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30/06/2020 15:22 -03 | Atualizado 30/06/2020 15:30 -03

Planalto dá como certo pedido de demissão de Decotelli do MEC ainda nesta terça

Após inconsistências e contradições no currículo, ex-presidente do FNDE prepara carta de demissão e será 3º ministro a deixar o MEC em um ano e meio.

Divulgação
Carlos Decotelli deve entregar carta de demissão ainda nesta terça-feira (30).

Os problemas curriculares de Carlos Alberto Decotelli fazem correr nos bastidores do Palácio do Planalto no início da tarde desta terça-feira (30) a expectativa de que sua queda do Ministério da Educação é inevitável. Uma saída, aliás, antes de uma entrada formal. Sua posse estava prevista para hoje, mas foi adiada justamente pelas contestações de seus estudos acadêmicos em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Será o terceiro ministro da Educação a deixar a pasta em um ano e meio. 

Fontes ouvidas pelo HuffPost confirmam que é aguardada para esta terça uma carta de demissão de Decotelli, que esteve com o presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira (29). Após o encontro, ele negou que deixaria o MEC. Ele, inclusive, tem minimizado as inconsistências em seu currículo. 

Contudo, o mandatário, que vem procurando se descolar de qualquer polêmica desde a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro, deu até esta terça ao ainda não formalizado ministro e futuro ex-chefe do MEC para que apresente uma explicação plausível sobre sua formação. Determinou, inclusive, à Abin (Agência Brasileira de Inteligência) um pente-fino. Nada o agradou. 

As sequentes dores de cabeça de Bolsonaro com o CV de Decotelli desgastaram o núcleo militar, que bancou a indicação do economista à vaga no MEC. Em especial os ministros militares do Planalto têm sido criticados pelo próprio Bolsonaro por não terem checado os dados do currículo do ex-presidente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). 

Conforme fontes palacianas ouvidas pelo HuffPost nesta terça, integrantes da ala ideológica passaram a defender desde o fim de semana um nome aliado a eles, como o polêmico ex-chefe da pasta Abraham Weintraub. Segundo informou uma das pessoas com quem o HuffPost conversou, o que se tem dito ao presidente Jair Bolsonaro é que “vale muito mais a pena seguir os conselhos” deste núcleo. 

Polêmicas

Desde que foi anunciado para o cargo de ministro da Educação, na última quinta (25), o ex-presidente do FNDE reescreveu seu currículo algumas vezes. Anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro com exaltação ao CV cheio de títulos, ele foi acusado de plágio na dissertação de mestrado, reconheceu que não finalizou o doutorado e, nesta segunda (29), a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, afirmou que Decotelli não fez pós-doutorado por lá.

O desmonte do currículo, que estava público na plataforma Lattes do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), acendeu um alerta, especialmente para a comunidade acadêmica. 

Depois que a sequência de “erros” foi anunciada na imprensa, Decotelli alterou o currículo. Ele excluiu a citação do pós-doutorado nesta segunda, após a universidade alemã afirmar que o ministro fez apenas uma pesquisa de três meses em janeiro de 2016 na instituição

Na sexta (26), o reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, afirmou que Decotelli não concluiu o doutorado em administração da Faculdade de Ciências Econômicas e Estatística . “Essa tese não foi aprovada e não recebeu um parecer favorável da banca. Portanto, ele não pôde concluir o doutorado que estava realizando na Universidade Nacional de Rosário. E, como consequência, não obteve o título de doutor”, afirmou o reitor da instituição, Franco Bartolacci. 

Decotelli, então, corrigiu o Lattes. Excluiu o título da tese e o nome do orientador. Ao repórter Cesar Tralli, o futuro ministro disse que fez todo o curso, mas não defendeu o trabalho final porque não tinha mais interesse em continuar na Argentina.

Pairam ainda dúvidas sobre seu mestrado. Há suspeita de plágio na dissertação apresentada em 2008. No sábado (27), em nota, a FGV (Fundação Getulio Vargas) anunciou que vai apurar a denúncia. “Caso seja confirmado o procedimento inadequado, a FGV tomará as medidas administrativas e judiciais cabíveis”, diz. À Rede Globo, Decotelli disse que se forem encontradas falhas, ele irá revisar o trabalho. Nesta segunda, a plataforma Lattes ficou instável, e o perfil do ministro no Linkedin estava fora do ar.