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16/09/2020 19:24 -03

Efetivado no cargo, Pazuello diz que SUS não colapsou e que o País está vencendo a guerra

Ministro disse que o Brasil está perto do “novo normal”, mas que “solução definitiva só com a vacina”.

Andressa Anholete via Getty Images
Pazuello assumiu o comando da pasta em 15 de maio quando o oncologista Nelson Teich pediu demissão.

Após quatro meses como interino, o general Eduardo Pazuello tomou posse nesta quarta-feira (16) como ministro da Saúde com discurso de que o País está vencendo a guerra contra a covid-19. O Brasil é o segundo país com mais casos da doença, há mais de 130 mil mortes registradas e só neste mês começou a sair de platô de mais de três meses com média de mil mortes diárias.

Na cerimônia de posse, o ministro afirmou que o sistema de saúde não colapsou e que isso não vai acontecer. Ele ressaltou o número de pessoas curadas, embora não seja possível falar em cura completa da doença, já que não se sabe quais as sequelas e por quanto tempo elas podem durar. Ele fez ainda uma análise do cenário regional e indicou a possibilidade de estarmos perto do “novo normal”.

“No Norte e no Nordeste, onde os números estão em total declínio e a população já está voltando para suas atividades normais. No Centro-Sul, a tendência de queda é clara, e já podemos visualizar a tendência ao retorno muito em breve. São sinais claros e positivos de que todos nosso trabalho e empenho está surtindo efeito esperado.”

Segundo ele, o “novo normal” será de “novos hábitos, mais atenção às medidas de profilaxia e higiene, condutas de tratamento médicos precoce e, principalmente, naturalidade em conviver com uma doença assim como todas as outras do nosso cotidiano”.

“Para ter segurança nesse novo normal estamos implementando uma nova estratégia de diagnóstico e testagem, com a duplicação da capacidade de gerenciamento de testes nos laboratórios centrais em todo País e não medimos esforços na busca de uma vacina segura e completamente eficaz o mais rápido possível para todos os brasileiros. A solução definitiva virá com a vacina.”

Cloroquina

Pazuello assumiu o comando da pasta em 15 de maio quando o oncologista Nelson Teich pediu demissão. O principal impasse na gestão do médico foi o pedido do presidente Jair Bolsonaro para integrar a hidroxicloriquina no rol de tratamentos da covid-19.  O medicamento não tem eficácia comprovada para doença e aumenta o risco cardíaco.

Antes de Teich, a pasta era chefiada por Luiz Henrique Mandetta, que também deixou o posto após divergir com o presidente. Entre outros, Mandetta defendia o isolamento social como forma de prevenção da doença e combate à pandemia, já o presidente, além de querer impor o uso da cloroquina, afirmava que era preciso fazer isolamento apenas do grupo de risco. O argumento do presidente era preservar a economia, com temor de uma onda de desemprego.

Nesta quarta, Bolsonaro voltou a defender cloroquina. “Parabenizo toda a classe médica, em especial àqueles que ousaram com a cloroquina”, disse, com a caixa do medicamento em mãos.