OPINIÃO
14/08/2020 10:00 -03 | Atualizado 14/08/2020 10:00 -03

Trio de protagonistas é a força de 'Power'

Jamie Foxx, Dominique Fishback e Joseph Gordon-Levitt são o grande acerto de um filme imperfeito, mas acima da média para a Netflix.

Power, nova produção original da Netflixque estreia na plataforma nesta sexta (14), não é lá das mais originais. Há algumas semanas, um filme com uma premissa semelhante, Heróis (2009), estrelado por um Chris Evans pré-Capitão América, entrou no Top 10 de títulos mais vistos do catálogo do serviço. Isso só mostra que o gênero ainda não cansou o público, mesmo que, aqui, o gênero seja visto por um ângulo diferente do popularizado pela Marvel.

Nas ruas de Nova Orleans, começa a se espalhar uma nova pílula misteriosa que desbloqueia, por cinco minutos, superpoderes exclusivos para cada usuário. O problema é que, até tomar a tal pílula, você não sabe qual será o seu superpoder. Você pode ficar invisível, superforte ou imortal, mas também pode, simplesmente, explodir.

Em meio ao caos provocado por pessoas com superpoderes cometendo crimes, o policial Frank (Joseph Gordon-Levitt) se junta a Robin (Dominique Fishback), uma traficante adolescente, e Art (Jamie Foxx), um ex-soldado em busca de sua filha, para desmantelar uma malévola organização que usa pessoas como cobaia para desenvolver essa droga poderosa.

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Em "Power", os superpoderes também podem ser uma maldição.

Se fosse uma produção de algum estúdio grande de Hollywood, Power tinha tudo para ser um daqueles raros sucessos de bilheteria que não nascem de uma franquia, mas o orçamento mais limitado da TV é sentido do começo ao fim do filme. Por mais que haja, sim, bons efeitos visuais, algumas soluções usadas pela dupla de diretores Henry Joost e Ariel Schulman são, no mínimo, preguiçosas. Com excessão de uma em que é dado ao espectador um ponto de vista bem inusitado de uma briga entre Jamie Foxx e Rodrigo Santoro em um bar.  

A trama em si é bem rala e isso afeta muito Santoro, que faz um vilão quase cartunesco que pouco acrescenta à história. Mas não chega a prejudicar o que Power tem de melhor, que é o seu trio de protagonistas. Foxx, Dominique Fishback e Joseph Gordon-Levitt são a força-motriz do filme. Principalmente Fishback, que, não por acaso, tem o personagem mais bem construído.

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Dominique Fishback como a traficante adolescente Robin, o grande destaque em "Power".

Mesmo não apresentando nenhum “poder”, mas cheia de atitude e carisma, Robin se destaca na tela como a cola que une duas pontas soltas da história, representadas por Gordon-Levitt e Foxx. A boa química do trio nos desvia de alguns desses já descritos obstáculos, e eleva a experiência do espectador, fazendo de Power um filme pipoca até bem divertido. 

O filme, claro, não chega nem aos pés das produções originais de mais prestígio da Netflix, como Roma (2018), A Balada de Buster Scruggs (2018) ou O Irlandês (2019), mas em comparação à média dos títulos exclusivos que a plataforma lança todas as sexta-feiras, Power se destaca e tem tudo para liderar seu ranking semanal por um bom tempo.