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04/05/2020 16:53 -03 | Atualizado 04/05/2020 21:58 -03

Novo diretor da PF decide trocar comando da Superintendência da PF do Rio

Segundo ex-ministro Sergio Moro, este seria um dos cargos que Jair Bolsonaro gostaria de interferir e o havia ameaçado de demissão se não aceitasse a troca.

Isac Nóbrega/PR
Novo diretor-geral da PF, Rolando de Souza decide trocar comando da PF como desejava presidente Jair Bolsonaro

Poucas horas após tomar posse nesta segunda-feira (4), o novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, decidiu trocar o comando da Superintendência da corporação no Rio de Janeiro. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo HuffPost esta tarde. 

O Rio é berço eleitoral da família Bolsonaro e é lá que correm investigações do primogênito de Jair Bolsonaro, o senador Flávio (Republicanos-RJ). O Ministério Público do Rio investiga um esquema de rachadinha da época em que ele foi deputado estadual na Assembleia Legislativa carioca.

Ainda não há confirmação sobre quem irá assumir a vaga de Carlos Henrique Oliveira de Sousa, colocado na Superintendência pelo ex-chefe da PF Maurício Valeixo no ano passado, em uma das tentativas de Bolsonaro de intervir no órgão. Para abrir o cargo de Sousa no Rio, ele foi convidado para assumir a secretaria-executiva da corporação, em Brasília. 

Segundo o site O Antagonista, o ex-ministro Sergio Moro afirmou várias vezes em seu depoimento à PF, no sábado (2), que o comando da Superintendência era uma questão sobre a qual o presidente Jair Bolsonaro desejava interferir. Em uma mensagem, o mandatário teria sido enfático e dito: “quero o Rio”. 

Moro falou por cerca de 8h na oitiva parte do inquérito aberto pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello para investigar as acusações feitas pelo próprio ex-juiz ao mandatário. Ao se demitir do governo, Sergio Moro também afirmou que Bolsonaro teria interesse no comando da Superintendência da PF em Pernambuco. O ex-ministro da Justiça acusou Bolsonaro, entre outras coisas, de querer intervir politicamente na PF ― o ato fere a autonomia da instituição e o princípio da impessoalidade. 

De acordo com reportagem do jornal O Globo deste domingo (3), Sergio Moro disse aos investigadores ter sido ameaçado de demissão em uma reunião ministerial do último dia 22 de abril caso não concordasse com a substituição na Superintendência do Rio. O ex-subordinado do governo teria dito no depoimento que esses encontros costumavam ser gravados pelo Palácio do Planalto.

Moro também teria mencionado os ministros militares palacianos Walter Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). Na tarde desta segunda, o procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou que os três sejam ouvidos. 

Também solicitou a oitiva de seis delegados da Polícia Federal: Maurício Valeixo (ex-diretor-geral PF), Ricardo Saadi (antigo superintendente da PF no Rio), Carlos Henrique Sousa (atual superintende da PF no Rio), Alexandre Saraiva (possível indicado para a PF no Rio), Rodrigo Teixeira (foi diretor-geral da PF) e Alexandre Ramagem.

Aras quer informações sobre “eventual patrocínio, direto ou indireto, de interesses privados do Presidente da República perante o Departamento de Polícia Federal, visando ao provimento de cargos em comissão e a exoneração de seus ocupantes”. Quer ainda que a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) fale. 

Por fim, pediu ao STF cópia do vídeo da reunião realizada entre o presidente, o vice-presidente, ministros de Estado e presidentes de bancos públicos no último dia 22 no Palácio do Planalto. 

Outras vezes que Bolsonaro tentou trocar a Superintendência do Rio no ano passado, houve reação interna na Polícia Federal. 

Rolando tomou posse na manhã desta segunda menos de uma hora após sua nomeação para a direção-geral da Polícia Federal ser publicada no DOU (Diário Oficial da União). Ele é braço-direito de Alexandre Ramagem, cuja posse foi impedida na semana passada por uma liminar do ministro do STF Alexandre de Moraes. 

Interlocutores palacianos e fontes do Congresso viram na posse de Rolando uma indicação indireta de Ramagem. 

Consta no currículo do novo diretor-geral da PF, uma passagem pelo comando  da Superintendência de Alagoas onde, ao assumir, comprometeu-se com o combate à corrupção. Em 2017, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Rolando Souza, quando foi chefe o Serviço de Repressão a Desvios de Recursos Públicos (SRDP), afirmou que políticos corruptos são mais perigosos que “traficantes de esquina”. 

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