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04/05/2019 17:34 -03

Prefeito de Nova York celebra cancelamento de viagem de Bolsonaro: 'Seu ódio não é bem-vindo'

Democrata Bill de Blasio vinha fazendo campanha contra a premiação do presidente brasileiro, pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, na cidade.

Shannon Stapleton / Reuters
"Não fiquei surpreso – valentões geralmente não aguentam um soco”, escreveu De Blasio no Twitter.

O prefeito de Nova York celebrou publicamente neste sábado (4) o cancelamento da viagem do presidenteJair Bolsonaroa Nova York. Em sua conta oficial no Twitter, o político democrata afirmou não ter ficado surpreso que Bolsonaro - que ele chama de “valentão” - tenha recuado diante da pressão.

O presidente brasileiro iria a Nova York para receber o prêmio de “Personalidade do Ano”, concedido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. Após uma forte pressão de grupos contrários a Bolsonaro e do próprio prefeito da cidade, o brasileiro decidiu não ir.

“Jair Bolsonaro aprendeu do pior jeito que os nova-iorquinos não fecham os olhos para a opressão. Nós expusemos sua intolerância. Ele correu. Não me surpreende – valentões geralmente não aguentam um soco”, escreveu. “Seu ódio não é bem-vindo aqui”, completou.

O prefeito ainda disse que o “ataque de Bolsonaro aos direitos LGBTQ” e seus “planos destrutivos para o nosso planeta” se refletem em outros líderes pelo mundo, inclusive nos EUA. “TODOS devem se levantar, falar e lutar contra esse ódio temerário”, disse.

De Blasio, que é de oposição a Donald Trump, havia encampado uma briga com Bolsonaro pelas redes sociais. Ele já havia afirmado que o presidente brasileiro é um “homem perigoso”, cujos “racismo evidente, homofobia e decisões destrutivas terão um impacto devastador no futuro do nosso planeta”.

Ele ainda agradeceu, em nome de Nova York, ao Museu de História Natural, que dias antes havia cancelado o aluguel de seu espaço para o evento no qual Bolsonaro seria homenageado. Havia pelo menos 3 anos que a mesma cerimônia era celebrada no museu, sem qualquer problema.

A justificativa para o cancelamento da viagem apresentada pelo Planalto, na sexta, cita De Blasio.

“Em face da resistência e dos ataques deliberados do prefeito de Nova York e da pressão de grupos de interesses sobre as instituições que organizam, patrocinam e acolhem em suas instalações no evento anualmente, ficou caracterizada a ideologização da atividade”, diz a nota do gabinete do porta-voz, general Otávio do Rêgo Barros.

“Em função disso, e consultados vários setores do governo, o presidente Bolsonaro decidiu pelo cancelamento da ida a essa cerimônia e da agenda prevista para Miami”, completa o texto.