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25/01/2019 19:10 -02 | Atualizado 25/01/2019 20:20 -02

Presidente da Vale diz que barragem era estável e não sabe causa do rompimento

“Como vou dizer que a gente aprendeu [após a tragédia de Mariana] se acaba de acontecer um acidente desses?”, disse Fábio Schvartsman.

Associated Press
“Como vou dizer que a gente aprendeu (após o acidente de Mariana) se acaba de acontecer um acidente desses?”, disse Fábio Schvartsman.

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman lamentou o rompimento da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), e disse que as causas serão investigadas. Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 200 pessoas estão desaparecidas.

“Não existem palavras que possam explicar a dor que estou sentindo pelo que terá sido causado às vítimas”, afirmou a alguns jornalistas, no Rio de Janeiro, após voltar de viagem à Suíça, onde participou do Fórum de Davos.

Em coletiva de imprensa no fim da tarde, ele repetiu que não sabe o que aconteceu para que essa barragem se rompesse e disse que seu sentimento é de “surpresa e desalento”. “Não houve qualquer tipo de pré-aviso, nada”, disse. “Nós não sabemos o que foi que houve com essa barragem.”

Ele afirmou que apenas uma das 3 barragens do Feijão se rompeu, mas que outra transbordou ao receber o volume da que rompeu. Segundo o presidente da empresa, o material que estava na barragem era “basicamente sílica” e que, como ela estava inativa, “sequer vinha recebendo rejeitos”.  

Na entrevista coletiva, ele qual disse que “mais de 300” funcionários - da empresa e terceirizados - estavam no local na hora do rompimento da barragem, parte no refeitório e parte no prédio administrativo, ambos atingidos. Destes, cerca de 100 teriam sido encontrados. 

“Dessa vez é uma tragédia humana. Nós estamos falando de uma quantidade provável grande de vítimas - nós não sabemos quanta são, mas sabemos que será um número grande”, disse Schvartsman, visivelmente abalado.

Ele explicou que “possivelmente o dano ambiental será menor” que o causado pelo rompimento da barragem em Mariana.

“Era uma barragem inativa [a de Brumadinho], o material dentro da barragem já era razoavelmente seco e, consequentemente, ele não tem esse poder de se deslocar por longas regiões. Então a parte ambiental deve ser muito menor [que Mariana], e a tragédia humana, terrível.”

 

Dessa vez é uma tragédia humana. Nós estamos falando de uma quantidade provável grande de vítimas - nós não sabemos quanta são, mas sabemos que será um número grandeFábio Schvartsman, presidente da Vale

 

Questionado se a mineradora havia aprendido algo com a tragédia em Mariana (MG), há 3 anos, o empresário disse que a Vale fez o possível para buscar estabilidade da estrutura.

“Como vou dizer que a gente aprendeu (após o acidente de Mariana) se acaba de acontecer um acidente desses? O que posso dizer foi o que a gente fez depois do acidente. Viramos todas as barragens do avesso e contratamos as melhores auditorias do mundo para verificar o estado de todas elas. Fizemos tudo que a gente entende que era possível para garantir a segurança e a estabilidade. O fato é que não sabemos o que aconteceu e o que ocasionou, mas certamente vamos descobrir”, afirmou. 

 

Sirenes

O presidente da Vale, que assumiu sob o lema “Mariana nunca mais”, disse que foram tomadas várias medidas de segurança desde a tragédia da barragem do Fundão, inclusive com a instalação de sirenes para que funcionários e moradores de regiões próximas fossem alertados em caso de rompimento.

Questionado se as sirenes não soaram nesta sexta-feira, Schvartsman disse que ”é provável que elas tenham funcionado, mas a velocidade com que isso aconteceu impediu que o aviso das sirenes tivesse qualquer benefício”. 

Schvartsman irá para Brumadinho acompanhar os desdobramentos. Ele afirmou que a empresa montou 3 centros de atendimento às vítimas e aos familiares e que mobilizou cerca de 40 ambulâncias de que dispunha na região.

 

 

De acordo com o empresário, a barragem não estava ativa desde 2015 e era estável com “laudo externo que garantia estabilidade dela absolutamente normal”. Ele também pediu desculpas pelo sofrimento causado.

Mais cedo, um comunicado da Vale afirmou que “a prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais”.

A mineradora informou que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco, mas não sabia da presença de feridos no local.