COMPORTAMENTO
27/04/2019 01:00 -03

8 mitos e crenças a respeito do pênis para você desconstruir

O tamanho do pé realmente revela algo do "pacote"? Pedimos respostas a alguns urologistas.

Illustration By Isabella Carapella For HuffPost
Os mitos sobre o tamanho e formato do pênis são inúmeros.

O que acontece com os pênis curvos? O tamanho dos sapatos de um homem realmente é indicativo do tamanho de seu pinto? Para responder a essas e outras perguntas penianas urgentes, conversamos com médicos de pênis – bom, na realidade são conhecidos como urologistas – para conseguir algumas respostas inequívocas e duras. Isso mesmo! 

MITO: É possível “quebrar” ou fraturar o pênis.

VERDADE: Dizer que se pode quebrar o pênis é um pouco de exagero, mas é possível, sim, fraturar seu amigo quando ele está ereto, disse Michael Reitano, médico da empresa de atendimento médico Ro.

“As fraturas penianas são raras, mas acontecem”, disse. “Uma fratura geralmente é acompanhada por um som alto de algo quebrando ou rachando, além de dor lancinante. É seguida universalmente por uma rápida perda da ereção.” (Não brinca!)

Seguem-se inchaço e contusão grave. “Podem ocorrer rasgos em vasos sanguíneos ou um corte da uretra, o tubo que conduz a urina”, explicou Reitano. “Pode ser necessária cirurgia para reparar os danos, e as complicações de longo prazo podem incluir cicatrizes, um pênis torto, disfunção erétil, dificuldade para urinar e dificuldade em alcançar o orgasmo.”

Quais são as posições mais comuns ligadas à fratura do pênis, segundo o médico? Em primeiro lugar, o sexo com a mulher por cima, e em segundo a posição de cachorrinho.

MITO: Há aqueles que crescem e os que aparecem.

VERDADE:  Verdade! Se você é um daqueles que aparece (#abençoado), seu pênis parece grande e no controle da situação o tempo todo e não fica muito mais comprido durante o ato sexual. No caso dos homens que crescem, há uma diferença relativa no comprimento do pênis quando está flácido ou ereto, disse o urologista Paul Turek, diretor da Clínica Turek, em San Francisco.

“A maioria de nós gostaria de fazer parte da turma dos que aparecem, mas o que ocorre é o contrário: 4 em cada 5 homens integram o bando dos que crescem, enquanto apenas 1 é dos que aparece”, explicou. “Mas o que é importante é que os pênis flácidos menores tendem a ganhar mais comprimento quando eretos do que os pênis flácidos maiores. É o jeito que a natureza tem de garantir um pouco de igualdade em matéria do tamanho dos pênis.”

Larry Washburn via Getty Images
Um pênis curvo é totalmente normal para a maioria dos homens. 

MITO: Um pênis curvo não é normal. O pênis deveria ser totalmente reto.

VERDADE: Há pênis de todos os tamanhos e todas as formas. Um pênis curvo geralmente não é problema – alguns dizem que ele até é melhor para atingir o ponto G durante a relação sexual.

Para o urologista Aaron Spitz, autor de The Penis Book: A Doctor’s Complete Guide to the Penis, um pouco de ângulo é normal, mas uma curva muito acentuada pode ser problemática, sim.

Essa condição, conhecida como a doença de Peyronie, é provocada pelo espessamento e enrijecimento de uma área dos cilindros normalmente flexíveis que se enchem de sangue para criar uma ereção, ele explicou. Acredita-se que a doença afete cerca de 6 em cada 10 homens na faixa dos 40 aos 70 anos.

“Pelo fato de a área afetada não esticar e se expandir como o resto do revestimento dos cilindros, isso gera um ângulo ou curva, frequentemente acompanhado também por um encurtamento e amolecimento da ereção, algo que pode dificultar ou até impossibilitar a relação sexual”, ele disse. Por sorte esse problema pode ser tratado por um urologista experiente.

MITO: O tamanho do sapato — e portanto do pé — de um homem revela muito sobre o tamanho de seu pênis.

VERDADE: Não. Em um estudo de 2002 publicado no British Journal of Urology, pesquisadores concluíram que a ideia de que exista uma relação entre comprimento do pênis e tamanho de sapato — ou do pé — não tem base científica.

Para garantir precisão – o tamanho do pênis é algo que não queremos que as pessoas informem elas próprias, porque isso inevitavelmente leva a estimativas excessivas ―, os médicos mediram o comprimento do pênis flácido, mas totalmente esticado, de cada homem participante do estudo. Apesar de haver uma diversidade muito grande nos tamanhos dos sapatos (que variaram de 36 a 45) e no comprimento dos pênis (entre 6 centímetros e 18 centímetros), não havia correlação entre as duas coisas.

PeopleImages via Getty Images
Não se deixe impressionar por esta foto. Não há correlação entre tamanho de calçado e tamanho do pênis.

MITO: Os homens sentem muito menos quando transam de camisinha.

VERDADE: Sim, aquela camada de borracha pode reduzir a sensibilidade peniana dos homens, mas existem maneiras de deixar o sexo com camisinha mais prazeroso. Turek recomendou não usar camisinha justa demais e procurar a camisinha mais fina possível. Em segundo lugar, lembre que o lubrificante sempre é seu amigo e que, usado corretamente, deixará o uso da camisinha muito, muito melhor.

Se a camisinha ainda incomoda você, pare para refletir que você tem sorte: as camisinhas de hoje são tremendamente melhores do que as que os homens usavam no passado.

“É bom saber que os contraceptivos de barreira modernos são infinitamente melhores do que os de intestino de porco, borracha vulcanizada e tecido de linho usados nos últimos séculos”, concluiu Turek.

Suparat Malipoom / EyeEm via Getty Images
A camisinha é bem melhor quando o tamanho é correto e o material é fino.

MITO: Ejaculações diárias prejudicam sua contagem de espermatozoides.

VERDADE: A masturbação diária ou o sexo diário com outra pessoa vão reduzir sua contagem de espermatozoides, mas apenas temporariamente.

“Isso não vai reduzir sua produção de espermatozoides. Apenas esvazia o estoque que já está na prateleira, por assim dizer”, disse Spitz.

Se você e sua parceira estiverem tentando engravidar, a masturbação frequente pode até trazer algumas vantagens.

“Um fato interessante é que quando um homem ejacula com frequência, sua contagem de espermatozoides diminui, mas a qualidade desses espermatozoides melhora, já que eles não ficaram tanto tempo esperando para entrar em ação”, disse Spitz. “Para alguns homens é possível que exista um efeito de ‘vida útil’ dos espermatozoides.” 

MITO: Os testículos doem quando o homem passa períodos prolongados de excitação sexual sem chegar ao orgasmo.

VERDADE: Sim, o chamado “blue balls” realmente é algo que acontece, mas geralmente não dói muito, disse Turek. (Ele sugere que, se o homem sente dor real quando faz sexo, deve procurar um médico. É possível que haja outros problemas médicos que precisem ser verificados, incluindo espasmos do músculo pélvico, inflamação da próstata ou uma infecção.)

“O que acontece com os ‘blue balls’ é o seguinte: como um espirro, a ejaculação é um reflexo”, ele explicou. “Ambos encerram fases de ‘preparação’ e de ‘liberação’. A emissão é quando você joga a cabeça para trás e fecha os olhos, e o espirro é a ejaculação de fato.”

É durante a emissão que os espermatozoides são bombeados do escroto, passando pelo canal deferente, para a próstata, ele explicou.

“Como o sêmen é carregado durante o ato, se ele não for liberado pode ocorrer a sensação de dor nos testículos”, disse Turek. “Não é extremamente doloroso. É principalmente desagradável ou incômodo.”

MITO: A circuncisão reduz o prazer sexual.

VERDADE: A resposta aqui não é inequívoca. Um estudo de 2013 concluiu que homens circuncidados relatam um pouco menos sensibilidade sexual que os outros. Mas críticos no campo da medicina disseram que o estudo usou uma amostra enviesada de homens e não mediu as mudanças de sensibilidade antes e após a circuncisão.

“Ainda não temos uma resposta clara a essa questão”, falou Turkel. “Entre meus pacientes circuncidados na idade adulta, nenhum homem relatou sentir menos prazer sexual depois de passar pelo procedimento. Na realidade, muitos relatam sensibilidade peniana aumentada pelo fato de o pênis constantemente exposto ser esfregado contra as roupas e outras superfícies.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.