MULHERES
05/09/2019 17:34 -03 | Atualizado 05/09/2019 21:40 -03

‘A mulher é feia mesmo', diz Paulo Guedes sobre Brigitte Macron, primeira-dama da França

Declaração foi dada em evento para empresários nesta quinta. Ministro divulgou nota em que pede desculpas e classifica sua fala como "brincadeira".

Adriano Machado / Reuters
Ministro da Economia, Paulo Guedes.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento para empresários realizado em Fortaleza (CE) nesta quinta-feira (5), reconheceu que o presidente Jair Bolsonaro chamou a primeira-dama da França, Brigitte Macron, de feia, concordou com a afirmação e criticou a atenção dada às falas do presidente.

Segundo o Estadão, Guedes havia listado avanços que o País tem conquistado na área econômica ― segundo ele, nas privatizações, na reforma da Previdência e no mercado de gás brasileiro ― e reclamou da imprensa.

O ministro disse que “vê progressos”, mas apontou excesso de atenção da cobertura jornalística sobre as falas de Bolsonaro, se referindo a comentários recentes sobre a primeira-dama Brigitte Macron e Michelle Bachelet.

“Estou vendo progressos, mas a preocupação é se xingaram a Bachelet, se xingaram a mulher do Macron, chamaram a mulher de feia”, disparou em evento para empresários do site Poder360 e pelo grupo Jangadeiro.

“O Macron falou que estão ‘botando’ fogo na floresta brasileira, e o presidente devolveu dizendo que a mulher dele é feia e por isso que ele está falando isso [sobre a Amazônia]”, continuou.

Em seguida, Guedes concordou com a afirmação de Bolsonaro sobre a primeira-dama Francesa. “Tudo bem, é divertido. Não tem problema nenhum, é tudo normal, é tudo verdade mesmo e o presidente falou mesmo. A mulher é feia mesmo”, disse. Sob risos da plateia, ainda completou dizendo que “não existe mulher feia. O que existe é mulher vista pelo ângulo ruim.”

Na noite desta quinta-feira (5), o ministro da Economia divulgou uma nota na qual pede desculpas, classifica a fala como uma “brincadeira”, e diz que o objetivo era ilustrar que “questões relevantes” estão sem espaço público. 

“O ministro Paulo Guedes pede desculpas pela brincadeira feita hoje em evento público em Fortaleza (CE), quando mencionou a primeira-dama francesa Brigitte Macron. A intenção do ministro foi ilustrar que questões relevantes e urgentes para país não têm o espaço que deveriam no debate público. Não houve qualquer intenção de proferir ofensas pessoais”

Os que Bolsonaro disse sobre Macron e Bachelet

Regis Duvignau / Reuters
A primeira-dama da França, Brigitte Macron.

No final de agosto, um seguidor fez um comentário em uma publicação de Bolsonaro sobre a Amazônia utilizando uma imagem em que Michelle Bolsonaro e Brigitte Macron são comparadas: “Entende agora porque Macron persegue Bolsonaro?”, dizia a imagem publicada em rede social.

Ao publicar a imagem, o seguidor comentou: ”É inveja presidente do Macron, pode crê”. O ex-deputado respondeu, endossando: “Não humilha cara. Kkkkkkk”, dando a entender que valida a sugestão de que a beleza de Michelle seria o motivo pelo qual o Macron o “perseguiria” durante a cúpula do G7. 

Após o comentário, Macron, ao ser questionado por um jornalista francês sobre o assunto, disse em entrevista na cúpula do G7 que achava a situação triste e que “as mulheres brasileiras sem dúvida têm um pouco de vergonha [de seu presidente]”. 

Em seguida, Bolsonaro disse a jornalistas que não ofendeu a primeira-dama e que, por este motivo, não pediria desculpas. Dias depoism apagou o comentário em seu post no Facebook.

Reprodução
Bolsonaro responde comentário de seguidor se referindo a Brigitte Macron.

Após crise diplomática gerada pelo comentário do presidente Jair Bolsonaro sobre Brigitte Macron, brasileiras manifestaram apoio à ela e criaram a hashtag #DesculpaBrigitte nas redes sociais. 

“Apenas queria dizer, pois vejo que existem câmeras, duas palavras para os brasileiros e brasileiras, em português: muito obrigada!”, disse Brigitte Macron, em discurso realizado em evento em Pas-de-Calais, na França.

De volta ao francês, a primeira-dama continuou: “Muito, muito obrigada por todos aqueles que se engajaram. Os tempos mudam. Alguns estão no trem da mudança, mas nem todos estão: alguns permaneceram na plataforma.”

Depois da crise diplomática gerada pelo comentário sobre Brigitte Macron, nesta semana, Bolsonaro afirmou que a chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, se intromete na soberania e nos assuntos internos do Brasil, defende “direitos de vagabundos” e atacou pai da ex-presidente do Chile, morto pela ditadura de Pinochet.

“Michelle Bachelet, comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares”, escreveu Bolsonaro no Twitter.

A ex-presidente do Chile, havia apontado, em discurso na ONU, um aumento da violência policial e uma redução do espaço cívico e democrático no Brasil.