LGBT
17/12/2019 16:36 -03 | Atualizado 17/12/2019 17:44 -03

Prefeita de Bogotá se casa com senadora semanas antes de tomar posse

Claudia López, primeira prefeita mulher de Bogotá, se casou com a senadora Angélica Lozano. Ela ocupará o cargo em 1º de janeiro.

Reprodução/Twitter
A senadora Angélica Lozano (à esq.) abraça sua esposa Claudia López, eleita prefeita de Bogotá -- ela tomará posse em 1º de janeiro de 2020.

Colômbia aprovou o casamento gay em 2016. Em 2019, três anos depois, Bogotá elegeu a ex-senadora Claudia López, da Aliança Verde, como a nova prefeita da cidade ― ela é a primeira mulher eleita para o cargo. Nesta segunda-feira (16), López se casou com Angélica Lozano, também senadora.

“Te amo, minha Angélica divina! Obrigada por existir e por me amar sempre. Prometo te honrar e te amar por toda a minha vida”, escreveu López ao anunciar a união em seu perfil do Twitter. A prefeita eleita ainda agradeceu por 2019 ter sido um “ano maravilhoso”: ela terminou seu doutorado, foi eleita e se casou.

Em uma outra publicação na rede social, López agradeceu as mensagens de parabéns que recebeu após oficializar a união, fez agradecimentos à equipe que ajudou o casamento a acontecer: o costureiro Ángel Yáñez, o maquiador Fabio Suárez e o fotógrafo Raúl Higuera; e também desejou boas festas.

“Obrigada a todos por compartilhar nossa felicidade e pelos votos positivos. Feliz Natal e um feliz ano novo para todos”, escreveu no Twitter.

Bogotá elegeu a ex-senadora Claudia López ― que pertence à oposição ao presidente Iván Duque ―, em 27 de outubro. Com 35% dos votos, López venceu uma disputa apertada contra o candidato liberal Carlos Fernando Galán, que obteve cerca de 32,49% dos votos válidos.

Ela tomará posse no dia 1º de janeiro, e substituirá o atual prefeito, Enrique Peñalosa. Além de ser a primeira mulher, é também a primeira lésbica a ocupar um cargo tão importante na política colombiana - a prefeitura de Bogotá só fica atrás da presidência do país.

 

O casamento e os direitos LGBT na Colômbia

Em abril de 2016, a Colômbia se juntou aos países da América Latina que aprovam o casamento homoafetivo. Mesmo sem produzir legislação específica, este tipo de união foi garantida pela Justiça. O país foi o quarto da região a garantir este direito, depois de Argentina, Brasil e Uruguai. 

Semanas antes, a mesma corte havia aprovado a adoção compartilhada de crianças por casais do mesmo sexo sem nenhuma restrição. Antes, a adoção era permitida apenas se a criança fosse filha biológica de um dos membros. 

“Este é o dia de todas as mulheres”, disse López, ao comemorar a sua vitória com os apoiadores em outubro. Em seu discurso, afirmou que apenas “com união poderíamos vencer” e que sua eleição representa uma cidade que luta contra “o machismo, o racismo, o classismo, a homofobia e a xenofobia”.

Em entrevista a jornais locais à época, López afirmou que “ser mulher não é um defeito”. “Ser mulher não é um defeito, ser uma mulher de caráter, firme (…) não é um defeito. Ser gay não é um defeito, ser filha de uma família humilde não é um defeito”, disse.