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15/10/2019 09:41 -03 | Atualizado 15/10/2019 09:47 -03

Presidente do PSL é alvo de operação da Polícia Federal sobre candidaturas laranja

PF cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado Luciano Bivar (PSL-PE).

Michel Jesus/ Câmara dos Deputados
Candida do PSL em Pernambuco foi a terceira maior beneficiada com verba do partido e recebeu apenas 274 votos. 

A Polícia Federal cumpre na manhã desta terça-feira (15) mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), suspeito de participação em esquema de candidaturas de laranjas. O parlamentar é presidente do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

A casa de Bivar no Recife (PE) e a sede do partido estão entre os alvos, assim como o endereço de três candidatas e de duas gráficas, Itapissu e Vidal. Os mandados foram autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, a pedidos da polícia e do Ministério Público. 

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, Maria de Lourdes Paixão, que oficialmente concorreu a deputada federal em Pernambuco e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o País. Ela recebeu R$ 400 mil de dinheiro público do partido na eleição de 2018.

A suspeita é de uso de candidaturas de fachada para cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas.

A defesa do deputado disse  que “já foram ouvidas diversas testemunhas e não há indícios de fraude no processo eleitoral”. “A busca é uma inversão da lógica da investigação, vista com muita estranheza pelo escritório, principalmente por se estar vivenciando um momento de turbulência política”, diz nota do Escritório de Ademar Rigueira.

Outros nomes da sigla também são alvo de investigações. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, na presidência do PSL de Minas Gerais, é suspeito de comandar esquema para desvio de dinheiro também  com candidaturas de laranjas para cumprir a cota feminina. A suspeita é dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

Segundo as investigações, quatro candidatas ligadas a Álvaro Antônio receberam, juntas, R$ 279 mil de verba pública do PSL, mas alcançaram apenas 2.074 votos. Parte dos recursos foi para em empresas ligadas ao gabinete do atual ministro.

Álvaro Antônio foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público, mas segue no cargo. Ele nega qualquer irregularidade e prometeu provar sua inocência.

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, uma planilha apreendida em uma gráfica e um depoimento dado à Polícia Federal sugerem que o dinheiro desviado, por meio de caixa dois, teve como destino as campanhas de Álvaro Antônio, para deputado federal, e de Jair Bolsonaro, para presidente. O ministro foi coordenador da campanha presidencial em Minas Gerais.

Nos últimos dias, Bivar e Bolsonaro têm protagonizado uma disputa na cúpula do PSL e o presidente e parte da bancada de deputados federais estuda opções para deixar o partido.

A repercussão das investigações levou à demissão, em fevereiro, do então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Ele presidiu o PSL nacionalmente em 2018 e coordenou a campanha presidencial. Bebianno negou contato com as candidatas laranjas e responsabilizou os diretórios estaduais do partido pelos repasses.