ENTRETENIMENTO
09/02/2020 21:41 -03 | Atualizado 09/02/2020 22:06 -03

'Esse filme é uma carta de amor ao Brasil', diz Petra Costa no Oscar 2020

Cineasta poderia se tornar a primeira diretora latino-americana a ganhar uma estatueta, mas seu filme perdeu para "Indústria Americana".

Reprodução/Instagram
A cineasta brasileira Petra Costa no tapete vermelho do Oscar 2020.

“Estou muito feliz de estar aqui representando o Brasil”, disse a diretora brasileira Petra Costa ao chegar, na noite deste domingo (9), no tapete vermelho da cerimônia do Oscar 2020

A cineasta contou que fez de tudo para que os membros da Academia assistissem seu filme, Democracia em Vertigem, que concorre ao Oscar de Melhor Documentário.

“O grande trabalho aqui foi me dedicar a ir a eventos e tentar fazer com que os membros da Academia criassem curiosidade para ver o filme. Tinha de dar entrevistas, cavar espaço, chamar a atenção para o Brasil. Falta interesse aqui sobre o Brasil. As pessoas falam muito do oriente médio e questões dos próprios Estados Unidos. Levar essa atenção ao Brasil foi um exercício.”

Logo depois, a Petra explicou o que pretendia alcançar com seu filme e sobre a decepção com os rumos do País desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016.

“Esse filme é uma carta de amor ao Brasil. Ao País que eu sonhava que ia ter. Eu cresci tendo a certeza de que a democracia era uma coisa certa e foi muito triste perceber desde aquela primeira manifestação que eu filmei o que estava acontecendo. A semente do fascismo que estava brotando nas ruas em alguns momentos e que vem se alastrando.”, contou a cineasta, que acrescentou:

“Eu acredito que isso não é da alma brasileira. Nós somos um povo que consegue lidar com as diferenças. É claro que ainda há um racismo institucional que a gente tem que continuar lutando contra, mas esse ódio não faz parte da nossa natureza, e eu espero que nós consigamos nos curar disso.”

Sobre soluções para o que ela considera um período “doente” que o País vem passando, Petra concluiu: “A cura do Brasil depende do voto de cada um. Eu não aguento mais ouvir as pessoas falando que político é tudo igual, que todo político rouba. Isso é o segredo para nós continuarmos perpetuando as desigualdades que a gente tem no Brasil. Estando dento do Congresso, ganhei um respeito muito grande por deputados que estão ali, lutando no dia a dia para preservar os direito mínimos da Amazônia, do povo indígena, das mulheres. A gente tem que barrar esse avanço fundamentalista.”