POLÍTICA
17/07/2019 14:25 -03

PDT abre processo contra Tabata e outros 7 deputados rebeldes na reforma da Previdência

Os parlamentares que desrespeitaram orientação do partido estão com as atividades partidárias suspensa.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Enquanto o PDT chama a reforma de "covardia", a deputada Tabata Amaral acredita que o sistema atual "é um impasse ao desenvolvimento do País". 

O PDT decidiu abrir processo disciplinar contra Tabata Amaral (SP) e outros sete deputados rebeldes que não seguiram orientação da legenda na votação da reforma da Previdência. Com isso, eles estão com as atividades partidárias suspensas enquanto a Comissão de Ética analisa do caso. O prazo é de até 60 dias.

De acordo com a legenda, todos nesse período poderão apresentar sua defesa. Para o presidente do PDT, Carlos Lupi, ainda dá tempo aos parlamentares mudarem de posição. A proposta de emenda à Constituição que altera as regras da aposentadoria no País será votada em segundo turno no início de agosto.

“O ser humano vive da evolução. E acho que todos podem evoluir durante esse processo”, disse Lupi, em nota do PDT.

Ele ressaltou que a sigla tem uma proposta paralela “à essa covardia contra os trabalhadores brasileiros” que está sendo apresentada pelo ex-ministro Ciro Gomes.

Além de Tabata, foram punidos Alex Santana (BA), Subtenente Gonzaga (MG), Silvia Cristina (RO), Marlon Santos (RS), Jesus Sérgio (AC), Gil Cutrim (MA) e Flávio Nogueira (PI).

Movimentos

O partido estabeleceu ainda que não vai mais filiar políticos patrocinados por organizações ou movimentos políticos, como o Acredito — ao qual a deputada Tabata faz parte.

“Quem quer seguir com patrocínio privado de sistema financeiro, de homens muito ricos, muito poderosos tem 36 partidos para ir. O PDT não quer”, disse Lupi, de acordo com a Folha de S.Paulo.

No dia da votação da reforma da Previdência, Tabata justificou sem voto com base no posicionamento do Acredito.

“Se há críticas a pontos de reforma, por que não fechar questão contrária à proposta do governo?

O Movimento Acredito se propôs a realizar uma análise minuciosa de todos os pontos contidos na PEC enviada à Câmara. Fugimos de um debate raso e fácil, e evitamos promover ainda mais a polarização. Buscamos dados e evidências para explorar os argumentos e orientar a tomada de decisão de forma que, para nós, fechar a questão contra a proposta do governo era ignorar que a Previdência é um assunto sério e que necessita de uma revisão e um tratamento igualmente sério. Dessa forma, preferimos adotar um comportamento mais propositivo, não sendo oposição apenas pela oposição, mas analisando ponto a ponto a Reforma proposta e propondo alterações aos tópicos que consideramos que, da forma como apresentados pelo governo, contribuem para aumentar desigualdades e perpetuar privilégios e irresponsabilidade fiscal.”

Ela também argumentou porque votaria a favor do texto por consciência. “Não é um voto por dinheiro. (…) Hoje, a Previdência tira dinheiro de quem menos tem e transfere para os mais ricos. Ela é um impasse ao desenvolvimento do País”, disse.