LGBT
13/07/2020 15:32 -03 | Atualizado 06/08/2020 19:00 -03

Ativistas temem discriminação com reeleição de agenda 'anti-LGBT' na Polônia

Andrzej Duda se mostrar como um “guardião” de valores tradicionais e diz acreditar que a “ideologia LGBT” é um perigo nacional.

Para Jakub Kwiecinski e Dawid Mycek, casal gay polonês, que também são ativistas da causa LGBT no país, a vitória do presidente em exercício Andrzej Duda, noticiada nesta segunda-feira (13) é vista com medo e decepção.

Duda, 48, foi eleito para um segundo mandato de cinco anos. Em sua campanha ele tentou se mostrar como um “guardião” dos programas sociais do governo, mobilizando sua base conservadora e críticas ao movimento LGBT.

Nas últimas semanas de campanha, ele afirmou disse que a “ideologia LGBT” era mais perigosa do que a doutrina comunista e prometeu garantir que as escolas públicas sejam proibidas de discutir os direitos destas pessoas.

Para muitos conservadores religiosos no país, que é predominantemente católico, o prefeito de Varsóvia, rival de Duda, Rafal Trzaskowski, passou a representar as ameaças que os valores tradicionais enfrentam quando ele prometeu introduzir a educação sobre os direitos LGBT nas escolas.

Omar Marques via Getty Images
Manifestantes participam de protesto contra a discriminação da comunidade LGBT dois dias antes do segundo turno das eleições em Cracóvia, na Polônia.

Resultados finais do segundo turno das mostraram Duda com mais de 51% de votos, apresentando uma vitória considerável frente ao prefeito liberal de Varsóvia Rafal Trzaskowski, que conquistou cerca de 49% dos votos.

Neste contexto, muitos membros da comunidade LGBT temem discriminação sob a presidência de Duda. “Nos sentimos impotentes”, disse Dawid Mycek, 35 anos, ativista LGBT e Youtuber. “Esta é a primeira campanha presidencial que eu conheço, que foi baseada no ódio, no discurso de ódio e na divisão de poloneses”, acrescentou ele, dizendo que teme que a discriminação cresça.

“Essas palavras retornarão como pedras. Os políticos do PiS [partido de Duda] acionaram a máquina da retórica anti-LGBT que eles não podem mais controlar”, disse Jakub Kwiecinski, marido de Mycek.

Segundo a ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais), maior organização mundial em defesa dos direitos LGBT, o discurso de ódio por parte de líderes políticos e religiosos aumentou em 17 países da Europa, incluindo Portugal, Espanha e Finlândia, conhecidos por serem acolhedores a esta população. A violência homofóbica, como um todo, também cresceu na região, de acordo com o estudo.

O estudo destaca manifestações recentes. Entre elas, a do partido nacionalista que governa a Polônia e fez frente ao que considera ser uma “ideologia LGBT”, às declarações do presidente do Parlamento húngaro, que equiparou a adoção por casais gays à pedofilia e também colocações de políticos espanhóis e de finlandeses, que fizeram duras críticas às Paradas do Orgulho LGBT no país.

A vitória da pauta conservadora

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O jornal de hoje 'Gazeta Krakowska' com os resultados da pesquisa de saída de ontem à noite prevendo Andrzej Duda vitorioso.

Andrzej Duda, conquistou mais cinco anos no poder em uma plataforma religiosa socialmente conservadora, em uma eleição muito disputada que torna provável um novo confronto com a Comissão Europeia.

Resultados quase finais do segundo turno das eleições presidenciais de domingo mostraram Duda, 48, com mais de 51%, dando-lhe uma liderança imbatível sobre o prefeito liberal de Varsóvia Rafal Trzaskowski, que conquistou quase 49% dos votos, disse a Comissão Nacional de Eleições.

Duda é aliado do partido nacionalista Lei e Justiça (PiS), e sua vitória reforça o mandato do governo de buscar reformas do judiciário e da mídia que a Comissão Européia, o executivo da União Européia, afirma subverter os padrões democráticos.

“Em grande parte, a política de Bruxelas, ou melhor, de Berlim, se concentrou em apoiar a oposição”, disse à Reuters Arkadiusz Mularczyk, um parlamentar do PiS. “A sociedade polonesa não está aceitando isso.”

Duda se mostrou como guardião dos valores tradicionais e dos generosos programas de assistência social PiS que transformaram a vida de muitos poloneses mais pobres.

No entanto, ele realizou uma campanha amarga com linguagem homofóbica, ataques à mídia privada e acusações de que Trzaskowski serve interesses estrangeiros em vez dos da Polônia.

Desde o fechamento das pesquisas de voto, ele adotou um tom mais conciliatório, pedindo unidade no país profundamente polarizado.

“Contenha o máximo que puder de palavras desnecessárias, porque as palavras podem doer”, disse ele aos apoiadores. “Por favor, ajude-me a reunir a Polônia novamente.”

Trzaskowski, que disse que iria reparar as relações da Polônia com a Europa e usar o veto presidencial para bloquear qualquer legislação que corroeria as normas democráticas, disse que achava que o PiS não mudaria de direção.

“Infelizmente, parece que o outro lado não aprendeu lições”, disse Trzaskowski. ”É por isso que ouvimos declarações de que o processo de politizar os tribunais será concluído. Infelizmente, os que estão no poder não querem estender a mão para nós”.

O ministro da Justiça, Zbigniew Ziobro, sugeriu no domingo (12) que o PiS poderia avançar rapidamente com sua ambição de mudar a propriedade da mídia privada para meios mais favoráveis ​​às suas políticas.