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19/02/2019 12:11 -03 | Atualizado 19/02/2019 12:12 -03

Paulo Preto mantinha 'bunker' com dobro do dinheiro encontrado no apartamento de Geddel

Operador, preso nesta terça, colocava notas para secar ao sol para que não apodrecessem no quarto úmido.

José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
O operador Paulo Preto, preso nesta terça-feira, mantinha um 'bunker' com cerca de R$ 100 milhões em espécie.

O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, mantinha um “bunker” com cerca de R$ 100 milhões em espécie - o dobro do que foi encontrado no apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima em setembro de 2017.

Paulo Preto foi preso na manhã desta terça-feira (19) na 60ª fase da operação Lava Jato. Ele é aportado como o operador financeiro responsável por fornecer recursos para o esquema de propinas da empreiteira Odebrecht. A suspeita é que ele operava para o PSDB.

Aos jornalistas, em Curitiba, o procurador Roberson Pozzobom disse que Paulo Preto mantinha um apartamento em São Paulo somente para guardar o dinheiro do esquema.

Ainda segundo Pozzobom, a quantia de dinheiro era tanta, que às vezes Paulo Preto colocava uma parte das notas ao sol para que não apodrecessem no quarto úmido.

“O bunker do Paulo Preto talvez tivesse o dobro [do encontrado] no bunker do Geddel [Vieira Lima]”, disse o procurador. A imagem das malas de Geddel com R$ 51 milhões no apartamento do ex-ministro em Salvador causaram revolta em todo o país.

A existência de um “bunker” do operador tinha sido relatado por delatores da Lava Jato, entre eles o doleiro Adir Assad.

“O preso [Paulo Preto] é um conhecido operador financeiro já indiciado em outras fases da Operação Lava Jato e suspeito de ter fornecido grande parte dos recursos para a empresa. Também foi determinada ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados”, diz a nota da PF divulgada nesta terça.

A PF também fez buscas em endereços ligados ao ex-senador e chanceler Aloysio Nunes (PSDB).

A nova fase, batizada de Ad Infinitum, apura um esquema de lavagem de dinheiro existente entre 2010 e 2011 por meio do qual operadores financeiros repassavam dinheiro para o esquema de propinas da Odebrecht, conhecido como Setor de Operações Estruturadas.

 

* Com informações da Reuters