LGBT
11/02/2020 03:00 -03

O modelo Kenny Jones quer acabar com o estigma em torno de homens transgênero que menstruam

Ele apareceu no filme “Pandora’s Box: Lifting the Lid on Menstruation”, durante o Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, nos Estados Unidos, em janeiro.

Com um documentário novo e ousado, a cineasta Rebecca Snow quer derrubar o estigma em torno da menstruação – no que diz respeito não apenas às mulheres, mas também às pessoas transgênero, não-binárias e intersexo.

O HuffPost assistiu a um trecho de Pandora’s Box: Lifting the Lid on Menstruation (Caixa de Pandora: Levantando um ponto sobre menstruação, em tradução livre), antes de sua estreia norte-americana no Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, nos Estados Unidos. No clipe, o modelo e ativista britânico Kenny Jones fala da angústia física e emocional pela qual passou quando era um jovem adolescente transgênero e começou a menstruar.

“Tive minha primeira menstruação com 15 anos mais ou menos e odiei”, conta Jones, que hoje tem 25, no clipe que pode ser visto acima. “Eu podia enfaixar meu peito, então não precisava me preocupar com isso. Ninguém ia olhar para meu ‘andar de baixo’, mas eu não tinha como impedir o que a menstruação fazia comigo.”

Hoje em dia Jones aproveita sua experiência para falar publicamente contra a chamada “pobreza menstrual”, conscientizando as pessoas sobre as dificuldades que muitas pessoas trans enfrentam para ter acesso a produtos higiênicos menstruais. Ele é um entre vários ativistas globais que aparecem em Pandora’s Box, que examina a vergonha cultural histórica associada à menstruação, além de seu impacto político e ambiental.

Rebecca Snow
"Pandora’s Box: Lifting the Lid on Menstruation" teve sua estreia norte-americana em janeiro no 2020 Santa Barbara International Film Festival. 

Pandora’s Box nasceu como um projeto especial da produtora executiva Carinne Chambers-Saini, CEO da Diva International, empresa canadense de produtos menstruais. Ela procurou Rebecca Snow, de Toronto, em 2018 para propor a criação de um documentário sobre o movimento menstrual.

A produção do filme levou Snow à África, onde ela entrevistou meninas quenianas que faltam às aulas quando estão menstruadas porque não têm acesso a produtos de higiene menstrual. Nos Estados Unidos a diretora conversou com mulheres que contaram como foram impedidas de conseguir absorventes internos ou externos enquanto estiveram na prisão.

“Minha missão foi pintar um retrato global da questão da menstruação”, disse Snow, cujos filmes anteriores incluem Cheating Hitler: Surviving the Holocaust, exibido pelo History Channel. “Eu nunca havia parado para pensar nas injustiças e desigualdades sofridas por tantas pessoas afetadas por essa função corporal natural.”

Quanto ao depoimento de Kenny Jones em particular, a diretora comentou: “Fiquei surpresa de ouvir Kenny dizer que ainda sofre cólicas menstruais, apesar dos hormônios que toma. Duvido que muitas pessoas tenham parado para refletir sobre os efeitos psicológicos disso entre pessoas trans.” 

A recepção crítica dada a “Pandora’s Box”, que teve sua estreia mundial em dezembro no Festival Whistler de Cinema, no Canadá, vem sendo positiva. Mas Rebecca Snow gostaria que as plateias ficassem “enfurecidas e inspiradas” com o filme.

“Tudo o que mostro não é algo que está acontecendo apenas em países em desenvolvimento”, ela explicou. “Temos uma cultura do silêncio em torno da menstruação, algo profundamente arraigado em nossa sociedade. Fizemos o filme para levar as pessoas a começarem a falar desse assunto.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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