NOTÍCIAS
16/03/2020 20:38 -03

Em meio a surto de coronavírus, Planalto só vai liberar funcionários com atestado médico

Há registro de pelo menos 6 pessoas com covid-19 que transitaram pelo Palácio do Planalto. Temor é que, mesmo sintomas, tenham transmitido o vírus a colegas.

R.M. Nunes via Getty Images
Servidores estão apreensivos com determinação de atestados médicos. 

Em meio ao surto de coronavírus no mundo, o Palácio do Planalto só vai liberar para trabalhar de casa funcionários que apresentarem atestado médico, por estarem com sintomas ou que já tenham confirmado que estão com covid-19. Até esta segunda (16), o Brasil contabilizava 234 pessoas infectadas

A determinação está em um ofício que foi distribuído nesta segunda a servidores palacianos e gerou alarde. Isso porque ao menos 6 funcionários do Planalto estão contaminados e tiveram contato com outros servidores. Por isso, essas pessoas gostariam, por precaução, de trabalhar remotamente. Contudo, o ofício só abre essa possibilidade com a apresentação de atestado médico. 

Dois funcionários da Secretaria de Comunicação Social testaram positivo: o chefe do setor, Fabio Wajngarten, e o secretário-adjunto, Samy Liberman. 

Também outras quatro pessoas que serviram de apoio à viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos na semana passada estão com covid-19, segundo o GSI (Gabiente de Segurança Institucional).

Assim, já são pelo menos 10 pessoas que tiveram contato recente com o mandatário contaminadas com coronavírus. 

Entre elas, além de Wajngarten e Liberman, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que também integrou a comitiva aos EUA; a advogada de Bolsonaro, Karina Kufa; o publicitário Sérgio Lima, que está à frente da campanha de comunicação do partido do presidente, o Aliança pelo Brasil; o encarregado de negócios na Embaixada do Brasil nos EUA, Nestor Forster. 

Nesta segunda, o Ministério da Economia confirmou que o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais da pasta, Marcos Troyjo, que também esteve nos EUA semana passada, está com o vírus. Troyjo trabalha próximo ao ministro Paulo Guedes que, por sua vez, tem encontros quase diários com Jair Bolsonaro. 

Já se sabe que, em alguns casos, o coronavírus é transmitido antes de os sintomas aparecerem e, em algumas pessoas, eles sequer se manifestam. 

Além da determinação de atestado médico, o funcionário que retornar de viagem internacional cujo trabalho não possa ser realizado remotamente pode ter seu ponto cortado. O ofício determina o trabalho remoto por sete dias, mas na impossibilidade, “poderão ter sua frequência abonada, a critério da chefia imediata”.  

Presidente minimiza vírus

Bolsonaro vem minimizando reiteradas vezes a pandemia de coronavírus que já matou mais de seis mil pessoas no mundo.  Desde a semana passada, ele falou ao menos três vezes que o surto está sendo “superdimensionado”. 

O próprio esteve sob suspeita de estar infectado e nem todas as suspeitas estão ainda descartadas. Após a confirmação de que Wajngarten está com covid-19, o presidente foi submetido a um primeiro exame com contraprova que, conforme publicou em suas redes sociais, deu negativo. 

Por orientação médica e segundo os protocolos adotados, ele deveria ficar em isolamento por 7 dias a partir do último dia em que teve contato com o chefe da Secom, na terça passada (10). Portanto, até esta quarta (18), quando o resultado de um novo exame, também parte dos protocolos, sai. 

Porém, o presidente começou a descumprir as normas ainda na sexta (13). Tão logo anunciou que seu teste para coronavírus deu negativo, deixou o Palácio da Alvorada e passou cerca de uma hora no Planalto. 

No domingo (15), quando houve manifestações em diversas cidades contra o Congresso e Judiciário, com inúmeros cartazes em que também se pedia o retorno dos militares ao poder e até a instauração de um novo AI-5, Jair Bolsonaro mais uma vez saiu da residência oficial da Presidência, ignorando orientação da equipe médica e auxiliares

Ele passou de carro pela Esplanada dos Ministérios, segundo o próprio, para ver como estava o protesto em Brasília, e seguiu para o Palácio do Planalto. Lá, cumprimentou apoiadores, tirou fotos e chegou a abraçar alguns. 

Em entrevista à rádio Bandeirantes nesta segunda (16), disse que não se arrepende, que cumpriu uma “obrigação moral” ao falar com as pessoas. “Se eu me contaminei, isso é responsabilidade minha e ninguém tem nada a ver com isso”, disse. “Se eu tiver o vírus é outro procedimento, mas eu não posso é viver uma neura, uma psicose e ficar dentro de casa”, completou.

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost