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08/01/2020 18:49 -03 | Atualizado 09/01/2020 16:47 -03

Justiça do Rio atende pedido de entidade religiosa e manda retirar do ar especial de Natal do Porta dos Fundos

A sátira de fim de ano que em que Jesus é retratado como gay desagradou setores religiosos, que pedem censura à produção.

A Justiça do Rio de Janeiro ordenou, nesta quarta-feira (8), que a produtora Porta dos Fundos e a Netflix retirem do ar o especial de Natal A Primeira Tentação de Cristo. No curta, Jesus chega de uma viagem ao deserto acompanhado de seu namorado, e é recebido com uma festa surpresa. A sátira com Jesus gay desagradou setores religiosos, que pedem censura à produção. 

Em decisão liminar que havia sido derrotada em primeira instância, o desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, afirmou que, devido à polêmica em que o filme foi envolvido seria “mais adequado e benéfico, não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira”, que o vídeo seja retirado do ar.

“Por todo o exposto, se me aparenta, portanto, mais adequado e benéfico, não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, majoritariamente cristã, até que se julgue o mérito do Agravo, recorrer-se à cautela, para acalmar ânimos, pelo que concedo a liminar na forma requerida”, diz a decisão.

A liminar atende a pedido feito pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura. A assessoria de imprensa da Netflix informou a reportagem do HuffPost Brasil que, até o momento, não irá se pronunciar sobre o caso.

A parceria da Netflix com o Porta dos Fundos rendeu recentemente o Emmy Internacional de Melhor Comédia, justamente pelo especial de Natal de 2018, chamado de “Se beber, não ceie”, em que Jesus era controverso e reacionário.

Reprodução/Netflix
Gregório Duvivier (à esq.) como Jesus e Fábio Porchat (à dir.) como Orlando em cena do especial "A Primeira Tentação de Cristo", na Netflix.

Os autores da ação alegam que a honra e a dignidade de milhões de católicos foi “gravemente vilipendiada” pelo especial da Porta dos Fundos ao retratar “Jesus como homossexual pueril, Maria como uma adúltera desbocada e José como um idiota traído, partindo de uma compreensão equivocada do que seja a liberdade de manifestação do pensamento e criação artística.”

A decisão ainda pede que não só o especial em sua íntegra, mas conteúdos como trailers, making ofs, propagandas, ou qualquer outro material publicitário que se refira ao filme seja retirado do ar, sob pena de multa.

Devido à repercussão em setores conservadores, na madrugada de 24 de dezembro, a sede da produtora do Porta dos Fundos foi alvo de um ataque. Dois coquetéis molotov foram jogados contra a fachada do imóvel e o caso foi registrado como crime de explosão na 10ª DP, em Botafogo, no Rio.

Na tarde da última terça-feira (7), o Ministério das Relações Exteriores confirmou que iniciou o processo para pedir a extradição de Eduardo Fauzi, um dos suspeitos de atacar o escritório.

A confirmação foi feita à Globonews por uma fonte do Itamaraty, que afirmou que o governo brasileiro já está conversando com a Rússia, onde Fauzi se encontra desde o começo da semana e a extradição deverá acontecer nos próximos dias.

Segundo antecipado pelo jornal O Globo, a documentação de extradição foi analisada pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI).

Como estava compatível com a lei, o Ministério da Justiça mandou o pedido para o Itamaraty, responsável por formalizar a solicitação ao governo russo. O Brasil mantém acordo de extradição com a Rússia desde 2007.

Fauzi está em Moscou, na casa de sua namorada, para onde viajou poucos dias depois do ataque. O suspeito tem passagens pela polícia por ameaça e agressão e foi identificado graças a câmeras de segurança que flagraram a fuga do grupo.

Ele é considerado foragido desde o dia 31 de dezembro, quando a Polícia Civil do Rio deflagrou uma operação para prendê-lo.

Em entrevista à rádio BandNews FM, Fauzi revelou que pretende se apresentar à justiça brasileira até 30 de janeiro e afirmou estar “pronto para abraçar as consequências”.

(Com informações da Ansa)