proteção das vítimas e que uma investigação criminal seja aberta.

Segundo a reportagem da Marie Claire, os casos começaram a aparecer ainda em janeiro, quando o Big Brother Brasil teve início. Denúncias surgiram nas redes sociais indicando que ele havia sido proibido de participar dos jogos universitários por ter protagonizado casos de abuso sexual. A partir disso, as jovens que vieram a público e em condição de anonimato, entraram em contato umas com as outras e reconheceram comportamento recorrente de Prior.

Na época, em suas redes sociais, o ex-BBB publicou um vídeo em que afirmava ser inocente e que “nunca cometeu violência sexual contra ninguém.”

A postagem acompanhava a nota de seus advogados. Nela, eles afirmaram que as informações eram levianas e que os casos só vieram a público após ele ter ganhado visibilidade. “Felipe Prior estará à disposição das autoridades para qualquer tipo de questionamento, e adotará todas as medidas necessárias contra os que investem contra a sua civilidade”, diz a nota. 

Leia mais sobre o caso Prior.

 
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