5 perguntas que você deve fazer antes de um encontro em tempos de pandemia

Se você quer sair com alguém, estas são as conversas que vocês devem ter sobre o coronavírus.

Kaitlyn McQuin, uma atriz e roteirista de 28 anos que mora em New Orleans, diz que seu círculo de contatinhos anda muito “restrito” durante a pandemia. Ela conversou com uma pessoa pelo telefone, em março, e no começo de junho eles se encontraram pessoalmente — num parque, onde pudessem manter uma distância segura. Para te certeza de que um encontro será seguro hoje em dia, é preciso ter um novo tipo de conversa.

“Quero saber se a pessoa está encontrando muita gente, se usa máscara em público – dica: use! – e se tiveram sintomas ou ficaram doentes”, diz McQuin ao HuffPost US. “É uma pandemia, então não vejo problema algum em recusar-se a sair com alguém se a pessoa não respeita os limites que você impõe.”

“Além disso, usar máscara e tomar precauções indica preocupação com o outro. E quem se preocupa com o outro me atrai”, afirma ela. “Se alguém me disser que não está tomando cuidados, ou que eles não são necessários, dou tchau rapidinho.”

Então que tipo de conversa você deve ter antes de um encontro cara a cara? Os especialistas dão dicas do que perguntar, e como.

As perguntas a fazer

Essas são as perguntas que você deveria fazer às pessoas com quem quer sair, dizem os especialistas em saúde.
Essas são as perguntas que você deveria fazer às pessoas com quem quer sair, dizem os especialistas em saúde.

Quando se trata de socialização pessoalmente, não existem interações de risco zero, disse Jenna Macciochi, imunologista da Universidade de Sussex.

“E, se você não conhece a pessoa, elas também podem estar mentindo”, afirma ela. Então o ideal é ter essa conversa antes de um encontro – de preferência por vídeo ou telefone.

“É uma conversa crucial e, se você não se sente à vontade com a ideia, melhor não discutir os planos de encontrar-se pessoalmente”, diz Erin Sorrell, professora assistente do departamento de microbiologia e imunologia da Universidade Georgetown. “Sua saúde e bem-estar devem ser a prioridade, não sua vida amorosa.”

É compreensível que essas conversas sejam intimidadoras, especialmente com alguém que você está conhecendo. Encare-as como uma curiosidade, um diálogo honesto – mas nunca hostil – com a outra pessoa.

“A sinceridade é essencial nesse tipo de conversa”, diz Janet Brito, psicóloga e terapeuta sexual de Honolulu, no Havaí. “Ser claro sobre suas necessidades não significa ser mau. O importante é como dizer certas coisas. Preste atenção em seu tom e sua linguagem corporal para transmitir uma sensação de segurança. Isso ajuda o outro a falar mais livremente sobre o que pensa e sente.”

O tipo de resposta que você ouvir também pode ser revelador.

“Acho melhor sair com alguém que tenha uma visão parecida com a sua em termos da administração dessa crise de saúde pública”, diz Brito.

Faça as seguintes perguntas para ter clareza dos riscos envolvidos:

Como é um dia típico para você durante a pandemia?

“Isso vai dar uma boa ideia dos fatores de risco da pessoa – ela trabalha em casa? Ou vai a algum espaço que a coloca em risco de se infectar?”, diz a infectologista Krutika Kuppalli, vice-presidente do IDSA Global Health Committee.

Se a pessoa trabalha na linha de frente – na área de saúde, em supermercados, polícia ou fazendo entregas – isso provavelmente significa maiores riscos, diz Macciochi.

Você teve algum sintoma de covid-19 nas últimas semanas?

Os sintomas incluem – mas não se limitam a – tosse, febre, dor de garganta e a perda do paladar ou do olfato.

“Se a pessoa teve algum sintoma, recomendo não encontrá-la pessoalmente até que elas façam um teste e confirmem que não estão com covid-19”, diz Vandana A. Patel, pulmonologista e assessora clínica da startup farmacêutica Cabinet. “E, de qualquer maneira, é importante sempre tomar precauções nos encontros – usando máscara.”

Você teve contato próximo com alguém que está com covid-19?

Pode ser um amigo, um parente ou um colega que confirmou a infecção fazendo um teste ou então pessoas que tiveram sintomas e acreditam ter pegado a doença. Você também pode perguntar se a pessoa esteve em situações que possam ser consideradas de risco, como viagens ou protestos, afirma Patel.

“Existem muitos casos assintomáticos de covid-19”, acrescenta ela.

Com quem você mora?

É bom perguntar se a pessoa mora com os pais ou avós, ou então se faz parte do grupo de risco – por causa da idade ou de algum problema de saúde. Ou talvez elas dividam a casa com alguém que trabalha num hospital, por exemplo, o que significa um risco maior.

“Isso ajuda a ter ideia dos eventuais cuidados extra que você terá de tomar”, diz Kuppalli.

Você anda saindo com amigos ou em encontros românticos?

Se a pessoa mantém contato com gente além da família ou dos colegas de casa, é importante saber com certeza que tipo de cuidados ela está tomando. Pergunte se os encontros aconteceram ao ar livre, se envolveram muita gente, com que frequência, se todos estavam de máscara e mantiveram a distância segura.

“Quanto mais gente – especialmente em contatos íntimos – a pessoa encontrou, maiores as chances de ela ter contraído covid-19”, afirma Kuppalli. “E isso também significa um risco maior para você.”

Ideias para um encontro seguro

Se você que encontrar alguém, melhor fazê-lo ao ar livre.
Se você que encontrar alguém, melhor fazê-lo ao ar livre.

Se vocês decidiram se encontrar depois de ter essa conversa, pense em algo que minimize os riscos para ambos. Todos os especialistas que consultamos concordam que o ideal é pensar em algo ao ar livre. Caminhar, fazer um hike, pedalar ou fazer um piquenique (cada um pode levar seus próprios talheres e comida) – sempre evitando contato muito próximo. E não esqueça da máscara para os momentos em que vocês não puderem manter uma distância segura.

“Os maiores riscos de exposição são ambientes fechados, contatos próximos e ausência de máscara”, afirma Sorrell.

Evite a área interna de bares e restaurantes, além de aglomerações, recomenda Kuppalli.

“Se alguém me disser que não está tomando cuidados, ou que eles não são necessários, dou tchau rapidinho”

- Kaitlyn McQuin, atriz e roteirista

Depois do encontro, se um dos dois apresentar sintomas, é importante avisar ao outro o mais rápido possível. Assim vocês podem se isolar, avisar outras pessoas com quem tiveram contato e fazer o teste.

“Por isso é tão importante ter conversas sinceras”, diz Sorrell. “Você precisa ter confiança de que a pessoa que você vai encontrar vai te avisar se ficar doente. Se você tiver sintomas, procure um médico, faça o teste e avise as pessoas com quem manteve contato para que elas também tomem as providências necessárias. Você deve fazê-lo com todas as pessoas do seu círculo próximo, e elas devem fazer o mesmo com seus respectivos círculos.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.