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27/03/2019 18:44 -03 | Atualizado 27/03/2019 18:45 -03

Guedes diz que, se ninguém quiser seu serviço, ele não tem apego ao cargo

Ministro da Economia afirma, contudo, que não sairá "na primeira derrota".

Ueslei Marcelino / Reuters

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (27) que não tem apego ao cargo, mas que também não sairá na primeira derrota, após ser questionado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado se permaneceria no posto com a reforma da Previdênciaeconomizando menos que a almejada marca de R$ 1 trilhão.

“Se o presidente apoiar as coisas que eu acho que podem resolver o Brasil, eu estarei aqui. Agora se ou presidente ou a Câmara ou ninguém quer aquilo... eu voltarei para onde eu sempre estive”, afirmou.

“Estou aqui para servi-los, se ninguém quiser o serviço vai ser um prazer ter tentado, mas não tenho um apego ao cargo, [ou] desejo de ficar a qualquer custo, como também não tenho a inconsequência e a irresponsabilidade de sair na primeira derrota. Não existe isso”, completou.

Sobre a tramitação da reforma, o ministro disse acreditar em uma dinâmica virtuosa da democracia, pontuando ter certeza que cada um dos poderes fará seu papel.

Após a Câmara dos Deputados ter aprovado na véspera Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que engessa o Orçamento ainda mais, Guedes avaliou que, do lado negativo, a iniciativa carimba ainda mais os recursos públicos.

“O que vai acontecer com isso é que estoura o teto de gastos mais cedo”, disse.

Por outro lado, ele afirmou que a PEC empodera o parlamentar eleito e que ele não pode ser contrário a essa ideia, já que acredita ser legítimo o deputado direcionar recursos para sua base.

Guedes avaliou ainda que a aprovação da PEC “foi demonstração de poder de uma Casa”.

 

‘Falha dramática’ na articulação

Ainda na comissão, Guedes disse que tem havido “uma falha dramática” por parte do governo na articulação política no Congresso para análise das matérias recebidas.

O ministro avaliou que o envio já feito aos parlamentares da reforma da Previdência e do pacote anticrime é uma prova de que o Executivo está trabalhando e tentando acertar. Mas o ministro sinalizou ver problemas para a tramitação das matérias.

“Quando ele (governo) parte para as ações no Congresso, o principal opositor dele é ele mesmo. Está falhando... alguma coisa do nosso lado”, disse.