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04/10/2019 12:14 -03 | Atualizado 04/10/2019 20:25 -03

Ministro do Turismo é denunciado pelo MP no caso do 'Laranjal do PSL'

No esquema, ao qual Álvaro Antônio é investigado, há indícios de fraude na participação de candidatas mulheres que receberam volume considerável de dinheiro, mas tiveram poucos votos.

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O Ministério Público estadual de Minas Gerais ofereceu denúncia contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em uma investigação em que ele é alvo sobre uso de candidaturas-laranjas do PSL naquele Estado nas eleições passadas.

A acusação criminal tem como base o indiciamento feito pela Polícia Federal do ministro do Turismo. Antônio presidiu o diretório mineiro do PSL ―partido do presidente Jair Bolsonaro―e é suspeito de envolvimento na escolha de candidaturas de fachada com o objetivo de desviar recursos públicos do fundo eleitoral.

Caberá à Justiça decidir se acata ou não a denúncia contra o ministro. Se isso ocorrer, ele vira réu e vai responder a um processo criminal no qual poderá ser condenado ou absolvido.

Em nota, o ministro afirmou que “ainda não foi notificado oficialmente da decisão, mas reafirma sua confiança na Justiça e reforça sua convicção de que a verdade prevalecerá e sua inocência será comprovada”.

Segundo ele, a investigação começou como base uma campanha difamatória e mentirosa, o ministro reitera que não cometeu qualquer irregularidade na campanha eleitoral de 2018.

O presidente Jair Bolsonaro ―que se elegeu ancorado em forte discurso de combate à corrupção― tem resistido desde o início do ano a demitir Marcelo Álvaro Antônio.

Nesta sexta-feira (4), o porta-voz Otávio Rêgo de Barros afirmou à Folha de S.Paulo que “o presidente aguardará o desenrolar do processo para tomar uma decisão, e o ministro permanece no cargo enquanto isso”.

Bolsonaro já chegou a dizer que tem de ter “acusação grave” para retirá-lo do cargo. 

“Laranjal”

A PF apurou envolvimento do deputado federal licenciado nos crimes de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro quando Álvaro Antônio era presidente do PSL em Minas Gerais. No esquema, as mulheres seriam usadas para cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas.

De acordo com as investigações, há indícios de fraude na participação de supostas candidatas mulheres que receberam volume considerável de dinheiro, mas tiveram poucos votos. A suspeita é que elas eram laranjas, ou seja, não fizeram campanha e devolveram recursos ao partido de Bolsonaro.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, de R$ 279 mil repassados pelo PSL a 4 candidaturas femininas, ao menos R$ 85 mil foram destinados a 4 empresas de pessoas ligadas a Álvaro Antônio.

As investigações levaram à prisão do assessor especial do ministro Mateus Von Rondon em 27 de junho, em Brasília, na operação Sufrágio Ostentação. No mesmo dia, foram presos em Ipatinga (MG) um dos coordenadores da campanha de Álvaro Antônio à Câmara em 2018, Roberto Silva Soares, e um ex-assessor do ministro na Câmara, Haissander Souza de Paula.

Em 1º de julho, os três foram liberados e indiciados pela Polícia Federal por suspeita dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

Segundo a Polícia Federal, Von Rondon era dono de uma empresa de fachada, usada no esquema criminoso. A companhia aparece na prestação de contas de 4 candidatas a deputada estadual e federal suspeitas de terem sido usadas como laranjas em Minas. A soma dos valores que Lilian Bernardino, Naftali Tamar, Débora Gomes e Camila Fernandes declararam ter pago ao assessor é de R$ 32 mil.

Primeiro-secretário do diretório do PSL em Minas, Roberto Silva Soares, por sua vez, é suspeito de negociar devoluções de quantias pelas candidatas suspeitas. Ele é o atual primeiro-secretário do diretório do PSL em Minas.

O irmão do ex-coordenador de campanha de Álvaro Antônio é sócio de duas empresas elencadas como prestadoras de serviços eleitorais às candidatas investigadas que teriam recebido R$ 44,9 mil de duas supostas candidatas.

Ainda segundo as investigações, o papel de Haissander, era cobrar das envolvidas no esquema  devolução da verba pública de campanha.