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15/03/2019 14:44 -03 | Atualizado 15/03/2019 14:48 -03

PM preso por envolvimento em morte de Marielle recebeu R$ 100 mil em espécie, diz Coaf

A transferência do dinheiro foi realizada cerca de 7 meses após o assassinato da vereadora.

ASSOCIATED PRESS
Transferência do dinheiro foi realizada no dia 9 de outubro de 2018, cerca de 7 meses após o assassinato de Marielle

O policial reformado Ronnie Lessa, preso pela suspeita de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes recebeu um depósito de R$ 100 mil reais, em espécie, em sua conta, segundo investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf),. 

A transferência do dinheiro foi realizada no dia 9 de outubro de 2018, cerca de 7 meses após o assassinato de Marielle.

O relatório obtido pelo Coaf levou o Ministério Público a pedir o bloqueio dos bens de Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz, também preso.

O MP também pediu a apreensão de uma lancha, automóveis (um deles avaliado em mais de R$ 150 mil) e da casa de Ronnie Lessa, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Segundo o Ministério Público, os bens são incompatíveis com a renda de um policial militar reformado.

Lessa e Queiroz devem depor nesta sexta-feira (15) sobre o assassinato de  Marielle. Eles foram presos na última terça (12). Nesta semana, a polícia encontrou 117 fuzis desmontados na casa de um homem próximo a Lessa.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Élcio Queiroz dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Gustavo Kalil.

 

Investigação da morte de Marielle

A operação batizada de Operação Buraco do Lume também apreendeu documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos.

O GAECO/MPRJ pediu ainda a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa, além de indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor de Anderson até ele completar 24 anos.

Na denúncia, as promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile afirmam que o crime foi “meticulosamente” planejado três meses antes do atentado, de acordo com o jornal Extra. “A barbárie praticada na noite de 14 de março de 2018 foi um golpe ao Estado Democrático de Direito”, escreveram.

Negra, feminista, lésbica e nascida na Favela da Maré, Marielle atuava no combate às desigualdades social, racial e de gênero.

Ainda segundo o jornal, a principal prova colhida que permitiu a operação desta terça foi acessada a partir da quebra de sigilo dos dados digitais do PM.

De acordo com os investigadores, o suspeito monitorava a agenda de eventos que Marielle participava. A polícia e o MP também colheram depoimentos de informantes, inclusive presos no sistema carcerário.

O inquérito está desmembrado em duas partes. A primeira, transformada em denúncia, identifica os atiradores. A segunda, em andamento, busca os mandantes do crime. De acordo com o Extra, os investigadores sabem que havia três pessoas dentro do veículo.