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12/08/2020 07:04 -03

Paulo Guedes admite 'debandada' com saída de 2 secretários especiais

Pasta já perdeu 4 secretários nos últimos meses; Segundo Guedes, Salim e Uebel estavam insatisfeitos com andamento das privatizações e da reforma administrativa.

ASSOCIATED PRESS
"O que eu disse para ele [Salim Mattar] é que para privatizar cada um tem que lutar, não adianta ficar esperando Papai do Céu", disse Guedes.

Os secretários especiais do Ministério da Economia Salim Mattar (Desestatização) e Paulo Uebel (Desburocratização) pediram demissão na terça-feira (11), disse o ministro da pasta, Paulo Guedes, a jornalistas na noite passada, afirmando que houve uma “debandada” da sua equipe.

Com essas novas baixas, chega a quatro o número de secretários de Guedes que deixaram o governo nos últimos meses.

Segundo o próprio ministro, os pedidos de Salim – que é seu amigo pessoal – e Uebel foram feitos pela insatisfação dos dois secretários com o andamento das privatizações e da reforma administrativa.

“Senhores, quem dá o timing das reformas é a política. Quem tem voto é a política”, disse Guedes aos jornalistas.

O ministro foi irônico ao comentar a postura dos assessores e afirmou que a reação do governo será agir para acelerar reformas e atrair investimentos.

“O que ele me disse é que é muito difícil privatizar, que o establishment não deixa”, afirmou Guedes ao relatar a justificativa de Salim Mattar para deixar o cargo. “O que eu disse para ele é que para privatizar cada um tem que lutar, não adianta ficar esperando Papai do Céu.”

Segundo Guedes, Uebel se contrariou com o atraso no encaminhamento da reforma administrativa. 

O que ele [Salim Mattar] me disse é que é muito difícil privatizar, que o establishment não deixa. O que eu disse para ele é que para privatizar cada um tem que lutar, não adianta ficar esperando Papai do CéuPaulo Guedes, ministro da Economia

“Hoje houve uma debandada”, afirmou o ministro, depois de argumentar que saídas recentes de outros membros da equipe não podiam ser classificadas dessa forma.

Em julho, deixaram o governo o então secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, e o diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda, Caio Megale. O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, também pediu demissão, argumentando, em sua carta de renúncia, que o banco precisava de “renovação para enfrentar os momentos futuras de muitas inovações no sistema bancário”.

Antes disso, o então secretário especial de Comércio Exterior, Marcos Troyjo, havia saído do cargo para assumir, em maio, a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics.

“O caso anterior não era uma debandada. O Mansueto ficou conosco um ano além do combinado, numa atitude generosa. O Caio tinha chegado um pouco depois, saiu um pouco antes também, e o Troyjo não saiu, está conosco”, disse, acrescentando que Novaes, aos 75 anos, estava cansado, preferiu ficar perto dos netos e “não gostou dos ares de Brasília”.

“A nossa reação à debandada que aconteceu hoje é acelerar as reformas, é mostrar que olha, nós vamos privatizar, nós vamos insistir nesse caminho, pelo menos nós vamos lutar, vamos destravar os investimentos, saneamento, cabotagem, gás natural, petróleo, nós vamos avançar”, disse Guedes.

Sobre privatizações, ele citou como prioridades Eletrobras, Correios, PPSA (Pré-Sal Petróleo) e Docas de Santos.