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29/05/2020 19:13 -03

1 em cada 5 brasileiros furou o isolamento porque estava cansado de ficar em casa, diz pesquisa

Levantamento do Ministério da Saúde também mostra que mulheres higienizam mais as mãos e os objetos para evitar contaminação pelo novo coronavírus.

Entre os motivos apontados pelos brasileiros para furarem o isolamento social, 20,5% disseram que estavam entediados ou cansados de ficar em casa, de acordo com a pesquisa Vigitel COVID-19, feita pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e divulgada nesta sexta-feira (29).

Os dados foram coletados em dois ciclos: 2.115 entrevistas entre 1º e 10 de abril e 2.007 entrevistas entre 25 de abril a 5 de maio.

Segundo a pesquisa, 87,1% dos adultos precisaram sair de casa ao menos uma vez na última semana anterior à coleta de dados. O motivo mais recorrente foi comprar alimentos (75,3%), seguido por trabalhar (45%), procurar serviço de saúde ou farmácia (42,1%), seguido por estar entediado. Outras razões apontadas foram visitar familiar ou amigo (19,8%), praticar atividade física (13,6%) e caminhar com animal de estimação (5,6%).

O isolamento social tem como objetivo desacelerar o ritmo de transmissão do novo coronavírus para evitar um colapso do sistema de saúde. Os leitos hospitalares chegaram ao limite em cidades como Manaus (AM), Belém (PA), Recife (PE) e Rio de Janeiro.

Questionada sobre futuras ações do governo federal para conscientizar a população, Luciana Sardinha, coordenadora-geral de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis do ministério, afirmou que serão reforçadas ações de comunicação em curso, mas não haverá novas iniciativas.

Quando estava à frente da pasta, Nelson Teich chegou a prometer uma campanha para mobilizar os brasileiros a ficarem em casa.

William Rodrigues dos Santos via Getty Images
O isolamento social tem como objetivo desacelerar o ritmo de transmissão do novo coronavírus para evitar um colapso do sistema de saúde.

Entre os problemas que incomodaram os entrevistados nas duas últimas semanas anteriores à pesquisa, o mais recorrente foi dificuldade em dormir ou dormir mais do que de costume (41,7%), seguido por falta de apetite ou comendo demais (38,7%).

O levantamento também revelou que as mulheres adotam mais medidas preventivas do que os homens. No primeiro ciclo, 77,7% dos homens disseram higienizar as mãos e objetos tocados com frequência para evitar a contaminação enquanto o percentual foi de 87,3% entre mulheres. No segundo ciclo da pesquisa, foram 80,2% dos homens e 88,6% das mulheres.

Fatores de risco

O Ministério da Saúde também divulgou dados sobre fatores de risco para covid-19, como diabetes, tabagismo e obesidade. De acordo com dados da pesquisa Vigitel, conduzida pelo Ministério da Saúde, houve um aumento de 35% entre 2006 e 2019 dos adultos com diagnóstico de diabetes. O número chegou a 7,4% no ano passado. A prevalência de diabetes é de 23% nas pessoas com 65 anos ou mais. Há também uma concentração na população com menor escolaridade 14,8% entre os que estudaram até 8 anos.

Entre 2006 e 2019, o diagnóstico médico de hipertensão ficou estável, sendo 24,5% da população adulta no ano passado. O indicador sobe para 59,3% nas pessoas com 65 anos ou mais e registra 41,5% para quem tem até 8 anos de escolaridade.

Quanto à obesidade, o Brasil atingiu em 2019 a maior prevalência em adultos em 14 anos: 20,3% da população adulta tem IMC ( Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 30 kg/m2. O indicador é de 24,5% nas pessoas entre 45 e 54 anos e de 24,2% entre quem tem até 8 anos de escolaridade. Já a prevalência de fumantes ativos caiu 37,6% entre 2006 e 2019, quando atingiu 9,8%.