OPINIÃO
27/09/2020 03:00 -03 | Atualizado 27/09/2020 03:00 -03

Nova série da HBO coloca o dedo em uma ferida que ainda não cicatrizou na Espanha

Adaptação do best-seller de Fernando Aramburu, "Pátria" aborda as consequências nefastas do nacionalismo terrorista do ETA.

Em 2016, um livro que tocou em um assunto tabu no País Basco, região de tradição separatista no norte da Espanha, teve uma recepção diferente de obras anteriores que também colocaram o dedo na mesma ferida. Pátria, de Fernando Aramburu, se transformou em um best-seller com mais de 2 milhões de cópias vendidas em território espanhol e fomentou uma grande discussão sobre o nacionalismo tão à flor da pele por séculos naquele país.  

Quatro anos depois do lançamento do livro, estreia na HBO e HBO GO, neste domingo (27), às 21h, a minissérie Pátria. Em transmissão simultânea para 60 países, a produção se desenvolve ao longo de 3 décadas em que o grupo separatista ETA espalhou o terror em Euskadi (nome do País Basco na língua local, a euskera) e no resto da Espanha.

Na trama, duas grandes amigas, Bittori (Elena Irureta) e Miren (Ane Gabarain), até então inseparáveis, rompem relações depois do assassinato de Txato (José Ramón Soroiz), marido de Bittori, um empresário que se recusou a pagar a “taxa revolucionária” imposta pelo ETA para financiar suas atividades terroristas.

A questão é que o filho mais velho de Miren, Joxe Mari (Jon Olivares), estava envolvido com o ETA, e ela acaba se radicalizando depois da prisão dele, que é apontado por muitos como o autor do atentado que matou Txato.

Décadas depois, quando o ETA anunciou o fim de suas atividades terroristas, em 2011, Bittori resolve retornar ao seu vilarejo, próximo a San Sebastian, onde passou a morar após o assassinato de Txato, para finalmente saber exatamente o que aconteceu. Porém, a recepção dos moradores locais não é das melhores.

Divulgação
Ane Gabarain (esq.) e Elena Irureta como Miren e Bittorin na minissérie "Pátria".

Levando em conta os 2 primeiros episódios a que o HuffPost teve acesso, Pátria tem todos os elementos possíveis para se tornar um dos destaques de 2020 no formato. Criada e roteirizada por Aitor Gabilondo, a minissérie tem um design de produção dos mais caprichados, roteiro bem estruturado e ótimas atuações em uma trama densa que transita entre momentos de bastante tensão e muita sensibilidade. 

A história de Pátria acaba funcionando como um microcosmo do mundo atual, em que o nacionalismo ganha cada vez mais espaço, separando seres humanos em nações muradas, que voltaram a acreditar no discurso do “nós contra eles”, em que todos os seus problemas e frustrações são jogados na conta de um inimigo comum, o estrangeiro, materializado da figura do imigrante.

Ver o ódio corroendo uma amizade e toda uma boa relação entre duas famílias não é um experiência agradável, mas contar histórias como essa neste momento é extremamente necessário e até didático. Ponto para a HBO, que mais uma vez aposta no material certo para enriquecer seu catálogo focando muito mais na qualidade ao invés da quantidade. 

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