4 poemas para ler no Dia do Amigo

Mensagens poderosas para homenagear seus amigos em um dia especial.

O ano de 2020 já está muito complicado para todo mundo, então por que não aproveitar uma data especial para melhorar o dia de alguém que você gosta – e, de quebra, o seu também? Pois saiba que esta segunda-feira, 20 de julho, é o Dia do Amigo, e a gente vai te ajudar a homenagear quem te faz sentir bem e é companhia para todas as horas.

Para isso, recorremos a grandes nomes da literatura que escreveram sobre amizade. Então vão aqui algumas sugestões de poemas clássicos de Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Pablo Neruda e Julio Cortázar. Aproveite!

1 - Soneto do Amigo, Vinícius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

2 - Recado aos amigos distantes, Cecília Meireles

Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha esperança.

3 - Os amigos, Julio Cortázar

No tabaco, no café, no vinho,
na beira da noite se levantam
como vozes que ao longe cantam
sem que se saiba o quê, pelo caminho.

De um só destino irmãos levianos e vizinhos,
dióscuros, sombras pálidas, me espantam
e as moscas de meus hábitos levantam
meu ser à tona entre os redemoinhos.

Os mortos falam mas ao pé do ouvido,
e os vivos são mão e tíbia e leito,
soma do que foi ganho e foi perdido.

Assim um dia no barco já assombrado,
de tanta ausência abrigará meu peito
a ternura que deles diz nomes e fado.

4 - Amigo, Pablo Neruda

Amigo, leva contigo o que queiras,
penetra o teu olhar sobre os rincões,
e se assim desejares, dou minha alma inteira,
com suas brancas avenidas e suas canções.

Amigo, com a tarde faça partir
este velho inútil desejo de vencer.

Bebe do meu cântaro se tens sede.

Amigo, com a tarde faça partir
o meu desejo de que todo rosal
pertença a mim.

Amigo,
Come do meu pão se tiveres fome.

Tudo amigo, eu o fiz para ti. Tudo isto
que sem olhar verás na minha estância nua:
tudo isto que se eleva em muros altos, retos
– como meu coração – sempre buscando altura.

É engraçado, amigo. Que importa! Ninguém sabe
entregar em mãos o que se esconde por dentro,
mas te darei... Menos aquela lembrança...

Que na casa vazia aquele amor perdido
é uma rosa branca que se abre em silêncio.